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Pesquisadores do AM criam inseticida que reduz em 90% a proliferação do Aedes aegypti

Substância é aderida pelo mosquito fêmea, que transporta produto para outros criadouros e mata larvas. Diretor da Fiocruz afirma que inseticida é inofensivo para seres vivos e foi aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) 25/04/2015 às 14:45
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Larvas mortas seguem como material para estudo da Fiocruz Amazônia
OSWALDO NETO Manaus (AM)

É por meio do próprio mosquito transmissor da dengue que uma pesquisa desenvolvida na região pretende diminuir a incidência do inseto no Amazonas.

A medida em questão é um inseticida criado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônias (Inpa), capaz de se “impregnar” na fêmea do Aedes aegypti e que, ao seguir para outro criadouro, mata as larvas por meio do produto e diminui o risco de proliferação em 90%. Segundo o diretor da instituição, o projeto tem alcançado resultados positivos e vem animando os pesquisadores.

Segundo o diretor do Instituto, Sergio Luiz Luz, a pesquisa começou em 2004, quando foi iniciado um mapeamento dos mosquitos vetores da dengue em quatro áreas da cidade. O objetivo era construir uma base de dados para dar seguimento a uma segunda etapa de intervenção. “Depois de um tempo ficamos apenas com a área de Tancredo Neves, que é um local que favorece o surgimento e criação de mosquitos. É uma área que tem falta de abastecimento de água e casas com uma paisagem geográfica que favorecem isso”, explicou.

Posteriormente, após tomar conhecimento de um artigo que utilizou a unidade dispersora de inseticida no Peru, o grupo de pesquisadores amazonenses decidiu aplicar o modelo em Manaus. “Antes da aplicação do inseticida somente 10% deles morriam, depois do inseticida 90% passaram a ser eliminados. Isso mostrou primeiro que o inseticida estava atuando e, segundo, que o mosquito era um bom dispersor”, explicou o parasitologista.

Aplicação

O mecanismo criado pela Fiocruz para atrair as fêmeas da espécie é totalmente manual e, segundo o diretor do órgão, é aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Conforme explica Luz, o inseticida Pyriproxyfen é aplicado em um pano dentro da unidade dispersora. Ao encostar as patas na parede do compartimento, o mosquito desova o produto em outros criadouros e semeia o inseticida, eliminando assim as larvas. O especialista ressalta, ainda, que a substância não mata os mosquitos adultos.

Sobre a utilização do inseticida em forma borrifadora, a qual é a mais utilizada por agentes de saúde, o especialista explica que o resultado pode ser diferente. “Para a borrifação é necessário ter outros elementos, como a diluição”, contou.

Experimentos

Atualmente, a pesquisa está concentrada no Município de Manacapuru, a 84 quilômetros de Manaus. No local, foram distribuídas mil unidades dispersoras. “Até julho a gente terá os primeiros resultados de Manacapuru prontos pra analisar. São resultados promissores, até maiores que a gente encontrou no Tancredo Neves. Só depois vamos traçar um panorama do que iremos fazer”, contou.

Além da dengue, a descoberta pode ajudar a combater outras doenças transmitidas por mosquitos. Entre elas estão a febre amarela, encefalite equina, encefalite japonesa e até mesmo a chikungunya, também transmitida pelo Aedes.

Inofensivo para pessoas e animais

Aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o inseticida entrou no Brasil como um produto prioritário no combate à dengue. Isso porque, além do seu poder de eliminação dos focos, outra principal vantagem destacada pelo diretor da instituição é o fato do produto ser inofensivo a humanos e animais.

“Ele pode ser utilizado em caixas d’água, ou seja, não compromete a qualidade. Isso é um grande ganho porque um dos grandes problemas são justamente os recipientes de água que as pessoas acabam armazenando para o uso doméstico”, pontuou.

Sobre o custo do inseticida, Luz afirma que ainda é cedo para falar sobre valores ou produções em grande escala no Sistema Único de Saúde (SUS) “A fiocruz faz pesquisa para o SUS, a gente sabe de antemão, de uma maneira geral, que para ser eficiente, deve haver uma viabilidade de custo-benefício”.

Entretanto, o pesquisador adianta que a equipe de profissionais vem se empenhando em transformar o inseticida em um mecanismo mais prático, a fim de que ele seja utilizado pelos agentes da rede pública. Por fim, ele destaca o papel da sociedade nesse contexto.

“A população não deve esquecer de procurar os criadouros e colocar as armadilhas nos locais certos. É um apoio muito importante”.