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PF investiga a existência de "falsos índios" no Amazonas

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas afirmou que as investigações envolvem pessoas que usam ilegalmente benefícios concedidos para indígenas 11/04/2012 às 21:58
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Superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Fontes, não disse quantas pessoas estão sendo investigadas
André Alves e Mariana Lima Manaus

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Sérgio Fontes, confirmou, nesta quinta-feira (11), que a PF investiga a existência de “falsos índios” no Estado que atuariam, inclusive, como lideranças perante as autoridades, defendendo pautas de reivindicações para comunidades indígenas. Entre os objetos da investigação está a falsificação do Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani).   

“O Rani é um documento expedido pela Funai (Fundação Nacional do Índio). Se ele for obtido mediante fraude, há um crime”, disse Sérgio Fontes. De acordo com ele, há inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar os crimes tanto na capital, Manaus, quanto no interior do Amazonas. Sérgio Fontes afirmou que não preside os inquéritos e que por isso não poderia dar mais detalhes.

O líder indígena Paulo José Ribeiro da Silva, que se intitula “cacique Paulo Apurinã”, é um dos focos da investigação. Ele teve o Registro Administrativo de Nascimento Indígena aprovado em 2007, quando tinha 33 anos. No Rani de Paulo consta que o líder é descendente da tribo Apurinã e tem como nome indígena “Caiquara”. No mesmo documento consta o nome de duas testemunhas, identificadas como Severo Mateus Gamenha e Emílio Elias, que não assinam o documento, constatando suposta irregularidade.

O delegado Sérgio Fontes afirmou que a Polícia Federal requereu um laudo antropológico e vai ouvir a mãe de Paulo Apurinã, e caciques indígenas, para somar os dados às perícias já realizadas.  Paulo Apurinã disse ter tido conhecimento superficial da ação, mas que não recebeu nenhuma intimação oficial. “Ouvi falar dessa investigação, mas não chegou nenhum documento em minhas mãos. Logo, eu não estou preocupado com isso no momento”, respondeu ele à reportagem.

Paulo Apurinã disse ainda estar tranquilo com a situação. “Eu sou índio, mas não uso nenhum benefício do governo federal. Não uso cotas indígenas, as minhas duas faculdades, por exemplo, foram feitas em instituições particulares. O meu passado e meu presente são públicos. Eu escolhi isso para a minha vida e não tenho medo de investigações. É necessário entender que não é o Rani que faz o índio. Os índios nascem índios e pronto”, concluiu.

Benefícios

O número de investigados pela Polícia Federal como “falsos índios” não foi confirmado por Sérgio Fontes, mas alguns deles estariam envolvidos em invasão de terras na periferia de Manaus e de prédios públicos, além de utilizarem, ilegalmente, benefícios especiais destinadas para índios registrados pela Funai.