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PF investiga comércio ilegal de ouro retirado de garimpo do Alto Rio Negro

A operação investigou o comércio ilegal de ouro que saía de São Gabriel da Cachoeira e era dividido em vários Estados do país 26/01/2012 às 21:41
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Delegado Federal Daniel Ottoni mostra a área em que funcionou a operação
Mariana Lima Manaus

Após mais de dois anos de investigação de comércio ilegal de ouro extraído de garimpo sem licenciamento na região do município de São Gabriel da Cachoeira (a 850 quilômetros de Manaus), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados em cinco Estados brasileiros.

Onze pessoas foram chamadas para prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal.

O resultado da operação foi divulgado nesta quinta-feira (26) pelo delegado federal federal Daniel Ottoni, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph).

Batizada de Operação Parvo, a ação da PF investigou desde 2009 uma cadeia de venda irregular de ouro retirado da área indígena na região do rio Beuá, na área conhecida como Cabeça do Cachorro, na região do Alto Rio Negro.

Segundo o delegado federal Daniel Ottoni, cerca de 60 policiais federais seguiram o caminho realizado para a venda ilegal do mineral e cumpriram 49 mandados em cinco Estados brasileiros.

Transporte
“Os garimpeiros que atuavam na região passavam o ouro para São Gabriel da Cachoeira onde era usado entre outras coisas como moeda. O ouro era acumulado em certa quantidade e enviados para atravessadores em Manaus onde eram negociados. Outros atravessadores pegavam o ouro e fundiam com outros minérios e transformavam em barras para vender para outras áreas do país como São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás”, conta.

O mineral, segundo Ottoni, era enviado para outras cidades por meio de barcos, transportadoras e pelos Correios, sem autorização dos órgãos competentes e pagamento de impostos.

“Esse grupo possuía um faturamento médio de R$ 3 milhões por mês e atuavam há pelo menos 11 anos”, afirma.

Os 49 mandados cumpridos são referentes à apreensão de computadores, documentos e veículos, além de mandados de condução coercitiva (quando o suspeito é convocado para ser interrogado e indiciado na própria sede da Polícia Federal) e bloqueio de bens e contas bancárias dos envolvidos.

Prisão
Segundo o delegado, ninguém foi preso durante o processo pois a polícia já possui provas suficientes para levar os envolvidos ao julgamento.

“Foi determinado que os suspeitos não possam exercer atividades de comércio ligados ao ouro. Caso a determinação seja contrariada, o juiz poderá pedir a prisão preventiva do mesmo”, relata.

Durante a investigação foram identificadas onze pessoas envolvidas no esquema, dentre elas vendedores, atravessadores e comerciantes. Todos foram autuados por Usurpação de Bens da União, formação de quadrilha e ocultação de bens, quando o criminoso tenta disfarçar o material ilícito.

Segundo Ottoni, os envolvidos foram ouvidos na manhã desta quinta-fera (26), na sede da Polícia Federal, sendo liberados logo em seguida.

A operação deve ser concluída em um prazo de 30 dias, quando todo o material apreendido for analisado pelos policiais. “Nós esperamos que essa ação sirva como exemplo para os outros garimpos irregulares”, finaliza o delegado.

Índios
O delegado da Polícia Federal, Daniel Ottoni, afirma que são comuns as denúncias de garimpo em terras indígenas no interior do Amazonas. Segundo o delegado, as denúncias correspondem tanto à exploração ilegal em terras indígenas quanto o ato ilícito realizado pelos mesmos.

Valores
Conforme as investigações, em São Gabriel da Cachoeira o grama de ouro custa em média R$ 40 e tem, em média, o valor final de R$ 90.

“Operação Parvo”
O nome da operação é uma referência ao mineral não precioso Pirita de Ferro, possui brilho metálico e cor dourada. A pedra também é conhecida por ouro-dos-tolos ou ouro-dos parvos.