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Planta que absorve metais pesados pode ser usada para tratamento de igarapés

A planta aquática orelha-de-elefante-gigante, comum em matas ciliares, consegue absorver metais como chumbo e cobre 06/02/2012 às 15:28
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Planta orelha-de-elefante-gigante tem capacidade de absorver metais pesados
Elaíze Farias Manaus

Um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está desenvolvendo um sistema baseado na planta aquática orelha-de-elefante-gigante (Alocasia macrorhiza) para o tratamento das águas do igarapé contaminado de Manaus.

O engenheiro químico Josias Coriolano de Freitas, cuja tese de doutorado identificou a capacidade da planta em absorver metais pesados, diz que a orelha-de-elegante-gigante ajuda na recuperação de áreas degradadas e no tratamento de efluentes líquidos, entre outras ações.

“A planta pode ser utilizada naturalmente. Não é preciso usar nenhum produto químico. No momento o grupo está procurando aperfeiçoar o sistema de tratamento natural”, disse Freitas, em entrevista ao portal a critica.com.

A pesquisa do engenheiro químico foi realizada entre 2008 e 2010 e foi divulgada na semana passada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), agência financiadora do estudo.

A orelha-de-elefante-gigante é uma planta de origem asiática, mas que se adaptou bem ao clima tropical da Amazônia. Em Manaus, ela é comum nas matas ciliares. A pesquisa de Freitas atestou que a orelha-de-elefante-gigante tem capacidade para absorver grandes concentrações de chumbo, seguido de cromo, cadmo, cobre, níquel e zinco.

Controle

O engenheiro químico destaca que a viabilização do controle de metais pesados em regiões urbana passa primeiramente por um sistema de tratamento de esgoto doméstico e industrial adequado, reciclagem do lixo urbano e programa de educação ambiental.

“Infelizmente as ações para a redução dos metais pesados em Manaus são bastante pontuais e os programas governamentais não tem continuidade. Devemos continuar investindo em pesquisas porque desta forma teremos  mais opções  para fazer a melhor escolha de descontaminação do ambiente”, observou.

Mas nos casos onde os metais já estão presentes e consolidados, a planta orelha-de-elefante-gigante é a alternativa para evitar um malefício maior, embora existam outras espécies que possam possuir a mesma capacidade.

“Há plantas que se estressam, ficam atrofiadas, mudam de cor, mudam seu DNA e têm anomalias. A orelha-de-elefante-gigante, durante a nossa pesquisa, não apresentou nenhum estresse. Era resistente e mostrou ter uma vida longa mesmo acumulando uma quantidade muito alta de metais pesados”, explicou.

Segundo Freitas, a grande concentração de chumbo na planta deve-se à competição entre os metais, que leva à preferência da planta por um deles.

“Dois fatores foram fundamentais  para a absorção do chumbo: a alta concentração e a competição entre os outros metais. A variação da concentração dos outros metais faz com que exista uma competição entre eles e com isso a planta terá  preferência pelo o chumbo. Geralmente, o chumbo está associado a origem urbana, principalmente lixo e a atividade industrial”, explicou.

O trabalho de campo para análise da pesquisa foi feito em áreas cujo nível de contaminação é elevado. É o caso de igarapés próximos da Universidade Luterana, no conjunto Atílio Andreazza, no Japiim, na Zona Sul; na Avenida Torquato Tapajós, no bairro Flores, na Zona Norte; no Conjunto Jardim de Versalles, no bairro Planalto, na Zona Centro-Oeste; no Posto Rodoviário de Manaus da Rodovia BR-174, quilômetro 7, e em uma área não impactada localizada na Ufam, no bairro Coroado, na Zona Leste.