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Polícia sofre pressão para investigar crimes no sul do AM

Casos de assassinatos de agricultores, extrativistas, indígenas e ribeirinhos no sul do Estado por questões de conflitos agrários serão investigados 04/01/2013 às 18:46
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Deputada Janete Capiberibe pede apoio do Ministro José Eduardo Cardozo para desvendar casos
Elaíze Farias ---

O ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, se comprometeu em pressionar a polícia estadual do Amazonas a investigar os casos de assassinatos de agricultores, extrativistas, indígenas e ribeirinhos no sul do Estado por questões de conflitos agrários. A informação foi dada pela assessoria de imprensa da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), após audiência realizada nesta quarta-feira (19) com Cardozo, em Brasília.

Conforme a assessoria de Janete Capiberibe, a parlamentar cobrou ações mais efetivas para o problema no sul do Amazonas, especialmente na região do Município de Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus) onde há registros de vários conflitos e casos de ameaças e assassinatos. Janete é integrante da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

José Eduardo Cardozo também determinou à Polícia Federal que estude legalmente uma forma de agir na região, já que este tipo de investigação é de competência das polícias estaduais. O ministro afirmou ainda que iria buscar mais informações na Ouvidoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário sobre os casos de assassinatos relacionados à conflitos agrários.

Ameaças

A resposta do ministro ocorre no momento em que mais um assassinato foi registrado no sul de Lábrea. Há um mês, o agricultor Raimundo Nonato Chalub, morador da Gleba Iquiri, foi morto com vários tiros em sua casa. A família fugiu do assentamento com medo de também ser executada.

O assassinato foi registrado na delegacia do Distrito de Extrema (RO), por esta ser mais próxima da Gleba Iquiri – apesar desta fazer parte da jurisdição de Lábrea. O ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, informado sobre o assassinado, enviou no final de novembro ofício à Polícia Civil do Amazonas pedindo reforços na investigação.

Na terça-feira (18), a sobrinha de Raimundo Nonato, Nilcilene Chalub, disse ao jornal A CRÍTICA que a investigação sobre o assassinato do tio não apenas não avançaram como as ameaças à família dele se agravaram

Ela contou que os suspeitos estão rondando a casa da família de Raimundo Chalub com a intenção de matar o restante da família. Outro problema é a dificuldade de obter informações na delegacia de Extrema, distrito de Porto Velho (RO), onde o caso foi registrado.

“A gente foi pedir proteção para a família do meu tio, mas disseram em Extrema que os policiais estão greve. A delegacia nem estava funcionando. O pior é que os assassinos moram há menos de 200 metros da delegacia de Extrema”, disse Nilcilene.

Conforme Nilcilene, os filhos de Raimundo Chalub estão correndo risco de vida porque os suspeitos do assassinato continuam fazendo ameaça. “Soubemos que eles deixaram recado na colônia (assentamento) para que quando o filho mais velho do meu tio aparecesse lá para ver o gado era para serem avisados”, disse ela, em declaração enviada por email.

Delegacias

O relato de Nilcilene sobre a atual situação da viúva e dos filhos de Chalub foi encaminhado à assessoria da deputada federal Janete Capiberibe, que já havia mencionando este caso durante intervenção em plenária, no mês passado. Por causa desse relato, o assunto foi assunto de pauta da reunião de ontem com o ministro da justiça.

A reportagem ligou várias vezes para a delegacia de Extrema, de número 69-3255-1442, mas ninguém atendeu. Também tentou entrar em contato com a Delegacia de Lábrea, onde o caso deveria ser investigado, pelos números, 97-3331-2329 e 97-3331-2016, e também ninguém atendeu.

Assassinatos

Segundo a Ouvidoria Agrária Nacional, com a morte de Raimundo Nonato da Silva Chalub, a lista de camponeses assassinados no Sul do Amazonas chega a 12 pessoas entre 2001 e 2012.

No entanto, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) contabiliza assassinatos de agricultores que vivem em assentamentos no Amazonas, mas cujas mortes ocorreram em Rondônia. É o caso de Adelino Ramos, que vivia na Gleba Curuquetê (AM), mas foi executado em Vista Alegre do Abunã (RO). Portanto, o número de homicídios no campo pode ser maior.