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Amazônia
PEIXES

Por falta de incentivo à aquicultura, AM gasta quase R$ 200 milhões na compra de peixes

O dado foi apresentado por autoridades durante audiência pública com o objetivo de debater mecanismos para impulsionar a prática. A reunião ocorreu na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) 16/05/2016 às 23:47 - Atualizado em 17/05/2016 às 10:24
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Falta de regularização fundiária ainda é um dos maiores gargalos para o desenvolvimento da criação de pescado (Foto: Divulgação)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Embora seja um Estado propício para a atividade, o Amazonas gasta quase de R$ 200 milhões na compra de peixes por falta de incentivos à aquicultura interna. O dado foi apresentado por autoridades durante audiência pública com o objetivo de debater mecanismos para impulsionar a prática.

A reunião ocorreu na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e contou com a presença de diversos nomes relacionados à atividade, entre eles o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faea), Muni Lourenço. Segundo ele, embora existam obstáculos  como a concorrência com Rondônia e Roraima e a carência de insumos, a regularização fundiária  ainda é um dos maiores gargalos para o desenvolvimento da criação de pescado.

“É muito importante que haja a aceleração dos programas de regularização fundiária para que esse empreendedor da piscicultura possa dispor do título da terra e tenha segurança jurídica”, explicou Lourenço.

Importação

De acordo com o secretário executivo adjunto da Secretaria de Estado de Produção Rural, Deraldo Bernardino, mais da metade da produção comercializada no Amazonas vem de outros estados. “Falando em números redondos, a produção estadual chega a 22 mil toneladas, mas vem de fora cerca de 30 mil. Isso quer dizer que estamos pagando quase R$ 180 milhões de reais aos nossos vizinhos por falta de uma legislação que regule a atividade no Amazonas”.

O deputado estadual e presidente da Comissão de Agricultura e Pesca da ALE-AM, Dermilson Chagas (PEN), destacou a burocracia como um empecilho para o incentivo à aquicultura. “Temos aqui um estado promissor que tem terra e água, duas coisas fundamentais para a produção. Se você nao encontrar os mecanismos para beneficiar aquele empreendedor, piscicultor, vamos continuar comendo peixe de Roraima e Rondônia”, declarou Chagas.

Ainda segundo o parlamentar, é necessário o apoio do governo na atividade econômica. “Se o estado não for parceiro do desenvolvimento, não tem como avançarmos em nada. O estado tem que ser empreendedor, tem que ter uma visão mais humana da necessidade local para gerar emprego e renda”, disse o deputado.

Tecnologia disponível no mercado

Apesar dos obstáculos envolvendo a produção de peixes em cativeiro, a coordenadora do curso de pós-graduação em aquicultura do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Elizabeth Gusmão, destacou importantes inovações científicas para auxiliar o setor no Estado.

Entre elas está a criação de rações a fim de diminuir os custos de produção. “Seria possível colocar alguns insumos.  Esse insumo poderia ser adquirido com menor preço e ter um produto final com menor custo”, disse ela.

Além disso, Gusmão pontuou outro estudo que deve armazenar espécies, que é a conservação de sémen. “Isso é uma biotecnologia que logo logo estará sendo implementado, preservando sémen de um reprodutor para ser utilizado a qualquer momento”, explicou a especialista.

Lei aprovada

No dia 5 deste mês, a ALE aprovou projeto de lei que  disciplina a atividade à legislação ambiental brasileira. O objetivo é  desburocratizar e impulsionando o desenvolvimento da criação de peixe em cativeiro no Amazonas.

Em números: 4 mil

piscicultores  realizam a produção de peixes no Amazonas, segundo dados da Sepror. Pela Faea, os profissionais realizam atividades de capacitação e formação profissional por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).