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Potencial turístico de observatório de aves ainda é inexplorado no Amazonas

Apesar de concentrar até 40% das espécies de aves do Brasil, o Amazonas não investe em seus parques para fomentar a prática 27/06/2012 às 07:04
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Durante o ano passado, os turistas que vieram ao Brasil para observar aves gastaram mais de R$ 1 milhão no País
ana celia ossame Manaus

Diante do fato que o Amazonas possui, aproximadamente, 900 espécies de aves, o equivalente a mais de 40% das espécies ocorridas no Brasil, o biólogo e ornitólogo Reynier Omena Júnior elaborou um projeto com o objetivo de incrementar, de forma definitiva, a atividade de observação de pássaros no Estado.

A proposta é criar estruturas em parques nacionais, como o Jaú e Anavilhanas, situados no município de Novo Ayrão (a 115 quilômetros de Manaus) e a ilha da Marchantaria, em Iranduba (a 25 quilômetros da capital).

Nesses locais, o Governo do Estado poderia construir estratégias capazes de atrair os turistas do Brasil e também estrangeiros que visitam outros Estados brasileiros e outros países para observar pássaros. “Aqui existem raridades e excepcionalidades de aves”, afirma Omena. Ele assegura que o Estado pode ficar em nível de igualdade com o maior destino brasileiro para observadores de aves, que é o Mato Grosso, basta divulgar a riqueza da fauna local.

Um dado importante é que, para a expansão da indústria de observação de aves, não há espaço para o amadorismo e nem para o desenvolvimento de atividades que estejam em desacordo com os padrões internacionais, pois a clientela desse serviço é exigente.

Estrutura
Omena observa a necessidade de investimentos em infraestrutura, visando minimizar a dificuldade de acesso a alguns destinos, mesmo os mais próximos de Manaus, como o Parque Nacional do Jaú, entre Novo Airão e Barcelos.

Para o especialista, avançar nessa linha demandará a capacitação e especialização de guias bilíngues para atender esse segmento, dotá-los de equipamentos necessários e mínimos requeridos para atender o público exigente, dispor de Unidades de Conservação estruturadas, com plano de gestão, gestores, trilhas interpretativas, listas de espécies, facilidade de acesso e meios de comunicação. Outros aspectos citados por ele são a burocracia e a ausência de equipamentos importantes, como uma torre para a observação do alto.

Destinos
Ao citar o município de Iranduba, onde uma comunidade chamada ilha da Marchantaria tem inúmeros pássaros, e o de Presidente Figueiredo, onde se encontra espécies raras, como o gavião-real/Harpy Eagle (Harpia harpyja), o biólogo imagina situações como a observação noturna, quando é possível focar aves à beira da mata, tais como urutau-grande/Great Potoo (Nyctibius grandis), acurana (Hydropsalis climacocerca) e arapapá (Cochlearius cochlearius).

Outras áreas interessantes para esse tipo de atividade são o Encontro das Águas, Janauari, furo do Paracuúba e o Xiborena, comunidades próximas a Manaus e banhadas pelos rios Solimões e Negro que possuem uma diversidade biológica muito alta.

Com o projeto em mãos, Omena espera uma chance de apresentá-lo e, com a esperança embalada por dezenas de anos observando e ouvindo o canto dos mais belos pássaros, quer ver o projeto implementado de forma eficiente e bonita, como a imagem das aves amazônicas.

Estado aprovou a iniciativa
A secretária de Estado do Desenvolvimento e Meio Ambiente (SDS), Nádia Ferreira, afirmou que o governo elaborou, em 2010, uma regulamentação para uso público das Unidades de Conservação, com o objetivo de conceder áreas para fins turísticos.

Para ela, a ideia do ornitólogo Raynier Omena vem ao encontro dessa legislação e pode ser viabilizada com a concessão de áreas para esse tipo de atividade.

Nádia cita o Decreto 30.873/10, que permite à SDS cobrar ingresso em visitações, incentivando a parceria público-privada para a conservação das áreas protegidas. Os recursos deverão, obrigatoriamente, ser revertidos para a aplicação nas unidades.

Como o Estado tem diversas áreas que podem ser usadas para este fim, a secretária destaca a necessidade de regulamentar a atividade e criar as condições necessárias, como a catalogação das espécies, o que exigiria a presença de especialistas disponíveis no mercado local. Nádia colocou-se à disposição de Omena para conversar, conhecer o projeto e trabalhar para que a estrutura necessária seja disponibilizada aos interessados em atuar na área.

Projeto Parques da Copa
Os ministérios do Meio Ambiente e do Turismo vão escolher parques federais, estaduais e municipais, localizados próximos ou nas 12 cidades-sede da Copa, para participarem do projeto Parques da Copa.

A iniciativa prevê investimentos R$ 668 milhões, a serem aplicados na infraestrutura dos parques, para receber os turistas que virão para os jogos da Copa e prolongar seu tempo de permanência no Brasil.

Para participar da iniciativa, o parque precisa possuir atributos cênicos e atrativos turísticos consolidados, ter facilidade de deslocamento a partir das cidades-sede, ser considerado destino turístico indutor e possuir parque em estado de conservação e gestão.

R$ 1 mi é quanto os turistas que vieram ao Brasil, especificamente para observar aves, gastaram, em 2006. Dados como esse revelam que a observação de aves no País tem muito a crescer como atividade econômica, não apenas pela riqueza de aves, mas também pelas oportunidades de investimentos e trabalho.