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Amazônia
Cotidiano, Meio Ambiente, Peixe-boi, Inpa

Primeiro filhote de peixe-boi nascido em cativeiro no Amazonas completa 14 anos

O nascimento de Erê representou muito para o futuro da espécie, em virtude das pesquisas que puderam ser desenvolvidas pelo Inpa 07/04/2012 às 14:39
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Aquário de peixes-boi do INPA é uma das principais atrações do Bosque da Ciência, divertindo crianças e adultos
Gerson Severo Dantas Manaus

O peixe-boi da Amazônia é o mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil conforme lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Desde 1967 a caça e a comercialização de produtos derivados dele são proibidos no Brasil, mas a melhor notícia para a espécie veio mesmo há 14 anos, quando num dia como hoje (7) veio ao mundo  “Erê”,o primeiro peixe-boi da Amazônia a nascer em cativeiro.

O ‘bicho’ nasceu num dos aquários do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa) e abriu um leque de oportunidades para os cientistas aprenderem as características e o modo de vida da espécie, o que é fundamental para a preservação dela.

Embora tenha quase desaparecido dos rios do Estado, a população amazônida guarda uma grande identificação com a espécie.

Há, por exemplo, no município de Novo Airão – localizado a 115 quilômetros de Manaus -, um Festival do Peixe-Boi que envolve toda a comunidade central e as populações ribeirinhas do Parque Nacional das Anavilhanas. O próprio nome Erê foi escolhido para o primeiro filhote nascido em cativeiro por meio de consulta à população do Amazonas.

Um peixe-boi também foi durante muitos anos a maior atração do parque Aviaquário localizado em plena praça da matriz Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Manaus.

A própria pesquisa científica da espécie no Estado é uma das mais antigas, tendo começado  em 1974 no Inpa. A mãe de Erê, batizada de ‘Boo’ foi a segunda da espécie  a ser levada para estudos no LMA.

Conforme declaração do veterinário do Inpa Anselmo d‘Afonseca, no sítio do instituto na Internet, o nascimento foi um acontecimento importante para obtenção de mais informações sobre a biologia da espécie.

“A partir desse nascimento, começamos a ter dados sobre a interação de mãe e filhote, a composição do leite, da vocalização da mãe e filhote, da época de desmame, foi possível também começar a comparar o crescimento do Erê com os filhotes órfãos”, explica o veterinário.

O sucesso na pesquisa incentivou o Inpa a criar um conjunto de aquários no Bosque da Ciência, localizado no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, só para peixes-boi e eles são a principal atração para crianças e adultos que frequentam o local aos domingos.

Portanto, neste domingo (7) será dia de festa e de comemorar o salto proporcionado por Erê à preservação da espécie.

Espécie é a única de água doce
O peixe-boi da Amazônia é uma espécie única da ordem sirênia, a qual está ligado também o peixe-boi marinho. É um mamífero aquático que se alimenta de plantas e habita somente as bacias dos rios Amazonas, no Brasil, e Orinoco, no Peru. Dessa ordem é o único que vive em água doce.

Embora a pesquisa científica tenha avançado na busca da reprodução em cativeiro e a caça tenha sido reduzida, a espécie ainda convive com o risco de extinção, sobretudo em função da pesca predatória.

Os pescadores que se utilizam de redes de arrastão acabam capturando a mãe e não perdem a viagem matando-a. Em consequência, o filho acaba morrendo por não contar mais com o alimento e a proteção.

Do peixe-boi é feito a mixira, um composto da carne dele maturada na própria gordura. A gordura também é usada para fins de iluminação em comunidades do interior.

Longevidade
O tempo de vida do peixe-boi da Amazônia conforme estudos científicos é de 50 anos. Houve casos de animais excepcionais que chegaram aos 60 anos. Os cientistas apontam que o  principal fator para o encurtamento da vida da espécie é a predação feita pelo homem. Um indivíduo adulto pode atingir facilmente os 300 quilos e medir aproximadamente 2,5 metros.