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Amazônia
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Produtos naturais mais valorizados que os industriais

Avaliação é do pesquisador Dall’Agnoll, no 3º Preparatório do Forum Mundial de Ciência. Entretanto, um dos seus pares no debate, William Magnussum, lamentou a falta de investimento ao produto final desses bens.   29/11/2012 às 18:42
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3º Preparatório do Forum Mundial de Ciência
acritica.com* ---

O pesquisador Roberto Dall´Agnoll, que debateu o tema “Ciência para o uso de recursos naturais tropicais”, do 3º Encontro Preparatório do Fórum Mundial de Ciência, na sede do Inpa , destacou a valorização e investimentos cada vez maior nos recursos naturais da região, frente aos produtos industriais, e a mudança que essa valorização vem provocando no cenário da economia nacional  

“Produtos naturais do passado tinham preços totalmente arbitrários e produtos industriais eram altamente valorizados. Hoje em dia está acontecendo o contrário. Devido a extrema competição dos produtos industriais, como o computador, o preço diminui e o produto natural, ao contrário, está sendo cada vez mais valorizado. Então hoje, existe espaço para uma economia baseada em produtos naturais e essa é uma grande oportunidade para o Brasil”, explicou o geólogo.

Dividida em três rodadas de exposições, cada pesquisador deu sua opinião sobre o tema proposto

Para o coordenador do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) para a Amazônia Ocidental, William Magnussum, não basta ter como objetivo estudar e aproveitar os recursos naturais, é necessário investimento na educação. “Quando soube que tem tantas pessoas descobrindo potenciais produtos diariamente (...) fico assustado. Nós temos todos esses produtos potenciais, mas não chegamos a nada. Nosso grande gargalo não é descobrir coisas novas, claro que isso é parte do processo, mas nosso grande problema é que nós não temos uma produção que chegue no produto final. E nós não treinamos nossos cientistas para trabalharem em equipe e para que o produto que ele tem entre nessa cadeia e no final a sociedade veja o resultado. A educação é importante”, frisou o pesquisador.

Hipóteses

Questionador, o pesquisador Charles Clement, também do Inpa, buscou estimular o público a refletir sobre o tema proposto ao debate. “Estamos aqui repetindo isto. Lembrei instantaneamente de Armando Mendes, que foi um grande pensador paraense que estava em Manaus em 2004 para uma reunião da Academia Brasileira de Ciências (ABC), chamada ‘Amazônia: um desafio científico e tecnológico’, em sua primeira fala, Armando afirmou que há 40 anos participava de reuniões como esta e as conclusões são sempre as mesmas”, destacou.

Clement questionou também a falta da palavra ‘sustentável’, alegando que “alguma coisa está sendo perdida quando não se está falando em sustentabilidade”.

“Para o uso de recursos naturais, cientistas e tecnologistas sabem o que fazer. O William M Magnussum mencionou várias ideias sobre produtos e técnicas. Roberto Dall’Agnoll falou da exploração de minério e outros produtos. Então porque estamos falando disso de novo? Se vamos pensar sobre sustentabilidade podemos começar a pensar em muitas outras perguntas”, disse.

Clement defendeu ainda a ideia de que esse é um dilema social e político que se tem pouco a dizer, pois a ansiedade faz a sociedade e os políticos não escutarem os cientistas, uma vez que eles (os cientistas) são “muito bons em levantar hipóteses, mas não podem responder” de forma imediatista.

Dessa forma, de acordo com o diretor do Inpa, Adalberto Val, a reunião preparatória na capital amazonense é necessária e oportuna, para que se possa incluir no debate problemas e desafios demandados pelas sociedades de países em desenvolvimento. “Esse fórum é extremamente importante para que possamos definir uma agenda de ciência para o mundo moderno. Estamos numa fase de transição para um novo paradigma mundial, que envolve questões sociais, políticas, saúde, comunicação e fundamentalmente questões ambientais”, afirmou.

A mesa teve a mediação de Claudio Ruy Fonseca e como relator Geraldo Mendes, ambos do Inpa.

Os encontros preparatórios para o Fórum Mundial de Ciência 2013 estão sendo promovidos pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Amazonas é o único estado da região Norte a sediar um dos sete encontros.

O evento, em Manaus, é coordenado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (SECTI-AM) em parceria com o Inpa e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Retrospectiva

O primeiro encontro preparatório ocorreu na cidade de São Paulo, no mês de agosto, com o tema “Ciência para o Desenvolvimento Global: da educação para a inovação – construindo as bases para a cidadania e o desenvolvimento sustentável”. Em seguida, foi a vez de Belo Horizonte (MG) receber a reunião, que tratou sobre “Desafios para o desenvolvimento científico e tecnológico nos trópicos”.

Após o encontro em Manaus, as próximas cidades a sediar o evento serão Salvador (BA), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF).

Sobre o Fórum Mundial

Pela primeira vez em sua história, o Fórum ocorrerá fora da Hungria, país que deu origem ao evento. O 6º Fórum Mundial da Ciência será realizado em novembro de 2013, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com o tema “A Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global” e conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

* Com informações da assessoria de comunicação