Publicidade
Amazônia
Amazônia

Projeto aplicado no Sul do Amazonas incentiva produtores a lucrar com a preservação

O projeto que vai atender aos Municípios de Boca do Acre, Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã, incentiva produtores a produzir de forma sustentável  22/01/2013 às 08:22
Show 1
Segundo a secretária da SDS, Nádia Ferreira, a região do Sul do Amazonas é a que mais preocupa quanto ao desmatamento
ana celia ossame ---

Um projeto pioneiro de reflorestamento das áreas de desmatamento no Sul do Estado do Amazonas com espécies de valor comercial para geração de renda começa a mostrar os resultados dos primeiros passos. Após a identificação de mil propriedades a serem contempladas com ações de reflorestamento de 1450 hectares por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), anuncia a realização de cursos de capacitação para os produtores rurais, a partir da segunda quinzena de fevereiro.

Com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), usando recursos do Fundo Amazônia, no total de R$ 20 milhões, o projeto vai atender aos Municípios de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus), Lábrea (a 703 quilômetros), Apuí (a 476 quilômetros) e Novo Aripuanã (a 228 quilômetros), famosos pelos altos índices de desmatamento. Estão também no projeto o Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Segundo a titular da SDS, Nádia Ferreira, projeto foi assinado no final de 2010 e, dada a complexidade, está ainda na fase de identificação das áreas. Mas em 238 propriedades devidamente identificadas já foi iniciado o processo de mecanização agrícola com a limpeza e preparação das áreas de plantio, ação que deve ser concluída até julho deste ano para, no mês de agosto, iniciar-se a adubação e abertura de covas para o plantio. “Cada propriedade foi visitada e avaliada, tendo o produtor aderido ao projeto”, explicou a secretária.

ESPÉCIES

As espécies escolhidas pelos produtores são a castanha, andiroba, cedro rosa, paricá, ipê, cumaru, guaraná, cupuaçu, açaí, banana, café, cacau, jatobá, piquiá, jenipapo, cedrinho e angelim. “Serão reflorestadas 1000 propriedades rurais, das quais 350 estarão no Município de Apuí, 250 no Município de Boca do Acre, 250 no Município de Lábrea e 150 no Município de Novo Aripuanã”, revelou Nádia.

O processo de produção das mudas foi iniciado em janeiro deste ano pela empresa Campos da Amazônia Biotecnologia Consultoria e Comércio Ltda, contratada por R$ 6,7 milhões para a produção de aproximadamente 1,4 mil mudas em quatro viveiros construídos na sede dos municípios. De acordo com o calendário agrícola, as mudas serão distribuídas nas propriedades rurais a partir de setembro para que os produtores iniciem o plantio com orientação técnica do Idam, explicou a secretária.

Objetivo é mudar processos

De acordo com a coordenação do projeto, como incentivo à mudança do processo produtivo atual para uma produção de característica mais sustentável, estão sendo implantados nos municípios de abrangência do projeto 12 modelos de produção para ampla escolha dos contemplados.

Entre os cursos estão os de educação ambiental voltada à agricultura familiar, agroecologia, cadastro ambiental rural, coleta de sementes florestais, sistemas agroflorestais, integração lavoura, pecuária e floresta, e pastejo rotacionado. Para agregar renda às famílias, o Idam distribui sementes de espécies de ciclo curto, tais como  milho, arroz e feijão para serem plantadas nas áreas onde já foi realizada a mecanização agrícola.

O investimento do projeto em cada produtor ao final será em torno de R$ 16 mil. Com a produção de médios e longos ciclos, a expectativa é que eles percebam que estão fazendo uma espécie de “poupança verde”, que se bem cuidada, terá frutos a curto, médio e longo prazo, finaliza Nádia Ferreira.