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Projeto de Revitalização do Igarapé do Mindu é uma ameaça

Revitalização tocada pela prefeitura em vez de salvar vai piorar a situação com a construção de um novo corredor viário 08/07/2012 às 17:26
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Animais silvestres, como tartarugas, convivem com o lixo no igarapé
Leandro Prazeres Manaus (AM)

Um projeto que poderia representar alguma esperança para o combalido igarapé do Mindu hoje é mais uma ameaça a ele. O “Projeto de Revitalização do Igarapé do Mindu”, elaborado em 2007, foi alterado ao longo da gestão do prefeito Amazonino Mendes (PDT) e hoje se limita à construção de um corredor viário e parques lineares que, na prática, podem acabar prejudicando ainda mais a fauna e a flora a região.

O projeto foi aprovado junto ao Governo Federal em 2007. À época, ele tinha cinco etapas, entre elas, a consolidação de um corredor ecológico e uma área destinada à preservação que serve de refúgio para espécies ameaçadas de extinção.

Em 2011, a prefeitura iniciou obras com os recursos do projeto aprovado pelo Governo Federal ainda 2007, mas o resultado tem sido questionado por moradores, cientistas e urbanistas. As obras estão orçadas em R$ 114 milhões.

A principal intervenção feita até agora pela prefeitura foi a construção de um corredor viário margeando um trecho de quase dois quilômetros do igarapé. Além do asfalto, a prefeitura canalizou parte do leito com o uso de concreto e armação de metal.

Em princípio, nada muito diferente do que vem sendo feito ao longo dos anos nos igarapés de Manaus. O problema é saber que tipo de  revitalização é essa que não inclui uma só estação de tratamento de esgotos, principal ameaça à saúde do igarapé?

Segundo levantamento feito por A CRÍTICA, o projeto hoje tocado pela Prefeitura de Manaus só prevê a construção de uma estação de tratamento de efluentes, e ela fica dentro do Parque Municipal Nascentes do Mindu, justamente para preservar as suas cabeceiras. Ao longo dos 24 quilômetros de extensão do igarapé, porém, nenhuma estação está prevista.

“É um absurdo. É uma tremenda falta de visão de longo prazo fazer uma intervenção desse porte em Manaus e não incluir as estações. Isso mostra que de revitalização, esse projeto não tem nada”, diz Carlos Durigan, da Fundação Vitória Amazônica (FVA).

O arquiteto e urbanista Roberto Moita, que projetou o Parque do Mindu há mais de 20 anos, diz que conhece pouco esta obra, mas admite que deveriam ter sido incluídas as esta ções de tratamento. “Se considerarmos que esse é um dos principais problemas que afeta o igarapé, seria interessante que houvesse a construção dessas estações”, afirma.

Secretário Municipal de Obras durante a concepção do projeto, Paulo Rocha Farias lamenta que a ideia original tenha sido abandonada. “O projeto era mais complexo e previa a preservação do corredor ecológico. O que estão fazendo agora é apenas um corredor viário”, lamentou.

Até o assessor de Relações Internacionais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Luiz Carlos Mestrinho, admitiu, com  certo constrangimento, que a não inclusão de estações de tratamento no projeto  do Mindu foi um erro. “Veja bem...acho que é algo que poderia ter sido considerado, mas o projeto não é gerido pela Semmas, e sim pela Seminf”, disse.