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Amazônia
Cotidiano, Conflitos agrários, CPT/AM, sul do Amazonas, trabalhadores rurais, Violência no Campo

Publicação revela em números os conflitos agrários no Sul do AM

O caderno apresenta um panorama do conflito agrário, no Sul do Estado, envolvendo madeireiros, grileiros, empresários e trabalhadores rurais 21/06/2012 às 17:05
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Coordenadora do CPT-AM, Neide Lourenço, mostra a publicação lançada este ano
Síntia Maciel Manaus

Um total de 56 pessoas – a maioria trabalhadores rurais e extrativistas -, estão ameaçadas de morte ou de despejo das terras que ocupam nos municípios localizados no Sul do Amazonas, de acordo com a publicação “Conflitos no Campo Brasil – 2001”, lançado nesta quinta-feira (21), em Manaus.

O caderno apresenta um panorama do conflito agrário, no Sul do Estado – Humaitá, Lábrea, Boca do Acre e Apuí -, envolvendo madeireiros, grileiros, empresários e trabalhadores rurais.

De acordo com a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra, no Amazonas (CPT-AM), Neide Lourenço, houve um aumento no número de pessoas ameaçadas no Amazonas, no ano passado em relação a 2010.

“Este ano mais de 2 mil pessoas envolvidas nos conflitos agrários estão sob o risco de serem despejadas de suas áreas”, salienta Lourenço.

Ela explica que tal número se dá pelo fato de que geralmente, quando os trabalhadores denunciam as práticas ilegais de madeireiros ou grileiros, toda a comunidade do lugar passa a correr riscos, sejam eles de despejo ou de incêndio nas propriedades.

O situação mais crítica, segundo ela, se encontra em Lábrea – a 702 quilômetros de Manaus, onde a extrativista Nilcilene Miguel de Lima, precisou sair, para não ser morta.

Apesar de ter conseguido uma escolta da Força Nacional de Segurança, a extrativista teve que sair do município para um local mais seguro – e não informado -, após a descoberta de um plano para assassinar Nilcilene e os policiais da Força Nacional.

A coordenadora da CPT-AM lamentou a ausência de representantes do Ministério Público Federal (MPF-AM); Polícia Federal (PF-AM) e Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), ao evento.

“A ausência destes órgãos mostra a falta de interesse para com o assunto, mas mesmo assim nós continuaremos a cobrar a atuação deles”, salienta.