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Queimadas no Amazonas alcançam Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Monitoramento do Inpe indica que focos de calor está descontrolado em várias áreas protegidas do Estado 28/08/2012 às 19:03
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Monitoramento do Inpe
Elaíze Farias Manaus

As terras indígenas são as áreas protegidas localizadas no Amazonas mais afetadas pelas queimadas registradas no Estado. Segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a pior situação ocorre na TI Tenharim-Marmelo e TI Sepoti, em Manicoré, e Andirá Marau, em Maués. Mas as demais também estão em situação crítica.

As unidades de conservação federal também não escapam das queimadas. As mais afetadas são Mapinguari, Jatuarana e Campos Amazônicos, no sul do Amazonas. A UC Margem Direita do Rio Negro, localizada em Iranduba, também está na lista das UC mais atingidas por queimadas.

Pelo monitoramento do Inpe, que pode ser acessado pela internet pelo site inpe.com.br/queimadas, é possível observar a fumaça que se espalha ao redor e dentro tanto das TI quanto das UCs.

Para Alberto Setzer, coordenador de monitoramento de queimadas do Inpe, está ocorrendo um “descontrole” nestas áreas. “Deve ser alguém tentando invadir estas áreas ou ao longo de sua divisa. O Inpe faz monitoramento de uma faixa de cinco a dez quilômetros em volta do parque para saber o quanto o fogo está próximo”, disse.

O Parque Mapinguari, que proíbe a presença de populações humanas, considerada a UC mais ameaçada por invasões de grileiros, também está em situação crítica. Segundo dados do Inpe, há registro de queimadas dentro da área. Mapinguari fica na divisa do Amazonas com Rondônia, onde há registros de ação de grileiros e desmatatores ilegais.

A coordenadora substituta do PrevFogo (Ibama), Kátia Maria Silva, disse que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) precisam se manifestar oficialmente informando a situação ao órgão para que as brigadas ajam. Ela disse que, até o momento, nem Funai nem ICMBio se pronunciara.

 “A Funai, por exemplo, tem que se prontificar a pagar o funcionamento da brigada. Até agora não nos procuraram. Nos anos anteriores, quando informamos que o órgão teria que arcar com as despesas nos disseram não. Já falei essa situação em Brasília”, disse

O monitoramento do Inpe também apontou que nos dois últimos dias os municípios do Amazonas com maior quantidade de registros de queimadas são, nesta ordem: Manicoré, Apuí, Lábrea, Canutama, Novo Aripuanã, Humaitá, Maués e Boca do Acre.

Para a coordenadora do PrevFogo, as queimadas são causadas por fogo de pasto, por fazendeiros ou por invasores destas terras. Ela afirmou que o PrevFogo já vem atuando em vários municípios do Amazonas, especialmente no interior do Estado com suas quatro brigadas, formada por 60 brigadas. “Temos brigadas em Humaitá, Apuí, Boca do Acre e Manicoré”, disse Kátia.

A reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa da Funai e do ICMBio informando sobre a situação das áreas protegidas. A assessoria da Funai disse que já encaminhou a demanda para o setor responsável e que vai responder assim que obtiver a resposta.

O coordenador de emergência ambientais do ICMBio, Christian Barlink, disse por email ao portal acritica.com que o órgão trabalha com estreita parceria com o PrevFogo. Ele afirmou que para Parque Mapinguari não foi solicitado apoio do Ibama, pois dos 1.784.425,84 hectares foram atingidos por incêndios 8.244,15 hectares.

Ele afirmou que no caso do Parna Campos Amazônicos, além dos 21 brigadistas do ICMBio, há apoio de 15 brigadistas do Ibama.

“Dos 961.326,38 hectares foram atingidos por incêndios até o momento apenas 311,26 hectares. Informo ainda que em 2010 e 2011 este trabalho de apoio mútuo ocorreu também. Tanto o PrevFogo/Ibamaapoiando os combates nas áreas sob gestão do ICMBio, quanto o ICMBio apoiando os combates nas áreas consideradas prioritárias pelo Ibama fora das Unidades de Conservação Federais”, informou.