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Amazônia
Alimentação e saúde

Amazonas lidera ranking de deficiência nutricional na Amazônia Legal

Rede global de nutrição e segurança alimentar discute como o mundo, e o Estado em particular, podem superar o problema da baixa qualidade da alimentação. Há riqueza de nutrientes em nossos alimentos, faltam políticas públicas esclarecedoras 14/04/2016 às 02:45 - Atualizado em 14/04/2016 às 09:13
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Pesquisadores de diversos países participaram, ontem, do fórum que sugeriu a criação de novas políticas públicas (Aguilar Abecassis)
Isabelle Valois Manaus (AM)

O Amazonas, nos últimos quatro anos, é  considerado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o Estado cuja população tem a maior deficiência nutricional de toda a Amazônia Legal. Por causa disso, Manaus sediou até esta quarta-feira (13) a Rede Global de Ensino, Pesquisa e Extensão em Nutrição, Soberania e Segurança Alimentar (Nutri SSAN). Como fruto deste evento, foi elaborado uma carta de compromisso contendo todas as diretrizes e práticas de políticas públicas que devem ser adotadas para mudar este quadro.

A consultora e representante da FAO na elaboração da carta de compromisso, Cristina Sampaio, explicou que essa preocupação se fortaleceu nos jogos Olímpicos de 2012, que ocorreu em Londres, onde foram criados os desafios para o crescimento, campanhas e atos voltados para o processo nutricional necessário para sociedade. 

“Como teve início nos jogos Olímpicos e agora o Brasil sediará, assumimos essa responsabilidade de dar continuidade nesta discussão e, por isso, a presidência com apoio dos ministérios e dos setores envolvidos no assunto resolveram criar a Rede Global. Escolheram Manaus como sede, por questões do Amazonas ser o Estado que tem a população com maior deficiência nutricional da Amazônia Legal. A ideia foi focar os olhos para cá, onde surgirá propostas de polícias públicas”, reiterou Sampaio.

Conforme a pesquisadora  do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Dionisia Nagahama, muitos fatores influenciam para a deficiência nutricional da população do Estado, como por exemplo  a falta de conhecimento do problema, a necessidade de criação de políticas públicas na questão de biodiversidade e principalmente de recursos humanos. Às vezes tem verba, mas não há técnico para desenvolver trabalhos para essa demanda”, explicou.

A questão geográfica também é apontada como um ponto  que dificulta no trabalho de criação de políticas públicas. Nagahama informou que a população mais atingida são as comunidades indígenas e quilombolas. “Somos ricos em nutrientes, nas frutas e em outros meios. Temos pesquisas voltadas nessa área, mas precisamos que o poder público também se envolva nesta causa, assim como a sociedade civil, que também tem o poder. Cada um faz o seu trabalho, porém precisa desta interação para sair deste quadro. Temos populações diferentes que tem necessidades diferentes e precisamos entender esse processo”, disse.

Para a pesquisadora, na sociedade em geral o foco nutricional deve ser direcionado principalmente para as gestantes e crianças para que nos próximos anos se possa iniciar a mudança nos dados da pesquisa.

Representantes de cinco continentes debate nutrição

Participaram da Rede Global de Ensino, Pesquisa e Extensão em Nutrição, Soberania e Segurança Alimentar (Nutri SSAN) representantes da área nutricional de cinco continentes.  Além desses representantes, o ministro das Relações Exteriores, Milton Rondó, também se fez presente na criação da carta de compromisso.

Rondó reforçou que a preocupação maior do país quando se fala em nutrição é também destinado aos povos indígenas e quilombolas. “Essas populações passaram por um processo de desenvolvimento desigual, por isso o governo se busca recuperar isso, principalmente na pavimentação escolar. É importante estarmos ligados com as pesquisas realizadas aqui, pois irá nos servir como base importante. A Amazônia é a região que mais nos congrega com os vizinhos. Precisamos restabelecer esse vínculo de segurança alimentar em todo o país e criar intercâmbio maior com outros países e sejamos por fim ser exemplo aos demais”, concluiu.