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Amazônia
ANIMAIS E PLANTAS

Relatório aponta 381 novas espécies de plantas e animais na Amazônia

Entre as novas espécies catalogadas, chamaram a atenção dos pesquisadores o boto Inia Araguaienses e a nova espécie de primata, o macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo 30/08/2017 às 10:59
Show macaco
(Foto: Adriano Gambarine/WWF Brasil)
Fernanda Cruz – Agência Brasil

Pesquisas na Floresta Amazônica levaram à descoberta de 381 novas espécies de plantas e animais no período de 2014 a 2015. As expedições para as descobertas foram realizadas pela WWF-Brasil, organização não governamental dedicada à preservação da natureza, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Foram catalogadas 216 novas espécies de plantas, 93 de peixes, 32 de anfíbios, 19 de répteis, uma ave, 18 mamíferos e dois mamíferos fósseis. Em média, uma nova espécie de ser vivo foi descoberta na Amazônia a cada dois dias. Esta foi a terceira edição do estudo, que já revelou mais de 2 mil novas espécies nos últimos 17 anos.

Segundo Ricardo Mello, gerente do Programa de Amazônia da WWF-Brasil, apenas 20% do ecossistema da floresta é conhecido. A maior parte das descobertas, nesta edição, ocorreram em unidades de conservação da Amazônia. Entre as novas espécies catalogadas, chamaram a atenção dos pesquisadores o boto Inia Araguaienses, encontrado na Bacia do Rio Araguaia e a nova espécie de primata, o macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo.

“É uma surpresa sempre, porque não são animais tão pequenos como insetos. Eles estavam no arco de desmatamento, que é impactado por estradas, criação de hidrelétricas. A gente não sabe o grau de ameaça, mas devem entrar no mínimo como espécies vulneráveis”, disse Fernanda Paim, bióloga e pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Renca

Quatro novas espécies de peixes foram encontradas na Reserva Nacional do Cobre e seus Associados (Renca), extinta por decreto presidencial na última quarta-feira (23). “Os peixes se deslocam facilmente no rio, são peixes ornamentais, mas fazem parte da cadeia alimentar. Há indícios de contaminação por mercúrio, que traz impacto na fauna e na população local”, disse Fernanda.

Mello defende maior debate sobre os efeitos da extinção da reserva. “Esses peixes indicam algo especial. Essas mudanças legislativas, esse vai e vem, indicam para gente que temos que expor ao público, trazer ao debate social, o que isso [extinção da Renca] significa para o Brasil. Está em jogo o futuro do Brasil, do mundo”, disse.

De acordo com Mariana Napolitano, coordenadora do Programa de Ciências da WWF-Brasil, as unidades de conservação ocupam 17,5% do território brasileiro. “É [um percentual] significativo, mas está mal distribuído. Mais de 50% da Amazônia está em áreas protegidas, mas quando vai para a caatinga, os pampas gaúchos, ficam em torno de 10%. Deveria representar de forma mais homogênea e equitativa”, defende.