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Réptil capturado no AM vira atração em Instituto de Pesquisa

Jacaré-açu de quase 4 metros, capturado próximo ao porto da Ceasa, em Manaus, atraiu dezenas de visitantes durante o final de semana 27/11/2012 às 10:32
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Capturado próximo ao porto da Ceasa, o jacaré-açu de quase quatro metros de cumprimento levou muitos curiosos ao Bosque da Ciência, no fim de semana
Carolina Silva ---

Mesmo sem se exibir muito para o público, o jacaré-açu capturado na semana passada nas proximidades do porto da Ceasa, bairro Mauazinho, Zona Leste, foi um dos principais atrativos para os visitantes do Bosque da Ciência neste final de semana.

O réptil despertou até mesmo a curiosidade de quem nunca tinha visitado o local, que faz parte do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), no bairro Petrópolis, Zona Sul. “É a primeira vez que venho ao Bosque e vim somente para ver esse jacaré-açu. Fiquei admirado ao ler notícias sobre a captura do animal, pois, em meio a um rio imenso, ele estava tão próximo de uma área movimentada por humanos e embarcações”, disse o autônomo José Martins, 56.

A Superintendência de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH) informou que não havia, atpe então, nenhum registro de captura de um animal desse porte no porto da Ceasa. Os trabalhadores do local também relataram ser a primeira vez que um jacaré foi capturado na margem do rio Negro. “Também me admirei ao saber que um jacaré de mais de 3 metros estava tão próximo da orla do porto, pois já cheguei a ver pescadores tomando banho por ali”, disse a dona de casa Aurélia Vasconcelos, 40.

Para o biólogo Robinson Botero-Arias, do Instituto Mamirauá, a aproximação de animais, como jacarés, em áreas com a presença de humanos e até mesmo de embarcações, a exemplo do porto da Ceasa, pode ser considerada normal. “O contato desses animais com humanos é facilitado porque estão compartilhando o mesmo ambiente. Isso deve-se à expansão da vida humana para áreas de habitat desses animais”, disse.

Resgate


O Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras, localizado no Distrito Industrial 2, Zona Leste de Manaus, já recebeu 66 jacarés ao longo dos últimos onze meses. Segundo o gestor do refúgio, Laérzio Chiezorin, grande parte dos répteis recebidos no local foi capturada em ambientes que naturalmente deveriam ser apenas dos animais. “Eles costumam aparecer às margens de igarapés e são capturados por moradores, por medo de ataques a crianças e bichos de estimação”.

Entretanto, o biólogo Robinson Botero-Arias, que também é coordenador dos estudos sobre jacarés do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), explicou que o jacaré-açu capturado no porto da Ceasa pode estar doente, o que teria facilitado a captura.