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Revoltados, índios ameaçaram matar garimpeiros

Durante operação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye´kuana  para desativar novos pontos de garimpo, um grupo de índios yanomami tentou matar garimpeiros que foram flagrados extraindo ouro na calha do rio Couto Magalhães, próximo à fronteira com a Venezuela. 01/11/2012 às 20:58
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João Catalano (de camisa vermelha e boné) conta que os yanomami, revoltados, não mataram os garimpeiros porque os servidores da Frente impediram
Elaíze Farias Aldeia Watoriki, Barcelos (AM)

No último final de semana, uma nova ação da Funai poderia ter terminado em tragédia. Durante operação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye´kuana  para desativar novos pontos de garimpo, um grupo de índios yanomami tentou matar garimpeiros que foram flagrados extraindo ouro na calha do rio Couto Magalhães, próximo à fronteira com a Venezuela.

João Catalano conta que os yanomami, revoltados, não mataram os garimpeiros porque os servidores da Frente impediram. “Os índios estão revoltados com a omissão do Estado brasileiro em relação ao combate ao garimpo. A Funai sozinha não tem recursos e pessoal suficiente para combater o garimpo”, contou Catalano.


Na sua avaliação, o Exército, a Polícia Federal e até mesmo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) têm o dever legal de atuar na repressão ao garimpo.

“Os yanomami estão querendo combater eles mesmos o garimpo. Isso pode levar a um banho de sangue tanto de garimpeiros quanto dos índios”, alertou.

A exploração de garimpo ilegal desarticulada durante a operação do último final de semana estava ocorrendo a 10 quilômetros de uma comunidade de índios isolados identificados como Moxahatheri.


Os oito garimpeiros presos foram entregues à Polícia Federal – quatro conseguiram fugir. Os equipamentos (motores, freezer, televisão, antenas, entre outros) foram destruídos pelos próprios yanomami.

Catalano conta que o garimpo foi identificado durante o vôo que os funcionários da faziam até a aldeia Watoriki, para participar da assembleia. Para chegar até o local do garimpo, os funcionários da Frente viajaram durante três dias pelos rios Mucajaí e Couto Magalhães.