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Rio Negro (AM) pode continuar a subir e atingir a cota de 30m38

Se o rio mantiver o comportamento atual de subir, pelo menos, dois centímetros por dia, em 17 de junho a cota estará em 30,38 metros, portanto acima dos 30,13 metros previstos no segundo alerta de cheia do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) 17/05/2012 às 07:42
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No Porto Privatizado de Manaus carros e motos trafegam numa pista que está com a água no mesmo nível da registrada na ala de atracação dos barcos
Maria Derzi Manaus

A enchente  do rio Negro, que nesta quarta-feira (16) alcançou a marca recorde de 29,78 metros,  pode atingir níveis bem maiores até meados de junho, quando segundo o registro feito nos últimos 110 anos, ocorre o pico das cheias do rio.

Se o rio mantiver o comportamento atual de subir, pelo menos, dois centímetros por dia, em 17 de junho a cota estará em 30,38 metros, portanto acima dos 30,13 metros previstos no segundo alerta de cheia do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM).

Nesta quarta (16), dos 52 municípios que já haviam decretado estado de emergência por conta do fenômeno, três -  Anamã, Careiro da Várzea e Barreirinha -  decretaram calamidade pública e a população atingida deverá ser  evacuada das localidades.

Com o decreto de calamidade pública mais 30,2 mil pessoas devem ser alocadas, pela Defesa Civil do Amazonas, em flutuantes. No  Careiro da Várzea 95% da população foram atingida e passarão a morar em balsas por um mês.

“Vamos alugar flutuantes para alojar as famílias. Outras serão removidas para casas de parentes. Estamos providenciando atendimento à saúde e alimentação. Desde que foi emitido o aviso de emergência, redobramos as atenções no  Careiro da Várzea, Anamã, Caapiranga e Barreirinha”, disse o coordenador da Defesa Civil do Amazonas, Hermógenes Rabelo.

A vice-prefeita de Careiro da Várzea, Maria da Conceição Costa, disse que serão alugados dez flutuantes para abrigar as famílias. “Hoje, as as casas já estão com assoalho 40cm acima do que já tinham colocado no início da cheia”, disse a vice-prefeita do município mais afetado.

Planejamento
Com enchente recorde nos rios do Estado, o Poder Público está correndo para tentar minorar o problemas das populações atingidas. A pressa expõe a falta de planejamento e a não observância dos avisos.

Com dois meses de antecedência, por exemplo, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Maria Teresa Fernandez Piedade e Jochen Schongart divulgaram um estudo mostrando que a cheia iria ser recorde.

“Nosso modelo de acompanhamento da temperatura dos oceanos e do volume de chuvas já indicava isso”, disse Maria Teresa, lembrando que o aviso permitia o planejamento de ações que minimizassem os efeitos da calamidade.

O CPRM também alertou para a gravidade do quadro. “No primeiro alerta para Manaus a previsão mínima já indicava uma cheia oscilando de  29m06 até 29m96. Quando a mínima passa dos 29m, as autoridades  devem prestar a  atenção na cheia. Foram quase dois meses e meio de antecedência, suficiente para se prepararem”, disse o  superintendente da CPRM, Marco Antônio de Oliveira.

La Niña
Em 2012,o regime de chuvas bacia Amazônica sofreu influência do fenômeno La Niña.“É uma região continental. Com o La Niña choveu, ao mesmo tempo,no sul da bacia,no Peru e na calha do rio Negro”, disse Marco Antônio Oliveira, da CPRM.

Serviço público tem mudanças
A enchente obrigou a Polícia Militar a trocar viaturas por lanchas ou canoas em municípios do interior, segundo informou ontem o comandante do Departamento de Polícia do Interior, Marcus Frota. Presos de Justiça, que ficam nas delegacias aguardando sentença, estão sendo remanejados para outros locais ou  em marombas nas delegacias.

Houve também aumento no número de furto nas propriedades abandonadas por causa da enchente.  Um dos  problemas enfrentados pela polícia  é a demora para chegar ao local do crime. Uma barco da equipe da Polícia Civil naufragou quando ia atender uma ocorrência.

Há locais, segundo Frota, onde 100% do policiamento são  feitos de lancha e de canoa. O policial tem que remar muito para atender as ocorrências.

“Nós temos que fazer policiamento nas áreas alagadas onde há propriedade alagadas e que os proprietários tiveram que sair, para que não sejam roubadas”, disse Frota. Além desse trabalho, os policiais estão colaborando com a Defesa Civil e com o Corpo de Bombeiros orientando as embarcações a não trafegarem muito próximo da margem dos rios para evitar banzeiros. Segundo Frota as ondas arrancam as tábuas das marombas e muitas vezes levam as casas.

O delegado do Careiro da Varzea (a 29 quilômetros de Manaus), David Jordão disse que faltam dois degraus para a água invadir a delegacia. Em Barreirinha uma delegacia provisória foi montada na casa do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).  Há um mês que o prédio do 38º Distrito Policia da cidade inundou. São 13 presos alojados. O  delegado Cristovão Pereira, contudo, informa que a cidade está tranqüila, sem registros de roubos e outros delitos.

Colaboraram: Joana Queiroz, Jonas Santos, Ana Celia Ossame  e Gerson Severo Dantas.