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Salvação do igarapé do Mindu em Manaus é possível, diz técnico

Marcelo Pires da Costa, da ANA, conta que Belo Horizonte  resolveu problema semelhante que atingia o rio das Velhas 08/07/2012 às 16:37
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Animais silvestres, como tartarugas, convivem com o lixo no igarapé
Leandro Prazeres Manaus (AM)

Diante de todos as agressões e omissões que transformaram o igarapé do Mindu no que ele é hoje, resta a pergunta: É possível salvá-lo? Para especialistas no assunto, a resposta é sim, mas a solução não é nada fácil.

O gerente da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), Marcelo Pires da Costa, disse que a solução para problemas como os do  Mindu passam, obrigatoriamente, pela criação de uma rede de coleta e tratamento de esgotos eficiente. “Em Manaus e na Região Norte, como um todo, a gente observa que a cobertura de esgoto é muito pequena. É preciso que haja projetos que ampliem essa cobertura, do contrário o igarapé continuará sofrendo”, analisa.

No mês passado, a ANA publicou um relatório intitulado “Panorama da Qualidade das Águas Superficiais do Brasil”, que avaliou pontos de monitoramento em diversas regiões do País. O Amazonas, com a maior bacia hidrográfica do Brasil, não tem, segundo Marcelo, nenhum ponto de monitoramento. Mas o estudo indicou bons resultados em municípios com realidade populacional semelhante à de Manaus. Para Marcelo, os bons resultados obtidos em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, são um exemplo que pode ser seguido.

“Em Belo Horizonte, a sociedade se reuniu em torno da preservação do rio das Velhas, que corta a capital. Isso foi há mais de 10 anos. O Governo do Estado encampou a ideia e, junto com a concessionária, elaboraram um plano de longo prazo para a melhoria da qualidade de água do rio das Velhas. Nos últimos anos, nossos estudos constataram uma melhoria significativa na qualidade da água desse rio. Mas tudo foi feito a partir da pressão da sociedade”, afirma Marcelo Pires.

Em Manaus, o serviço de coleta e tratamento de esgoto é privatizado e está sob o controle da empresa Manaus Ambiental. De acordo com a companhia, que assumiu a tarefa há menos  de dois meses, os investimentos para a ampliação da rede de coleta e tratamento de esgoto serão de R$ 2,2 bilhões nos próximos 30 anos, ou R$ 73,3 milhões por ano.

Engajamento

Para Bosco Omena, filho de Lucy Omena, uma das principais lideranças do movimento que lutou pela criação do Parque do Mindu, é preciso que a sociedade entenda que o igarapé é um patrimônio e que precisa ser preservado. “Falta um engajamento maior da população”, disse.