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Amazônia
CONTRA DESMATE

Secretário alerta que só a fiscalização contra a derrubada da mata não é solução

Para Alfredo Sirkis é fundamental ter uma série de medidas econômicas para estimular que as pessoas não desmatem a floresta 28/07/2017 às 22:23 - Atualizado em 29/07/2017 às 02:30
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Alternativas para evitar o desmate foram tema de encontro em Manaus (Foto: Arquivo/AC)
Silane Souza Manaus (AM)

O desmatamento na Amazônia é um problema grave e deve ser enfrentado não apenas com fiscalização. É fundamental ter uma série de medidas econômicas para estimular que as pessoas não desmatem a floresta. A avaliação é do secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Alfredo Sirkis. Ele lembra que algumas dessas ações já existem – bolsa verde e bolsa floresta –, mas precisam ser “melhor calibradas”. Outras devem ser criadas. 

E essas novas alternativas para reduzir o desmatamento foram discutidas durante uma reunião da Câmara Temática sobre Florestas, Biodiversidade, Agricultura e Pecuária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), que aconteceu em Manaus na última quarta-feira. Entre as discussões esteve a possibilidade de se fazer um levantamento das áreas criticas e mobilizar recursos internacionais para poder remunerar as populações locais pela preservação dessas áreas. 

“É claro que é necessário organizar os agentes econômicos no sentido de regularizar a propriedade para poder exercer maior controle, seja através da concessão ou não de crédito, pois é mais fácil fiscalizar um proprietário regular do que um grileiro”, disse Sirkis para A CRÍTICA. Para ele, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um instrumento que contribui para ter esse controle, mas “um grande desafio é nós criarmos produtos financeiros que correspondam à preservação e recomposição da floresta”. 

Na reunião, foram debatidas ainda oportunidades para que haja desenvolvimento territorial sem degradação florestal. Para financiar isso, uma das opções é a compensação de emissões de gases de efeito estufa pela aviação internacional, junto com a manutenção do financiamento internacional para o Fundo Amazônia. Apesar dos cortes recentes anunciados pela Alemanha e Noruega, o fundo ainda é uma das principais fontes de recursos para a conservação ambiental de toda a região.

A preocupação é que o desmatamento tem aumentado nos últimos anos na Amazônia, comprometendo os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil até mesmo antes do Acordo de Paris. “Teve haver com a percepção de que o Estado Brasileiro estava paralisado e depois com a crise orçamentária dos órgãos de fiscalização. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) passou por um período que não tinha recurso para fiscalização”, disse Sirkis. 

Mas a situação dá sinais de que será revertida com a recomposição desses recursos para a fiscalização e demais medidas complementares. “Ainda não são solidificados, mas dados do Imazon apontam que houve redução de 45% em junho deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e de 25% entre agosto de 2016 e julho de 2017, em relação ao mesmo período anterior. O indício é de que pode haver uma redução”.

Imigração prejudicará o Amazonas

Para Alfredo Sirkis, o Amazonas é um estado estratégico por ser o que melhor se preservou nos últimos anos, mas vem sofrendo graves ameaças no Sul do Estado com o processo de desmatamento feito pelo crime organizado associado ao narcotráfico. Ele cita como risco a  BR-319 (rodovia federal que liga Manaus a Porto-Velho).  Sirkis defendende que a situação da BR  precisa ser equacionada com calma, diálogo e serenidade. 

A situação política na Venezuela também é uma ameaça  para Roraima e o Amazonas. “A ditadura Maduro está massacrando o povo venezuelano com risco de provocar uma guerra civil. Se isso acontecer vai haver um processo migratório muito intenso, o que socialmente será prejudicial para o Amazonas”.