Publicidade
Amazônia
Amazônia

Secretário-geral da ONU é cobrado por liderança indígena na Rio+20

Conferência encerrou com a cobrança feita à ONU pelo representante dos indígenas Marcos Apurinã 23/06/2012 às 11:20
Show 1
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon foi duramente cobrado pelos representantes dos movimentos sociais
Elaíze Farias Manaus

O secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, foi cobrado nesta sexta-feira (22), durante reunião, pelo porta-voz dos povos indígenas no grupo que representou a Cúpula dos Povos, Marcos Apurinã. A reunião foi no Riocentro, onde ocorreu a agenda oficial da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, encerrada nesta sexta (22).

“Falei das hidrelétricas e pedi que ele fale com o governo brasileiro para que este consulte os povos indígenas antes de decidir construir obras com as hidrelétricas. Não podemos pagar pelos grandes impactos dos empreendimentos”, disse Apurinã, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Marcos Apurinã integrou a comitiva que foi recebida pelo secretário da ONU, formada ainda por Sharan Burrow, da Confederação Sindical Internacional; Mnimmo Bassey, ambientalista nigeriano; pela canadense Nettie Wiebe, da Via Campesina Internacional; pela sul-africana Mercia Andrews, do movimento de mulheres, e Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

O coordenador da Coiab disse que, em três minutos, expressou a preocupação contra os impactos nos territórios indígenas e as consequências das mudanças climáticas para estes povos. Também denunciou o desmatamento nestes territórios causados por não-indígenas e a demora na demarcação das terras indígenas que ainda faltam ser regularizadas.

O coordenador da Coiab também criticou o modelo econômico apresentado pelas delegações no documento final. Para ele, o documento apresenta “um modelo de sustentabilidade feito para grandes empresários” e não para a sociedade civil.

“Nós repudiamos o jeito que ele foi construído. Para nós, a conferência foi uma tragédia. A nossa floresta não é mercadoria. Temos com ela uma relação de vida. Ela é sagrada”, disse.

Marcos Apurinã  gostaria de ter tido tempo de denunciar também o aumento de crimes conta as lideranças indígenas. 

Ao final, segundo Apurinã, Ban Ki-moon, comentou que povos indígenas são prioridade e reconheceu que estes são os grandes responsáveis pela preservação das florestas. O secretário-geral da ONU não comentou sobre o pedido de Marcos Apurinã quanto às obras feitas pelo governo brasileiro.

A apresentação do documento preliminar (atualizado à tarde), foi feita por Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que afirmou que o momento é de um franco processo de mobilização” a partir de agora. “Nosso processo não dependia da Rio+20. É além da Rio+20. Esta foi apenas uma passagem frustrante”, disse Iara, aos jornalistas.

Cúpula também tem documento

Na tarde desta sexta (22), após assembleia geral, as organizações divulgaram o documento final da Cúpula. Segundo a coordenação, o documento sintetiza os principais eixos discutidos durante as plenárias e assembleias e expressam as intensas mobilizações ocorridas durante a conferência. Essas mobilizações apontam as convergências em torno das causas estruturais e das falsas soluções oficiais.

Trecho do documento diz que “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

O conteúdo completo do documento pode ser lido no site http://cupuladospovos.org.br/2012/06/declaracao-final-da-cupula-dos-povos-na-rio20-2/