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Amazônia
O desafio é fomentar

Novas técnicas de produção sustentável impulsionam a agricultura familiar no AM

Especialista pondera que, enquanto não houver uma política de Estado voltada para o segmento, não haverá avanços. Simpósio realizado desde quinta-feira (5) na Ufam debate ferramentas para incrementar a produção 06/05/2016 às 13:03 - Atualizado em 06/05/2016 às 13:04
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I Simpósio de Organização Social e de Mercados: sustentabilidade em comunidades rurais do Amazonas (Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

Desenvolver a agricultura familiar no Amazonas ainda é um desafio que, aos poucos, está sendo superado com a adoção de novas técnicas de produção sustentável resultantes de pesquisas científicas e tecnológicas adequadas à realidade regional. Mas, para o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Antônio Carlos Witkoski, enquanto não houver uma política de Estado - não de governo - voltada para o segmento, no sentido de fazer com que ele tenha papel importante na região, não haverá avanços. 

Ele defende que não dá para pensar a agricultura no Estado de maneira “departamentalizada”, ou seja, fragmentada: é preciso levar em conta a agricultura como um todo, o que envolve as atividades de fruticultura, avicultura, aquicultura, pecuária, extrativismo madeireiro e não-madeireiro, entre outros, setores que recebem poucos investimentos. “É preciso trabalhar outra perspectiva de agricultura, onde explorar a terra é importante, mas tem que se considerar a floresta e a água. A agricultura é plural devem-se desenvolver práticas socioprodutivas”, enfatizou.

Para Witkoski, falta visão de mundo estratégica e não adianta negar alguns fatores do bioma amazônico, que tem sua singularidade. “Desenvolver uma agricultura sustentável significa deixar a floresta em pé e não adotar perspectiva de desenvolvimento generalizado, pois não dá para fazer agricultura com trator na várzea, por exemplo. A ideia, inclusive seria um absurdo”, diz ele. Que completa:  “A nossa região abriga uma floresta riquíssima e extremamente produtiva, tanto do ponto de vista biológico quanto de diversidade de espécies, e tem uma relação muito forte entre a floresta e a terra. Quando se retira a floresta, o solo amazônico, que é extremamente fértil, se desertifica (degrada) muito rápido”, explicou. 

Simpósio

Witkoski é coordenador do “I Simpósio de Organização Social e de Mercados: sustentabilidade em comunidades rurais do Amazonas”, que será realizado até hoje, de 8h às 17h, no auditório Samaúma, da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Ufam, no bairro Coroado, Zona Leste. 

Ontem, primeiro dia do evento, especialistas da Ufam, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) apresentaram as experiências das linhas finalísticas (processos associados à atividade fim) do Programa Estratégico para Transferência de Tecnologia para o Setor Rural (Pró-Rural), em âmbito regional. O projeto visa a sustentabilidade econômica em comunidade rurais do Estado.

Blog - Jozane Lima: integrante do Nusec da Ufam

“No último dia do “I Simpósio de Organização Social e de Mercados: sustentabilidade em comunidades rurais do Amazonas”, será formalizada a criação de uma rede coletiva de empreendimentos econômicos solidários para comercialização dos produtos da Agroufam. Será uma rede virtual onde a produção dessas comunidades envolvidas no projeto ficará exposta para todo o mundo. O canal de comunicação e comercialização se chamará ‘Rede Poranga’, que na língua indígena significa bonito/belo, isso caracteriza os produtos oriundos da Agroufam. A ideia é divulgar esses produtos amazônicos, também, para fora da nossa região”.

Agroufam até as 17h

Paralelo ao I Simpósio de Organização Social e de Mercado, é realizada a feira Agroufam. Frutas, verduras, hortaliças, artesanato, ovos, queijo, mel e até produtos medicinais podem ser encontrados na feira, que é aberta ao público em geral e acontece no hall da FCA até as 17h.