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Amazônia
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Técnicas indígenas em destaque no Museu da Amazônia

Exposição que está em cartaz no Museu da Amazônia apresenta diferentes armadilhas usadas pelos índios para pescar na região 03/01/2013 às 10:37
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O indígena José Maria, da etnia tukano, mostra os diferentes tipos de armadilhas desenvolvidas pelos indígenas para pescar
Elaíze Farias ---

Em uma bacia com pouca diversidade de peixe como é a do rio Negro, as populações ribeirinhas e indígenas precisam ficar atentas ao ciclo de migração das espécies disponíveis. Na região do Alto Rio Negro (Amazonas), o período de maior abundância de cardume ocorre entre abril e julho, apesar de nas outras épocas a disponibilidade de peixes também ser aproveitada, como no período da piracema, que naquela região ocorre em janeiro.

Para cada período, um tipo de armadilha. Diferente de outras áreas do Amazonas, onde é comum o uso de malhadeiras e arpões, no Alto Rio Negro as populações nativas (a maioria indígenas) confeccionam armadilhas de diferentes matérias-primas e formatos, utilizadas conforme a quantidade e o tamanho dos peixes e o local (igapó, corredeiras ou cachoeiras).

Mas para quem está em Manaus e não pode visitar o Alto Rio Negro para conhecer as armadilhas para pegar peixe, basta visitar as três tendas montadas em uma exposição que acontece no Jardim Botânico da Reserva Florestal Adolpho Ducke pelo Museu da Amazônia (Musa). Não há dúvida de que até quem é do Amazonas se surpreenderá com as informações.

“Peixe e Gente”, nome da exposição, é uma referência à mitologia indígena tukano e tuiuka (dois dos 23 povos indígenas que habitam a região). É também uma associação entre o pescador indígena e seus conhecimentos ictiológicos.

A exposição é uma parceria do Musa com pesquisadores do Instituto Socioambiental (ISA) e com o artista plástico Zeca Nazaré. Mas são os próprios indígenas os protagonistas da atividade. Eles confeccionaram as peças expostas na tenda principal e foram responsáveis pela criação de réplicas instaladas na entrada da exposição.

Guia

Se o visitante tiver sorte, pode receber as informações não apenas dos monitores do Jardim Botânico, mas de um indígena tukano, José Maria Barreto, que colabora como guia.

José Maria contou à reportagem que não basta apenas fazer as armadilhas e já sair para pescar. É necessário passar por uma dieta restritiva e comportamental, que inclui até não dormir com a esposa e não comer pimenta verde ou ouvir latido de cachorro “para não espantar os peixes”. Se não “fizer a dieta certa”, diz Barreto, é arriscado não ter sorte na pescaria.

No alto Rio Negro não tem espécies como tambaqui, jaraqui e matrinxã, peixes típicos de água barrenta, como é o Solimões-Amazonas, mas há espécies como pacu, cuiú-cuiú, mandin, surubim, bodó e aracu. Para pegar estes peixes, os indígenas possuem destreza suficiente, em aprendizado adquirido com os mais velhos, para colocar as armadilhas em plena corredeira. “Os nossos pais nos ensinam”, diz Barreto.

(A íntegra deste conteúdo está disponível para assinantes digitais ou na versão impressa).