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Amazônia
Plantando, dá

Tecnologias agropecuárias mostram avanços no AM; frutos e piscicultura são exemplos

Exposição da Embrapa, que encerra hoje na Assembleia Legislativa do Amazonas, exemplifica o desenvolvimento do segmento agropecuário na região amazônica 13/05/2016 às 04:25 - Atualizado em 13/05/2016 às 10:10
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O sistema intensivo de criação de tambaqui, que é desenvolvido em tanques escavados com uso de aeração artificial diária / Foto: Divulgação / Embrapa
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Novidades no cultivo e produção de alimentos como a banana e o tambaqui estão entre as mais recentes tecnologias aplicadas atualmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Esses foram alguns dos tópicos discutidos durante a semana dentro da exposição “Tecnologias da Embrapa da Amazônia Ocidental”, que encerra hoje no hall de entrada da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM).

Uma dessas novidades vem da banana, uma das frutas mais importantes do Estado, onde o órgão já vem trabalhando nas duas últimas décadas com variedades resistentes às doenças. Após problemas sérios no começo dos anos 2000 com a sigatoka negra (mais grave e destrutiva doença da bananeira em qualquer região do mundo), a Embrapa lançou vários materiais resistentes, sem uso de fungicida por meio do agricultor. Atualmente, dentro do manejo da cultura da banana o órgão desenvolveu um aparelho chamado desperfilhador por roto-compressão que vem a facilitar muito a vida do agricultor no manejo da cultura. Esse equipamento substitui a antiga “Lurdinha”, ferramenta utilizada em todo o País desde a década de 1970 e que demandava muito esforço físico do trabalhador.

O desperfilhador por roto-compressão foi desenvolvido para facilitar o trabalho sem gerar muito esforço físico / Foto: Divulgação/Embrapa

“Há algumas atividades da banana que dependem muito de mão de obra, e o desperfilhamento, que é retirar o excesso de filhos da bananeira, é uma atividade muito importante para uma boa produtividade do bananal. E os agricultores têm muita dificuldade de fazer porquê dá muito trabalho, sendo feito com enxada, facões, e só se corta o filho, mas a fruta brota de novo, ficando aquela coisa de se gastar mão de obra constante. O desperfilhador veio justamente para facilitar esse trabalho pois ele é feito com uma mola, sem gerar muito esforço físico e tendo mais eficiência e rapidez”, destaca a engenheira agrônoma e pesquisadora Mirza Carla Normando Pereira.

Ele frisa que, com o auxílio do desperfilhador, se tem um cacho de banana maior, com mais qualidade e a vantagem de um melhor sabor. “Esse aparelho parece que não tem nada a ver com o alimento, mas é fundamental para que o cacho de banana seja de qualidade e chegue na mesa do consumidor com qualidade”, explica.

Mirza Pereira informou que há um projeto, de autoria dela e aprovado junto ao Banco da Amazônia, sobre a banana da espécie peripita, de origem peruana e que substitui a tradicional pacovã. Semelhante à banana “sapo”, em 2004 foram distribuídas mudas aos agricultores, mas estes não foram muito receptivos à espécie por ela ser de fruto branco e sem sabor, apesar de ser boa para ser frita e em mingaus. Sem se conformar com a rejeição dos agricultores, e também pelo alto preço da banana pacovã e a escassez de mudas gerada pelas enchentes e seca, ela visitou uma agroindústria que faz bananas estilo “chips”, a popular “bananinha frita”, e falou da peripita e das qualidades dela, inclusive de ser resistente à sigatoka negra, mas que não tinha “pegado” em 2004.

A engenheira agrônoma e pesquisadora Mirza Carla Normando Pereira, da Embrapa / Foto: Rubilar Santos“Achei um cacho perdido numa pequena área de um agricultor. Levei para a agroindústria, fizeram os testes, fritaram e eles ficaram apaixonados pela banana e queriam comprar a produção, dizendo até que ela tem característica para exportar essa banana ‘chips’. Essa banana é bem melhor que a pacovã, tem 500% mais fibras que ela e não encharca muito. É uma coisa que já melhora a qualidade do produto porquê não tem muito óleo encharcado. E ela tem uma crocância melhor, ao contrário da pacovã, que  machuca um pouco a boca. Comer banana frita chip é uma coisa de infância, é cultural do amazonense, onde se come na parada de ônibus. Fui recentemente a um supermercado da cidade e um pacotinho de banana frita estava sendo vendido a quase R$ 5, que paga imposto.

A próxima etapa da pesquisadora com o projeto é percorrer os mercados para ver qual a demanda de pacovã na cidade, em Manicoré e Novo Aripuanã, que são os maiores produtores dessa espécie da banana, ver qual o preço (ao revendedor), para viabilizar mais um produto que venha não a competir, mas ser uma alternativa ao produtor e ao pessoal da agroindústria, pois está saindo cara a matéria prima. “Faremos testes em laboratórios para ver toda a parte bromatológica, em parceria com o curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para realizar as análises de proteína e gordura para ver toda a parte nutricional da fibra”, explica Mirza Pereira. “Ao final dessa etapa de preparo das mudas em laboratório e análise de mercado, faremos a degustação, que chamamos de teste sensorial, pegando a pacovã e a peripita, e colocando pessoas para provar sem elas saberem que estão comendo, para saber se elas aprovam o produto. “Se ela for bem aceita, tem um potencial para ser utilzada na agroindústria, servindo de mingaus. Não plantamos ainda, tanto que estamos primeiro fazendo mudas em laboratórios, depois levar para a área de agricultura para plantar e ter o cacho. Demora mais de seis meses para termos a muda. E esperamos que até agosto, setembro, outubro, nós tenhamos mudas para ir pro campo”, conta ela.

‘Fruto dos reis’ é objeto de estudo

O técnico agrícola e engenheiro agrônomo Antônio Sabino destaca, entre os várias trabalhos desenvolvidos atualmente na Embrapa, os avanços que possibilitaram, por exemplo, o aumento de cinco vezes da produção tradicional de guaraná, além da estação de dendê, que é  biocombustível e possui uma estação do órgão em Rio Preto da Eva (a 79 quilômetros de Manaus).

O técnico agrícola e engenheiro agrônomo Antônio Sabino mostrando o exótico mangustão e o puruí / Foto: Antonio Menezes

Entre as frutas expostas no hall de entrada da Assembleia Legislativa, está o puruí (onde a indústria do alimento trabalha com polpa para sorvete e sucos) e o exótico e saboroso mangustão (originário da Malásia e onde, segundo a História, os reis presenteavam suas donzelas com ele; atualmente, esta em escala de estudos e, na Europa, uma unidade chega a custar até 7 euros). A Embrapa tem 43 anos de fundação.

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Quatro vezes mais tambaquis

Na piscicultura,  a tecnologia mais moderna que a Embrapa desenvolve atualmente no Estado é a produção intensiva de tambaqui, informa o pesquisador Roger Crescêncio. Ele ministrou o curso “Sistema de Produção de Tambaqui”, uma das atividades dentro da Semana da Embrapa na ALE-AM.

O pesquisador Roger Crescêncio explicou sobre o sistema intensivo de criação de tambaquis / Foto: Rubilar Santos

O sistema intensivo de criação de tambaqui a que o especialista se refere é desenvolvido em tanques escavados com uso de aeração artificial diária, que permite uma produtividade quatro vezes maior que os sistemas convencionais de criação de tambaqui e, em consequência, maior rentabilidade por hectare.

“A média de produção no sistema convencional no Estado é de 5 a 6 toneladas por hectare de tambaqui. Com essa tecnologia nova, no mesmo tanque, na mesma área, você produz de 20 a 24 toneladas. Sem derrubar uma árvore, sem cavar um tanque novo, se produz quatro vezes mais”, informou.