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Tem início reintegração de posse de invasão no DI, batizada como comunidade 'José Melo 2'

CPE, Rocam, Tropa de Choque, Batalhão Ambiental e Força Tática estão participando da operação, em área onde 5,5 mil pessoas vivem. Entrada segue bloqueada e já houve registro de confrontos e feridos 16/04/2015 às 12:27
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Polícia afirma que ficará na invasão até que todas as famílias deixem a área. Todas as entradas estão bloqueadas
Luana Carvalho e Rafael Seixas Manaus (AM)

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A reintegração de posse da invasão denominada José Melo 2 teve início às 5h30 desta quinta-feira (16). Até o momento, apenas 400 famílias que vivem no local foram retiradas da área, localizada no Distrito Industrial 2, Zona Leste de Manaus (próximo ao balneário do Quixito). Aproximadamente 5,5 mil famílias estão instaladas no local há um mês e meio, loteando terrenos, seja para benefício próprio ou para venda. 

A imprensa local não pôde acompanhar de perto a reintegração, já que uma barreira foi montada aproximadamente 1 quilômetro antes do local de entrada da invasão. Somente funcionários das fábricas localizadas na Avenida Flamboyant estão autorizados a passar.

De acordo com o comandante do Canil da Polícia Militar do Amazonas, Paulo Padilha, a operação começou pacífica, mas, por volta das 7h30, algumas famílias se revoltaram, fazendo barreiras, e tentando invadir novamente a área. Para coibir a ação, bombas de efeito moral foram usadas.

Por volta das 10h, ocorreu um novo conflito entre os invasores e os agentes envolvidos na operação. Durante a confusão, uma menina, identificada como Jackeline Almeida da Silva, 13, foi atingida na perna por uma bala de borracha.


De acordo com a mãe da jovem, Jucineide de Almeida, 52, sua filha estava indo comprar pão no momento que aconteceu o tumulto. A jovem mora na Pista da Raquete, Nova Vitória, Zona Leste, próximo de outra área da invasão. A adolescente foi levada para uma unidade hospitalar da cidade.

Após a situação aconteceu outro confronto entre invasores e policiais. Alguns ocupantes jogavam pedras e a polícia respondia com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Os agentes estão usando calibre 12, munido de elastômero. A chuva, às 10h40, fez o tumulto se dispersar, mas a polícia continua no local.


Foto: Antônio Menezes

O delegado do Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (GGI), Frederico Mendes, informou que a reintegração só irá acabar até que a última família seja retirada da área. “O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) já está investigando  quem são as lideranças da invasão”, garantiu.

No entanto, os invasores prometem retornar para a área. "Eles vão tirar e nós vamos voltar até que façam o loteamento. Nós precisamos de moradia. Não somos aproveitados", disse a dona de casa Gilda Gomes Ferreira, 35, que paga um aluguel de R$ 400 no bairro Nova Vitória, Zona Leste, próximo à invasão.

A ação da polícia foi criticada por moradores da comunidade. A empregada doméstica Lucineide Sampaio, 41, foi atingida de raspão por uma bala de borracha. "Nós não temos nada a ver com isso. Eles vieram para cá e quem está sofrendo são os moradores. A polícia não quer saber quem é invasor ou não e sai atirando em todos", relatou.

Invasão

Batizada de comunidade “José Melo 2”, os ocupantes estão instalados improvisadamente numa área de mais de 160.000 m², localizada na avenida Flamboyant, no Distrito Industrial 2, na Zona Leste. Conforme denunciou A CRÍTICA, além de devastar a floresta, os invasores já tinham loteado os terrenos para vendas e montados pequenos comércios. A área invadida, que seria utilizada para a expansão industrial, pertence a uma empresa privada e à Suframa.