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Trabalho realizado na Bahia pode render frutos que apontam soluções novas para dengue na Amazônia

Esperançosos nos resultados da pesquisa realizada no município de Juazeiro, na Bahia, sobre os mosquitos transgênicos, espécimes machos estéreis alterados geneticamente, os pesquisadores aguardam a introdução da técnica na Amazônia 14/07/2012 às 20:13
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Tadei, do Inpa, está otimista com técnica de controle desenvolvida Bahia
maria derzi Manaus

Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia(INPA) estão otimistas com trabalhos que apontam soluções novas para dengue, doença causada pelo mosquito Aedes Aegypt.

Esperançosos nos resultados da pesquisa realizada no município de Juazeiro, na Bahia, sobre os mosquitos transgênicos, espécimes machos estéreis alterados geneticamente,os pesquisadores aguardam a introdução da técnica na Amazônia.

Segundo o responsável pelo Laboratório de Malária e Dengue  do Inpa, Wanderli Tadei, a novidade vai ajudar no controle da dengue no Brasi. “Com certeza iremos introduzir essa técnica na Amazônia, porque se há um local onde existe uma abundância de vetores (mosquito), é aqui”, disse.

A técnica interrompe a  reprodução. “O genes inviabiliza o desenvolvimento das larvas.  E não há a possubilidade do macho cruzar com outra fêmea de anophelino, inviável evolutivamente. É uma inovação no controle dos vetores”, avaliou.

Exame prévios são necessários
Para a introdução da técnica do mosquito transgênico no Amazonas será necessária a realização de exames prévios.  “Alguns experimentos precisam ser feitos para saber o que acontece com o estudo  além do aedes aegypt. Talvez fazer experimentos também com outros os anophelinos”, disse Tadei.

Tadei relata que  o vetor em densidade baixa não transmite a doença. “Quando se consegue uma redução no número de larvas e mosquitos, como ocorreu em Juazeiro,  também se consegue controlar o vetor e a doença. O vetor não vai mais existir”.

Mas, o pesquisador esclarece que os custos para o desenvolvimento da pesquisa no Amazonas devem ser levados em consideração. “ Em Juazeiro, houve uma redução de 90% da população do mosquito porque  foi criada uma verdadeira fábrica de mosquito transgênico. Temos que ter a produção em massa desses mosquitos em Manaus, que vai demandar a instalação de um laboratório específico, para que a produção seja feita a não dar fôlego para a reprodução normal do mosquito. Mas, tenho certeza que o Ministério da Saúde vai implementar essa técnica nas regiões mais afetadas pela doença”, esclareceu.

Combate
Enquanto a técnica do mosquito transgênico não chega a Amazônia, os especialistas apostam em pesquisas de produtos utilizados no combate ao mosquito.

A técnica do cal e cloro, resultado de pesquisas realizadas pelo Inpa, é considerada uma  medida barata, simples e que apresenta resultados rápidos no controle do mosquito. “Além disso é uma composição  biodegradável que mantém, por um ano e meio, o prédio sem o aedes aegypt. O mosquito começa a explorar a construção desde o térreo até os últimos andares. Se for aplicada a composição, a fêmea do mosquito, que não coloca seus ovos em lugar insalubre para a espécie, ele abandona o local inviável para a resprodução”

Em casa
No âmbito doméstico, uma das técnicas  desenvolvidas pelo Inpa para afastar o mosquito da dengue  é a solução de cravo-da-índia aplicada nos vasos de plantas.

Estudos revelaram que o cravo-da-índia é rico em “eugenol”, óleo larvicida, fungicida e antiviral,  com propriedades medicinais, que tem ação sobre as larvas do mosquito da dengue .

Basta bater 60 botões do cravo em uma 1/2 xícara de água no liquidificador e aplicá-la, rotineiramente, nos aparadores das plantas. A  solução pode ser guardada na geladeira   por até um ano.

‘Lira’ sinaliza  riscos  maiores  na Zona Leste

O índice de infestação pelo mosquito da dengue, na capital amazonense, caiu de 2,7%, em abril, para 2% em julho, conforme levantamento realizado pela Prefeitura de Manaus, entre os dias 2 e 13 deste mês.

Apesar da redução no índice geral da capital, o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, faz um alerta à população da Zona Leste que, no levantamento, apresenta o maior Índice de infestação predial pelo mosquito transmissor da doença. As áreas com maior

problema estão, principalmente, nos bairros Tancredo Neves, Jorge Teixeira e Coroado.

Pelos parâmetros do Ministério da Saúde, o resultado apurado pelo Levantamento de Índice Rápido de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa), na capital, é de médio risco para casos de dengue, patamar que vai de 1% a 3,8%. Este foi o terceiro LIRAa do ano, em Manaus. Para realizar o levantamento, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) inspecionou 26.996 imóveis, distribuídos por todas as zonas da cidade.

De acordo com o secretário, o levantamento mostrou que, na zona Leste, os riscos estão associados, principalmente, aos depósitos de armazenamento de água no nível do chão (como camburões, por exemplo), que são mantidos sem tampa. A água limpa e parada é propícia à proliferação das larvas do mosquito Aedes aegypti. “É muito importante que a população não se descuide desses detalhes. Camburões, tanques e outros depósitos do tipo tê de estar fechados”, orientou.

Dica

As técnicas de Cal e Cloro e do Cravo-da-Índia, criadas pelo laboratório de Malária e Dengue do Inpa, foram destaque durante durante a Expo Brasil Sustentável, feira organizada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) durante a Conferência das Nações Unidas, a Rio+20.A ciência amazônica demonstrou meios fáceis de se combater a doença no Brasil.