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Usinas Hidrelétricas são isentas de culpa pela cheia histórica do rio Madeira, dizem especialistas

Deputado atribui à hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, situadas em Rondônia, responsabilidade por danos ambientais no Estado do AM. Especialistas divergem 20/03/2014 às 10:49
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Pesquisador do INPA, Philip Fearnside diz que cheia recorde do Madeira tem relação com chuvas nos andes bolivianos
Carolina Silva ---

A subida do rio Madeira num ritmo anormal e acelerado que está afetando municípios do Sul do Amazonas, levantou suspeita sobre a responsabilidade das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, situadas em Rondônia. Porém, no Amazonas, especialistas não relacionam a cheia histórica diretamente com as usinas. O nível do rio Madeira chegou a 25,10 metros no início desta semana, mais de dois metros acima da cota de alerta.

“Não tem a ver com as usinas. É um evento histórico, excepcional, de chuvas que caíram nos Andes bolivianos – numa região entre a Bolívia e o Peru. Isso provocou o aumento muito grande do volume de água”, aponta o superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio Oliveira.

Ele coloca apenas que as usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, são “a fio d’água”. São usinas que não dispõem de reservatório de água. “Não são como o reservatório de Balbina (no Amazonas) ou Tucuruí (no Pará), que foram construídas com o método convencional, de barramento do rio. Nesse método ‘a fio d’água’, a água está sempre passando pelo reservatório e não tem como regularizar a vazão do rio”, acrescenta o especialista.

A última grande cheia do rio Madeira foi registrada em 1997, quando o nível chegou a 24,58 metros. Para a Defesa Civil do Amazonas, as usinas não influenciaram a cheia. “A grande cheia ocorreu em função das chuvas intensas registradas desde novembro na região das nascentes. Choveu muito acima do normal. Em Rondônia e no Sul do Amazonas também choveu bastante”, assegurou o secretário adjunto do órgão, Hermógenes Rabelo.

O doutor em biologia Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que a cheia histórica e os impactos em Porto Velho e outros locais são duas coisas diferentes. “A quantidade de chuva, principalmente na Bolívia, é o que determina a vazão do rio e o nível de água. É evidente que este aspecto não tem nada a ver com as barragens”, diz.

De acordo com o monitoramento da Defesa Civil do Amazonas, as chuvas que influenciam na cheia do rio Madeira tendem a diminuir a partir dos próximos dias e que a subida das águas tem se estabilizado.