Publicidade
Amazônia
Amazônia

Vandalismo e imprudência de motoristas destruiu 69% das mudas plantadas em canteiros centrais de Manaus

O exemplo recente foi o de um flagrante feito na avenida Desembargador Waldemar Pedrosa, Praça 14, Zona Centro-Sul, no dia 16. Um caminhão-baú pertencente a uma empresa fornecedora de alimentos subiu no canteiro central e derrubou uma mangueira adulta. 26/07/2012 às 07:37
Show 1
Caminhão-baú sobe em canteiro central e derruba mangueira
jornal a crítica Manaus

Todos os dias a arborização urbana de Manaus sofre com o vandalismo e a imprudência de pedestres e motoristas. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), responsável pelo trabalho de arborização urbana de Manaus, das quase 80 mil mudas plantadas na cidade, pelo menos 69% já sofreram algum tipo de  vandalismo.

O exemplo recente foi o de um flagrante feito na avenida Desembargador Waldemar Pedrosa, Praça 14, Zona Centro-Sul, no dia 16. Um caminhão-baú pertencente a uma empresa fornecedora de alimentos subiu no canteiro central  e derrubou uma mangueira adulta.

O proprietário foi  autuação  em 60 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 4,2 mil. Com a força do impacto, a árvore foi totalmente arrancada do solo. O motorista do veículo, de placas DAL-2789, segundo testemunhas, se descuidou da direção e subiu no canteiro  atingindo a árvore.

A multa para esse tipo de crime ambiental é prevista em dois artigos (137 e 138) do Código Ambiental do Município e pode variar de 51 a 500 UFMs. Além da multa, o responsável poderá ser obrigado a reparar o dano, fazendo o transplantio de uma árvore adulta no local.

Mas há casos de danos em que não é possível encontrar os responsáveis, como o de duas árvores de pau-pretinho, de porte médio, plantadas há aproximadamente dois anos, na avenida Coronel Jorge Teixeira, a estrada da Ponta Negra. Elas foram arrancadas por motoristas que dirigiam embriagados. A secretária  Kátia Pereira de Oliveira, 40, que mora na região,  contou que estava acompanhando o crescimento das árvores e que as mesmas já proporcionavam sombra.

“Elas  estavam crescendo e farão muita falta, porque a sombra facilitava a travessia da rua, que é bastante difícil nesse trecho. Com as árvores ficava mais confortável a espera para atravessar”, lamenta Kátia Pereira. Hoje, no local, estão restos dos troncos das duas plantas que, mesmo com o vandalismo do homem, insistem em nascer de novo. O motorista Felipe Soares, 21, é outro pedestre que lamenta a perda. Segundo ele, as árvores serviam tanto para dar sombra quanto para embelezar a avenida.

“Estou trabalhando aqui há poucos meses e já tinha percebido a diferença. Lembro que saímos do trabalho e no dia seguinte ao voltarmos as árvores não estavam mais lá”, lembrou.

No último dia 2 deste mês, o plantio de mudas de ipê ao longo dos 3,7 quilômetros da avenida Djalma Batista também foi vítima da ação de vândalos. Em menos de 48 horas, 22 mudas haviam sido depredadas.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, afirma que vencer o vandalismo e fazer com que a arborização urbana de Manaus se desenvolva é um dos maiores desafios da gestão ambiental, pois é preciso contar com o apoio da população na preservação das espécies plantadas.

Segundo Marcelo, até o final do ano, o “Programa Manaus Mais Verde”, da Prefeitura de Manaus, pretende arborizar as 42 vias da cidade com canteiros centrais e espaços que permitam o plantio de mudas. Hoje, 26 dessas vias se encontram arborizadas.

O secretário lembra que as dificuldades foram muitas para que hoje, três anos e meio depois do início da sua gestão, o cenário da arborização da cidade estivesse  modificado.

Cada muda custa até R$ 152 a Semmas
O secretário Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, destacou que foi necessário realizar até cinco replantios em uma mesma avenida, como a Grande Circular e a André Araújo, para obter os resultados  vistos atualmente.

As mudas colocadas na Djalma Batista têm em média 2,5 metros de altura e foram plantadas dentro dos padrões estabelecidos pelo Plano Diretor de Arborização Urbana. A escolha dos canteiros, segundo ele, foi uma alternativa para a falta de espaço nos passeios públicos, mas nos lugares onde é possível, o plantio também é feito nas calçadas para o conforto térmico dos pedestres.

No balanço que apresentou, o secretário lembrou que o custo de produção, plantio e manutenção de uma muda na cidade é alto - girando em torno de R$ 140,00 e R$ 152, por unidade - porque envolve diversos fatores, como horas de trabalho dos servidores, caminhão-pipa, adubo, cuidados de aclimatação, entre outros. A Semmas tem hoje um estoque aproximado de 160 mil mudas, prontas para serem plantadas e a previsão é a de fechar o ano com todas plantadas.