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Mães buscam incansavelmente por notícias de seus filhos desaparecidos

Este domingo (8) não será um dia como foi há alguns anos, pois eles saíram e não voltaram mais 07/05/2016 às 17:18 - Atualizado em 07/05/2016 às 18:53
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Maria das Graças não vê Rodrigo desde o Rèveillon de 2014. Ele sumiu no Rio Negro / Foto: Evandro Seixas
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Uma das dádivas mais preciosas da vida é ter um filho. Celebrar essa data ao lado de um filho é algo que toda mãe pretende passar a cada. A reportagem irá contar histórias de mães que estão na busca incansável para reencontrar seus maiores tesouros. Três delas contaram os momentos de aflição quando o Dia das Mães, que chegou a ser um dia especial em suas vidas, fica cada vez mais próximo e, agora, é angustiante.

Erônica Encarnação da Silva, de 59 anos, é uma delas. No dia 14 de abril de 2015, seu filho, o deficiente mental Davi Encarnação da Silva, de apenas 19 anos, fugiu de casa, no bairro Petrópolis, Zona Centro-Sul, e nunca mais retornou. De lá pra cá, foram dias de sofrimento para a família de dona Erônica. Mãe de mais de sete filhos, a esperança e fé são as únicas crenças que alimentam o desejo de ver o filho novamente.

A única lembrança de Davi é de vê-lo jogando futebol com os irmãos menores e de quando brincava com o cachorro da família. “Ele estava sempre presente. É muito triste porque vejo os outros filhos e não vejo mais ele. Eu vejo os outros chegando em casa e ele não, mas tenho lembranças muito boas dele e ainda espero vê-lo de novo”, contou, bastante emocionada.

“Eu estou esperando por ele. Oro a cada dia, cada hora,  para ele bater na porta de casa e voltar pra mim. Tenho fé e acredito”, finalizou.

Outra mãe que teve o mesmo desfecho é a dona de casa Maria das Graças Almeida, de 62 anos. Rodrigo Silva, de 33 anos, desapareceu no dia 1 de 2014. Ele comemorava a virada de ano vendo os fogos em pleno Rio Negro e de lá nunca mais foi visto. A mãe contou que só ficou sabendo de seu desaparecimento após ir ao trabalho dele, em uma farmácia, no bairro Japiim, Zona Sul. O último contato foi às 23h do dia 31. “Eu ainda liguei pra ele e perguntei se estava tudo bem e depois não consegui mais”, disse.

Para ela, o Dia das Mães nunca mais foi o mesmo. “Para mim está sendo o pior dia. Sempre passei com meus três filhos, mas rezo três vezes todo dia  e com o joelho no chão, pois eu sinto que meu filho está vivo e sei que Deus vai me dar a resposta certa no momento certo, porque é muito difícil para uma mãe não saber o que aconteceu com o seu filho”, contou.

Como essas duas mães, há várias outras em busca dos filhos. O sentimento de perda e de não saber aonde encontrá-los é o que elas não desejam para mais ninguém.