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Interior
INVESTIMENTOS

Amaturá quer construir trem e usina elétrica movidos à energia solar

Iniciativa do prefeito Joaquim Corado é para atrair turistas e valorizar energia alternativa aos combustíveis fósseis 09/11/2017 às 17:53
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Prefeito de Amaturá, Joaquim Corado (Foto: Márcio Silva)
Antônio Ximenes Manaus

Na condição de um dos municípios com menor orçamento do Estado, Amaturá surpreende pela iniciativa do seu prefeito Joaquim Corado, que em um esforço visionário se propõe a construir uma usina movida a energia solar e um trem, igualmente com 'combustível' solar, para ligar o rio Solimões à sede da cidade.

A usina movida a energia solar seria uma resposta ambientalmente correta do município, que hoje é abastecido com uma usina movida a óleo diesel. "É muita poluição e um custo elevado queimando combustível fóssil, altamente poluidor", disse Corado. 

Quanto ao trem, ele quer viabilizar a iniciativa para que a cidade deixe de ser refém do baixo calado do rio Acuruí, que passa em frente ao município. "Quando estamos no tempo de seca, as pessoas não tem como transportar mais carga para suas casas, porque os preços dos barcos aumentam muito, por causa da difícil travessia nas águas rasas. Um trem traria turistas do porto Carolina,no rio Solimões para a região e nos ajudaria a movimentar também o comércio e o turismo", comentou.

Entusiasmado com esses dois projetos, Corado conta com o apoio do senador Eduardo Braga (PMDB), que deverá alocar recursos da União, via emenda parlamentar, para viabilizar suas ideias originais e ecológicas. Com um orçamento anual de pouco mais de R$ 21 milhões, Amaturá lembra um pouco a cidade imaginária de Macondo, do romancista colombiano e vencedor do Nobel de Literatura Gabriel Garcia Marques, imortalizado com seu livro Cem Anos de Solidão.

Amaturá, como Macondo, fica distante dos grandes centros. São mil quilômetros partindo de Manaus e somente se chega ao município de avião ou de barco. A cidade tem uma aldeia (Nova Itália) no perímetro urbano, com cerca de três mil indígenas da etnia Tikuna, o que,por si só, já é uma atração étnico-cultural, com potencial turístico, antropológico e artístico em função das obras de arte da floresta em madeira e os  artesanatos produzidos pelos indígenas.

Reservas

Em sua busca desenfreada para chamar atenção para Amaturá, Corado tomou a decisão de criar quatro reservas ambientais municipais e de valorizar a cultura indígena local, como atrativo internacional de cidade 100% ambientalmente correta. Um desafio que se propôs para que turistas do mundo todo saibam da existência do seu município. 

"Somos pequenos, temos pouca receita, mas sonhamos e pensamos grande, tudo para preservar as culturas do nosso povo e do meio ambiente", afirmou Corado.

Esteira

O porto da cidade, é outro atrativo que Corado pretende transformar criando uma esteira elétrica que transporte as bagagens dos passageiros que viajam nos barcos recreios. O beiradão, na frente da sede do município, é alto e com a construção de uma esteira, ele pretende facilitar a vida de quem chega nas embarcações.

Aeroporto

Por fim, ele quer construir um aeroporto para receber os turistas. Sua avaliação é de que quanto mais distante dos grandes centros urbanos, maior o interesse pelo turismo de pesca esportiva, de observação da natureza e de expedições em áreas selvagens, com populações originais, dentre elas os indígenas.

UBS fluvial

Atento à saúde dos comunitários que vivem ao longo do rio Solimões e outros rios menores que cortam o município, Corado receberá uma Unidade Básica de Saúde (UBS)  fluvial em 2018, que servirá para o atendimento às áreas mais remotas da região. 

Educação

Tudo isso em uma cidade que, praticamente, não arrecada impostos e que conta com 45% de pessoas semi e analfabetas. Para resolver este drama, Corado conta com parcerias feitas com a Universidade Federal do Amazonas, Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e com o Ministério da Educação, que farão várias atividades de reciclagem dos professores locais, para que eles possam desenvolver programas de alfabetização em maior escala.