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Interior
PARCERIA

Prefeitura de Barreirinha busca implantar curso de Agroecologia para quilombolas

O curso, viabilizado em parceria com o Ifam, seria uma saída econômica de sustentabilidade e preservação das terras quilombolas 11/01/2018 às 11:05
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Foto: Divulgação
acritica.com

A Prefeitura de Barreirinha iniciou a viabilização de uma parceria de cooperação técnica com o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) para implantar um curso de Agroecologia para as comunidades de Santa Tereza do Matupiri, Boa Fé, Trindade, Ituquara e São Pedro, que compõem o Quilombo do Andirá, localizado ao longo do rio Andirá, em Barreirinha, a 331 quilômetros de Manaus, na região do baixo rio Amazonas.

A proposta foi apresentada durante uma reunião com representantes da instituição e da prefeitura. Participaram da reunião o diretor do Ifam/ZL, professor Aldenir Caetano, o coordenador do urso de Agroecologia Ifam/ZL, professor Edmilson Lima, e as servidoras municipais Arleíse Araújo, que é assistente social, e Carly Anny Barros, antropóloga, ambas integrantes da equipe de projetos da Prefeitura de Barreirinha.

Segundo a Prefeitura de Barreirinha, o curso de Agroecologia é uma saída econômica de sustentabilidade e preservação das terras quilombolas, que também são Áreas de Preservação Permanente (APP). Por serem terras federais, a União, o Estado e a Municipalidade reconhecem tais territórios como espaços de preservação da identidade nacional e como importantes áreas de proteção ambiental, nas quais as comunidades devem ser as maiores cuidadoras desses espaços. Assim, culturas agrícolas e agropecuárias que degradem o meio ambiente não podem ser realizadas nessas terras.

Busca de parceiros

Segundo o representante da Prefeitura de Barreirinha, Darlan Peres, a administração municipal busca parceiros que possam ensinar formas de sustentabilidade econômica e de preservação da área para os remanescentes de quilombo, uma vez que os comunitários não poderão mais usar técnicas de plantio e agropecuária que necessitem de desmatamento.

“A nossa preocupação é oferecer para as comunidades cursos que demonstrem que é possível obter os recursos necessários à sobrevivência deles e de suas famílias e, ao mesmo tempo, que preservem a natureza, já que moram em áreas de preservação ambiental permanente. É necessário também que eles aprendam a identificar as potencialidades que cada comunidade tem e consigam retorno financeiro com essas culturas”, afirma Peres.

O prefeito de Barreirinha, Glênio Seixas, afirmou que está empenhado em fazer chegar as políticas públicas a todo município, inclusive aos povos étnicos (indígenas e quilombolas). Com a implantação do curso de Agroecologia no Quilombo do Andirá, ele completou que abre-se a possibilidade de melhorar a educação, a economia e a preservação da cultural local.

“Quando idealizamos o curso de Agroecologia para ser realizado, especificamente para os quilombolas, é possível dar oportunidade a quem não pode sair de sua comunidade para continuar os estudos, além de oferecer novas técnicas de cultivo que vão fomentar a economia do município. E o Ifam é um dos parceiros importantes para melhorar a educação, a política econômica e ambiental, e a preservação da identidade dos quilombolas, que é tão importante pra eles”, enfatizou Seixas.

Quilombo do Andirá

O Quilombo do Andirá é uma área de remanescentes de quilombo em processo de reconhecimento quase finalizado no Amazonas. Atualmente, 558 famílias, totalizando 2.790 pessoas, residem nas comunidades de Boa Fé, Ituquara, São Pedro, Santa Teresa do Matupiri e Trindade, todos descendentes de Benedito Rodrigues da Costa, escravo angolano fugido que aportou no Amazonas no século 19.

O território quilombola totaliza 27 mil hectares regularizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As terras que abrigam as cinco comunidades ficam ao longo do rio Andirá, em Barreirinha, a 331 quilômetros de Manaus, na região do baixo rio Amazonas. O quilombo foi reconhecido pela Fundação Palmares, órgão federal ligado ao Ministério da Cultura, pela portaria nº 176 publicada no Diário Oficial da União no dia 25 de outubro de 2013.