Publicidade
Manaus
Manaus

"A 'Internet das Coisas' está mudando o mundo", afirma especialista

Ademir Lourenço Representante do Estado na União Internacional de Tecnologia fala das inovações que virão por aí , como neurotransmissores, interação com equipamentos e uma conexão mais rápida 25/03/2012 às 12:00
Show 1
Ademir Lourenço é graduado em Engenharia Elétrica e Mestrado em Processamento Digital de Sinais pela Universidade Estadual de Campinas (SP)
CAROLINA SILVA Manaus

Em meio a uma constante evolução da tecnologia, já imaginou a sua geladeira avisando a você que o prazo de validade do seu suco favorito está próximo de vencer? Ou que ao passar com o seu carro em frente ao shopping você pode receber automaticamente, em seu celular, a programação dos filmes que estão em cartaz no cinema? Em princípio, parece ser uma realidade futurista ainda muito distante, mas trata-se de uma tecnologia que está cada vez mais presente em nosso cotidiano. A União Internacional de Tecnologia (UIT) é a Agência do Sistema das Nações Unidas dedicada a temas relacionados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Várias delegações fazem parte da UIT e formam um grupo de estudos da chamada “Internet das Coisas”. O engenheiro Ademir Lourenço, da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) é o representante do Amazonas na delegação brasileira da UIT. Em entrevista para A CRÍTICA, ele esclarece o que é essa tecnologia que permite aos objetos comuns, do nosso cotidiano, se conectarem à rede e passarem a interagir entre eles e com as pessoas.

AC- O que é a “Internet das Coisas?

AL- Significa um mundo conectado à tecnologia. Essa tecnologia está baseada em duas vertentes: RFID (sigla em inglês para identificação por radiofrequência) e a nanotecnologia. Isso significa que nos próximos cinco anos, nós devemos ter, em média, 7 trilhões de objetos conectados. Aparentemente parece uma coisa meio maluca, mas isso já realidade. Por isso é que o tema se chama em inglês “Internet of Things” (IoT). Essa tecnologia, hoje, está sendo regulamentada por vários organismos internacionais, inclusive pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) em que será formulado um grupo de padrões para essa tecnologia.

AC- De que forma essa tecnologia pode transformar o mundo?

AL- A partir do momento que tudo for conectado e a miniaturização desses nanotransmissores forem evoluindo, existem já estudos para que daqui uma média de 20 ou 30 anos, esses nano transmissores poderão estar até presente na corrente sanguínea do ser humano com objetivos medicinais. Imagine você ter esses nanotransmissores com inteligência circulando pela corrente sanguínea do ser humano e você ter uma pequena central, por exemplo, num smartphone, dando instruções para esses nanotransmissores pra eles detectarem células cancerígenas. No campo da medicina é uma promessa muito grande. Outro exemplo é você estar dirigindo o seu carro, passar próximo de um shopping e saber das novidades que estão sendo oferecidas. De repente, você está passando com o seu carro em frente a um shopping com salas de cinema e no seu smartphone você saber tudo sobre a programação dos filmes. Por isso falamos que a “Internet” das coisas está mudando o mundo. Algumas montadoras já estão colocando esse recurso em carros de forma que a colisão com outro veículo chegue muito próxima a zero. Porque um automóvel vai se conectar com outro acionando os freios de forma que a gente não tenha colisão entre automóveis, por exemplo.

AC- Podemos afirmar que nos dias de hoje já existem “residências inteligentes” por conta da influência dessa tecnologia sem que as pessoas tenham conhecimento de que se trata da “Internet das coisas”?

AL- Sim. Já pude participar de grupos de estudo em que aplicaram essa tecnologia em persianas “inteligentes” de forma que por conta da temperatura e posição do sol, por exemplo, elas podem se auto ajustar de acordo com a preferência do dono da casa. Então, isso já é uma realidade. Já existe em várias casas modernas. Estamos também prevendo a curto prazo, o que a gente chama de “smartgrid”, que é uma tecnologia mais voltada para energia, onde você pode ter medidores de energia elétrica interligados a uma central em sua residência e você pode fazer todo o processo de “liga” e “desliga”’ de objetos dentro da sua residência por meio de um smartphone.

AC-Já que os objetos vão ser conectados, será preciso Internet. Ao trazer para a nossa realidade, em que Manaus é considerada uma das cidades brasileiras com serviço precário desse serviço, como fica a influência dessa “Internet das coisas”?

AL- Isso é um gargalo que os governos, não só do Brasil, mas do mundo, estão preocupados. Hoje, o nosso protocolo é o IPv4 (em que é possível dar endereços diferentes para um número limitado de computadores, telefones celulares e equipamentos conectados à rede) e estamos migrando para o IPv6 (irá garantir códigos diferentes para uma quantidade de 34 undecilhões de objetos). É uma quantidade enorme de conexões que nós podemos ter. O IPv6 é uma realidade e a “Internet das coisas” precisa disso pra funcionar com eficácia. Esse esforço, os governos tanto federal como estadual estão fazendo. Há quatro anos nós tínhamos uma Internet pior em Manaus. Hoje já sentimos uma evolução, não perfeita ainda, mas a tendência é que as pessoas de todo o mundo tenham Internet mais rápida.