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“A Manaus Ambiental não é uma aventura”, afirma Diretor da nova concerssionária de Água em Manaus

Alexandre Bianchini Diretor da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini , afirma que a empresa, agora responsável pelo serviço de abastecimento de água e esgoto da cidade, não é parte de uma aventura que desembarcou em Manaus 24/05/2012 às 08:42
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Alexandre Bianchini Diretor da Manaus Ambiental
KLEITON RENZO Manaus

Transferido para Manaus com a tarefa de assumir a direção da Manaus Ambiental, sucessora da Águas do Amazonas, o carioca Alexandre Bianchini, afirma que não depende da nova concessionária a decisão para a interligação do sistema de abastecimento do Programa Águas para Manaus (Proama) à rede de distribuição e que aplicação da tarifa social depende da entrada no Proama em atividade. Bianchini, disse que “não há dúvidas que o Proama” será utilizado pela Águas do Brasil, porém afirmou que “depende da negociação entre o Governo do Estado e a prefeitura.”

Na entrevista concedida ontem a A CRÍTICA, o diretor da empresa que vai administrar o serviço de abastecimento de água e esgoto destinado a mais de 2 milhões de usuários, afirma que a negociação envolvendo a compra das ações da Águas do Amazonas “foi absolutamente legal”, e que a empresa irá prestar todas as informações ao Ministério Público do Estado (MPE-AM) e à Câmara Municipal de Manaus (CMM), que sejam “necessárias para explicar todo o processo” de transação entre a Águas do Brasil e a Águas do Amazonas que teve como mediadora a Prefeitura de Manaus. A seguir, a entrevista.

AC- Como foi a negociação com a Águas do Amazonas?

AB- O processo é muito simples. Houve um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), pedido pelo poder municipal que queria mudar a história do saneamento da cidade e esse estudo demandava um investimento de R$ 3,4 bilhões em 30 anos. A Solvi, antiga sócia, não tinha condições de fazer esse investimento. O prefeito tinha duas opções. Uma, era partir para uma briga jurídica contra a empresa e rescindir o contrato. Ele (o prefeito) optou para que a empresa arrumasse um novo sócio que aceitasse o desafio de investir R$ 3,4 bilhões e universalizasse os serviços de saneamento na cidade de Manaus.

AC- A Águas do Brasil até então não tinha nenhuma relação com o grupo Solvi?

AB- Até aquele momento não. Quando nós ficamos sabendo que existia a possibilidade e que havia interesse da Solvi em alienar as ações e passar o controle acionário e a gestão para um novo grupo, nós entramos na negociação apenas com a Solvi, e isso não envolve em nada o poder municipal nesse momento. Foi uma negociação de privado com privado.

AC- Qual a proposta feita para a Águas do Amazonas abrir mão de atender Manaus?

AB- Uma proposta comercial como qualquer tipo de proposta. A relação entre um privado e outro é apenas de compra, onde se chega a um valor que se estima que valham as ações da empresa e se compra.

AC- Qual foi o valor pago?

AB- Esse tipo de transação é termo de confidencialidade dentro da transação. É uma transação entre privados e existiam outros interessados. O mercado não pode ficar revelando valores dessa natureza.

AC- Mas essas informações os senhores terão que dar ao Ministério Público Estadual que investiga o negócio.

AB- O fato do valor que foi pago ao grupo Solvi em nada interfere na questão de qualquer coisa pública em si. Não houve a compra de nenhum bem público. Existe um contrato e o contrato permanece. A empresa Águas do Amazonas permanece com o mesmo CNPJ, não existirá diferença nenhuma em relação a isso. Ontem mesmo eu estive no Ministério Público. Foi o primeiro órgão que nós fizemos questão de visitar para dar os primeiros esclarecimentos. A reunião foi excelente. Então, essa questão eu acho que é pacificada. Agora, para que essa operação seja realizada, aí sim, é necessária a anuência do poder concedente. E o município exigiu dentro da lei que fosse uma empresa que tivesse condições financeiras comprovadas e que tivesse capacidade de gestão. Nós mostramos ao BNDES, aos bancos Itaú e Bradesco a proposta de aquisição da empresa (Águas do Amazonas), para que eles dessem a anuência de que nós tínhamos capacidade técnica para assumir o contrato.

AC- Daí a promessa de a empresa investir R$ 3,4 bilhões?

AB- Exatamente. A anuência foi dada pelos três bancos. Eles deram anuência para a transferência das ações e às funções do grupo Águas do Brasil. Quanto a parte técnica nós apresentamos todas as documentações do que é ser o maior grupo privado do País. Nós não somos nenhum aventureiro que apareceu no mercado ontem. Nós estamos há 13 anos e atendemos hoje em torno de 6 milhões de usuários.

AC- Uma das críticas dos vereadores era a inexperiência da empresa em cidades grandes...

AB- Essa é uma falta de conhecimento deles. Porque nós acabamos de assumir a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, que são exatamente 2 milhões de habitantes. Outra coisa, quando se trabalha em uma holding chamada Águas do Brasil, a gente está falando que fora Manaus são 4 milhões de habitantes atendidos pela empresa.

AC- A empresa tem receio que o MPE acabe com o contrato por alguma irregularidade? Nós não temos nenhum receio porque tudo foi feito dentro da lei e isso é fato. E foi isso que nós conversamos ontem com o Ministério Público. A primeira fase do negócio foi feita toda dentro da lei, sem nenhum senão que possa escapar. Estamos de terminados a provar isso ao Ministério Público. E aí sim, vem a segunda fase que é resolver o problema de abastecimento das Zonas Norte e Leste. E cumprir a universalização do sistema com 100% de água e 100% de esgoto.

AC- Os servidores da Águas do Amazonas vão continuar na Águas do Brasil?

AB- Permanecem exatamente como hoje. São técnicos excelentes. A mudança que vai ocorrer é de gestão e de investimento.

AC- Outra crítica dos vereadores é quanto a capacidade de investimento para atingir os R$ 3,4 bilhões...

AB- A gente não pode fazer um planejamento pensando apenas na situação atual, precisamos pensar no que a cidade de Manaus vai crescer nos próximos dez, 15 e 30 anos. Não adianta esticar uma adutora agora e daqui a dez anos ter que aumentar o diâmetro dela. Muito pelo contrario, esse é um trabalho técnico que vai ser executado pelo corpo técnico do grupo Águas do Brasil. Não vai ser um trabalho de amador.

AC- Quanto tempo a Águas do Brasil vai precisar para ter conhecimento da situação da Águas do Amazonas?

AB- Nós já estudamos a empresa antes de a assumirmos. Já estamos com pelo menos dez profissionais aqui (em Manaus) que chegaram no domingo e estão trabalhando essa semana toda. A medida que as soluções forem sendo apresentadas, iremos colocar em execução. A solução virá em curtíssimo prazo. Óbvio que você não dorme com a solução pronta. Ela será feita no dia-a-dia.

AC- A Águas do Brasil já comprou alguma empresa que se tornou um fracasso?

AB- Nenhuma empresa. Em todas elas, o cumprimento do contrato foi integral e acima das metas acertadas.

AC- Quando a Águas do Brasil teve conhecimento da abertura de ações da Águas do Amazonas?

AB- Foi por volta de outubro do ano passado. Quando nós começamos a ter o primeiro contato com eles. Essa negociação é longa. Não foi uma coisa simples de ser feita. Exigiu uma série de análise tanto da parte operacional quando institucional da empresa.

AC- A conversa com a Prefeitura de Manaus só veio agora ou já estava ocorrendo desde o ano passado?

AB- A conversa com a prefeitura foi simples. Na hora em que houve a decisão de que a companhia iria alienar 50,25% das suas ações, foi feita a consulta de anuência com a prefeitura. Aí a prefeitura falou que daria a anuência desde que nós aceitássemos o plano de
R$ 3,4 bilhões em investimento nos próximos 30 anos, que tenha capacidade técnica e financeira. Nós aceitamos o plano e apresentamos a documentação financeira.

AC- A empresa aceita depor na “CPI da Água”?

AB- Você pode ter certeza que a coisa que mais praticamos no grupo é a transparência. O que for necessário para ser explicado e conversado nós faremos. Inclusive a gente faz o contrário, nós nos convocamos. Não haveria problema nenhum em atender seja quem for. Até mesmo a Câmara (Municipal de Manaus) que está interessada em resolver o problema de abastecimento de água da cidade.

AC- A Manaus Ambiental assumiu os processos movidos pelo MPE-AM?

AB- Tudo. Tudo o que vinha acontecendo até o momento continua valendo, é a mesma coisa. Nós apenas adquirimos as ações da empresa (Águas do Amazonas) em uma negociação de caráter privado.

AC- E quanto a tarifa social, quando será implantada?

AB- Vai ser implantada. A tarifa social já está prevista no contrato e nós estamos apenas esperando uma definição por parte do Governo do Estado e da Prefeitura de Manaus sobre o Proama.