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"A Menina do Vale" dá dicas sobre empreendedorismo

Em apenas seis anos, ela se formou no MIT, trabalhou na Microsoft e na Google e criou sua própria startup. Agora, Isabel Pesce, 24, conta sua experiência em livro 02/09/2012 às 10:04
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Isabel Pesce vem de família de classe média, teve que trabalhar para pagar os estudos no MIT e trancou a pós-graduação
Joubert Lima Manaus

O que uma moça de 24 anos tem a ensinar sobre empreendedorismo? Muito, se a pessoa em questão for a paulistana Isabel Pesce Mattos. Ela se formou em Engenharia Elétrica no Massachussets Institute of Technology (MIT), trabalhou na Microsoft e no Google, largou um cargo executivo na Ooyala, líder mundial em tecnologias de vídeo, para criar sua própria startup, a Lemon, que desenvolve aplicativos para controle das finanças.

Há três meses, ela lançou um livro - A menina do vale - onde conta um pouco de sua curta, porém exitosa, carreira como empreendedora. Mais de um milhão de pessoas fizeram o download.

Foi durante o curso no MIT que Pesce descobriu a paixão por negócios e aprendeu uma das lições que cita no livro: nunca é cedo ou tarde demais para empreender. Pouca gente sabe que Roberto Marinho fundou a Rede Globo aos 60 anos; Ray Croc tinha 52, quando começou a transformar o McDonald‘s na maior rede de restaurantes fast-food do mundo.

Por outro lado, Catherine e Dave Cook eram adolescentes no Ensino Médio quando criaram o MyYearBook, site onde os usuários registram os principais acontecimentos do ano escolar, e que foi vendido em 2011 por US$ 100 milhões. Outra ideia desmontada por Pesce é a de que abrir uma empresa seja algo glamuroso.

“Você geralmente estará dormindo menos do que pensou ser humanamente possível, comendo miojo no almoço e no jantar e passando mais tempo no escritório do que em qualquer outro lugar”, afirma.

Mesmo assim, completa, pode ser a melhor época da sua vida, especialmente se você estiver se dedicando a algo com o que realmente se importa. No início da empresa, um plano de negócios é uma ferramenta muito útil, mas Pesce ressalta que há um pouco de exagero sobre esse tema. Ela afirma que o mais importante sobre esses documentos não são eles em si, mas o que se aprende durante sua elaboração: pesquisa de mercado, sondagem de concorrentes, perfil de clientes, teste de estratégias, etc.

Além disso, os planos precisam ser flexíveis e estar em constante evolução. Não podem ser manuais monolíticos.

Às vezes dá errado
O empresário faz o seu melhor, mas às vezes, isso não é o bastante e as coisas dão errado. Não há problema, desde que se possa aprender com isso e continuar crescendo. Ei, mas você já leu isso em um livro de autoajuda!

O que talvez você não tenha lido é que todos os grandes empreendedores de sucesso têm isso em comum: cometeram muitos erros ao longo da criação de suas companhias.

Mas aprenderam rapidamente e se adaptaram. Foi assim com Yahoo!, Hotmail e muitos outros.

Leitores ávidos
Um dos hábitos do bom empreendedor é ler vorazmente tudo que possa melhorar sua preparação. Bel Pesce recomenda Startup Brasil, de Pedro Melo; Perdendo Minha Vigindade, de Richard Branson; Steve Jobs: A Biografa, de Isaac Walterson, entre outros.

E-book foi baixado cem mil vezes em uma semana
Quando resolveu escrever seu livro, Isabel Pesce não estava pensando em vendas, queria apenas compartilhar um pouco do que aprendeu sobre empreendedorismo com outras pessoas.

Tanto que o e-book foi disponibilizado de graça na internet: www.ameninadovale.com

Mas o sucesso foi surpreendente: mais de 100 mil downloads em apenas uma semana.

Como boa empreendedora, a jovem já transformou a ideia em negócio. O livro acaba de ser lançado pela editora Casa da Palavra. Para atrair leitores e convencê-los a pagar R$ 19,60 pela versão impressa, a moça incluiu três novos capítulos aos 18 do e-book original: “Começando com pouco capital”; “Encontrando necessidades reais” e “Peça conselhos e ganhará investimentos”.

Ela conta que se descobriu empreendedora no MIT, fazendo disciplinas opcionais.

Fez de tudo um pouco: coreografia, dança, aulas de composição musical e até aulas de japonês, o que considerou mais difícil. Entrou em contato com jovens obstinados por ideias inovadoras e descobriu sua missão na vida: desenvolver do zero soluções tecnológicas para ajudar as pessoas, por meio de sua própria startup.

“Paixão é uma das coisas que realmente fazem você dar o melhor de si. Quando encontrar a sua, entenderá muito melhor quem você é e será capaz de trabalhar no que realmente importa para você. Ser capaz de se concentrar em suas paixões é um sentimento incrivelmente maravilhoso. Certifque-se de senti-lo”, diz.

Pontos
Teste o produto
Quando um negócio começa, há apenas a suposição de que as pessoas querem o produto. O empreendedor pode buscar formas de testar essa hipótese na prática. O Groupon, por exemplo, começou como um blog, os cupons eram feitos com um gerador de PDF e enviados para lotes de e-mails no fim do dia.

Peça ajuda
Diante de problemas aparentemente sem resposta, vale a pena conversar com outras pessoas. Se você pedir opiniões para as pessoas certas, é bem possível que alguém tenha tido um problema semelhante ao seu e possa ajudá-lo a seguir na direção certa. Busque ajuda de quem conseguiu. Não tenha vergonha de mandar e-mails para alguém que não conhece pessoalmente.

Seja humilde
Humildade nos negócios parece básico. Mas não é tão simples. Ser humilde é admitir que se pode aprender com os outros e buscar esse aprendizado. Por outro lado, se você apenas tenta parecer humilde com a intenção de arregimentar apoio, cedo ou tarde será desmascarado.

Faça Networking
O networking está no coração do Vale do Silício e é responsável por grande parte do que a região é hoje. Ser bom em conectar pessoas pode ajudá-lo a encontrar um parceiro de negócios, um mentor e um advogado. Pode ajudá-lo a levantar capital, divulgar a sua empresa e muito mais. Seu sócio pode estar a duas apresentações de distância.