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Manaus
Cotidiano, Urbanização, Calçadas, Mobilize Brasil, Infraestrutura, mobilidade urbana

Abusos nas calçadas de Manaus tiram do pedestre o direito de ir e vir

Bancas de camelôs, entulhos, geladeiras e até carcaças de veículos são obstáculos comuns aos pedestres da capital amazonense 02/09/2012 às 14:47
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Banca de peixes atrapalha a circulação dos pedestres na Zona Leste de Manaus
Maria Derzi Manaus

Não é à toa que Manaus, a única capital amazônica a sediar, em um ano e meio, a Copa do Mundo de 2014, está entre as cidades que apresentam calçadas com as piores condições de mobilidade do País. A nota de 3.05, obtida na avaliação da Organização Não Governamental (ONG) Mobilize Brasil, pode ser compreendida com apenas um passeio pelos bairros da cidade.

É fácil registrar flagrantes de obstáculos que impedem, dificultam e colocam em risco a vida de pedestres, especialmente das pessoas portadoras de deficiências motoras e de cadeirantes.

Até mesmo objetos inusitados como geladeiras e lavadouras de roupa são deixados nas calçadas, impedindo a passagem dos pedestres, que são obrigados a andar na rua, disputando espaço com os veículos.

É o que acontece na rua Taborda de Miranda, no núcleo 4 do bairro Cidade Nova 2, na Zona Norte de Manaus. Os moradores dispõem de uma faixa de pedestres para atravessar, mas quando chegam ao final da mesma não conseguem seguir caminhando pela calçada porque a loja Vas-frio, que vende e conserta geladeiras usadas, tomou conta de toda a extensão da calçada.

Além disso, o dono da loja instalou uma placa na direção da faixa de pedestres, impedindo o acesso de cadeirantes. Há mais de um ano, a aposentada Lúcia Maués reclama do problema.

“Isso é um absurdo, nós não podemos nem atravessar a rua porque tem um monte de geladeiras no caminho, impedindo a nossa passagem. Já pedimos para que fossem retiradas, já chamamos a prefeitura, mas os obstáculos continuam no mesmo lugar”, disse a aposentada.

Riscos
Lúcia, que mora no local há mais de 20 anos, diz que não pode mais ir à igreja. “Os idosos não têm condições de ir até a paróquia andando porque não conseguem atravessar a rua. As geladeiras tomam todo o espaço da calçada. Se a gente se aventura por entre os carros, pode morrer atropelada”, disse a moradora.

Nesse mesmo local, uma menina de 15 anos foi atropelada em fevereiro deste ano.

O proprietário da loja, Vivaldo Corrêa, disse que vai retirar as geladeiras da calçada, mas não falou quando.

“Tem que ter calma. Mas tem espaço para o pessoal passar, sim”, disse o proprietário, referindo-se a alguns centímetros entre o meio fio e a fila de geladeiras.

Borracharias
Segundo a lei 674/2002, borracharias e desmanches de veículos são obrigados a retirar os entulhos de suas matérias-primas das vias e calçadas públicas.

Bares e restaurantes
A ocupação de passeios e vias de pedestres com mesas, cadeiras ou outros objetos deve ser autorizada pela prefeitura. Mas os estabelecimentos devem deixar um espaço de 1,20m livre para o trânsito público.

Denúncia
O Implurb possui um gerência que lida com a fiscalização de postura, que recebe denúncias pelo telefone 161. Quando acionado, o órgão tem a missão de notificar, multar e apreender o material que ocupe indevidamente a calçada.

Rotina
Na avenida Itaúba, localizada no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus, os flagrantes de ocupação irregular das calçadas ‘ferem’ o direito de ir e vir da população, que é obrigada a andar pelo asfalto. A banca de peixes de Gilberto Oliveira dos Santos, 60, está atrapalhando a circulação dos pedestres. Ela toma conta, praticamente, de toda a calçada.

“Não posso fazer nada. É como eu posso ganhar a vida. Não tenho outro jeito e não vou colocar a banca no quintal”, justificou.

Nas proximidades da feira do Produtor, também Zona Leste, oficinas ocupam o espaço do pedestre. Em várias delas, os carros são deixados sobre a calçada e os proprietários usam pneus, placas e até cadeiras para marcar o território na calçada.“Eles até consertam os carros ali”,disse a doméstica Francisca Lopes,66.

Recicláveis na calçada
Na avenida Djalma Batista, localizada na Zona Centro-Sul de Manaus, uma empresa de reciclagem de latas de alumínio deposita dezenas de sacos do material em cima de um carro, no meio da calçada, ao ar livre, tomando quase que totalmente o espaço do pedestre em trecho de uma das avenidas mais movimentadas de Manaus.