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Manaus
ABANDONO

Academias ao ar livre estão sem manutenção e profissionais para orientar usuários

Frequentadores dos espaços reclamam de equipamentos quebrados e falta de orientação para evitar lesões 27/11/2017 às 07:20
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Na Ponta Negra, frequentadores reclamam de equipamentos quebrados. Foto: Evandro Seixas
Álik Menezes Manaus (AM)

Inauguradas para serem uma opção de prática esportiva gratuita na capital amazonense, com o intuito de promoção da saúde, academias ao ar livre são alvos de críticas de moradores e usuários das estruturas. As principais reclamações são com relação à falta de manutenção e a ausência de profissionais e placas com orientações, o que tem provocado lesões em alguns frequentadores. 

No conjunto Jardim Petrópolis, bairro Petrópolis, na Zona Sul, os moradores questionam ainda o material usado na confecção dos aparelhos da academia que, segundo uma placa, foi reinaugurada no ano passado. De acordo com ele, o material, ferro, deveria ser outro. “Esses técnicos e engenheiros não pensam, só pode. Sabem que a gente tem muito sol e muita chuva, que o ferro vai se destruir mais fácil e rápido, então qual o motivo de não fazer com outro material mais resistente”, questiona o estudante Jassen Carnafiste, 32.

O jovem também afirmou que, desde o ano passado, a academia não recebe obras de manutenção nos aparelhos. “É uma ótima iniciativa, muitas pessoas usam essa academia porque não têm como bancar uma particular, mas há pessoas que não utilizam direito e danificam os aparelhos. Fora que a prefeitura só faz a inauguração e não dá nenhuma manutenção, fica esquecido aí, tudo”, disse o jovem apontando sinais de ferrugem nos equipamentos.

Aparelhos quebrados

No Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste, onde há duas academias ao ar livre, o universitário de educação física Valter Castro Oliveira, 24, diz que o problema é a durabilidade e a falta de manutenção. Ali, segundo ele, os atos de vandalismo são raros, uma vez que a área conta com segurança praticamente 24 horas, mas os equipamentos não resistem ao uso intenso. Em uma das academias, parte dos aparelhos de rotação não possuem mais apoio para as mãos. Das seis bicicletas ergométricas, quatro estão sem pedais.

“Sem falar que alguns aparelhos estão se soltando do chão porque foram mal parafusados, enquanto outros equipamentos mais complexos não possuem sequer orientação para o uso correto. É um perigo, principalmente para os idosos”, alertou.

Número

50 academias ao ar livre foram inauguradas em toda a capital pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), mas a gestão delas cabe a outras secretarias.

Proteção da estrutura

Frequentadores  sugeriram ainda  a construção de estrutura para proteção contra o sol e a chuva, a fim de aumentar a vida útil dos equipamentos. “Já que não tem manutenção, poderia ter uma proteção”, disse a dona de casa Rosalinda de Mendonça, 44.

Falta de orientação adequada para o uso

Para o pedreiro Alexandre Freitas, 40, o mais grave é a falta de orientação. Segundo ele, o maior fluxo de pessoas no espaço é das 17h às 20h e, nesse período, deveria haver pelo menos um profissional de educação física orientando os usuários.

“É comum a gente ver as pessoas praticando a atividade de forma errada e temos até casos de lesões. Não tem nenhuma orientação naquelas placas. Um professor de educação física deveria trabalhar aqui nas horas de maior fluxo, seria o ideal”, disse. Outro problema é o fato de parte das academias não contar com um aparelho destinado ao alongamento adequado.

Problemas são sempre os mesmos

A reportagem do portal A Crítica percorreu, no total, quatro academias ao ar livre implantadas na capital e, em todas, os moradores do entorno e usuários  reclamam das mesmas coisas: falta de manutenção e lesões ocasionadas em frequentadores pela falta de instrução. 

Na comunidade Vale do Amanhecer, localizada no bairro Petrópolis, os moradores afirmam que os usuários só recebem algum auxílio quando uma professora de um grupo de idosos os leva para a academia e ensina como utilizar os aparelhos. 

“Ela traz o grupo de idosos para cá e acaba que, dessa forma, outras pessoas que estão próximo ouvem as orientações e tentam fazer igual”, contou a dona de casa Suzy Souza, 33.

Estudos para implantar as melhorias

A Prefeitura de Manaus informou, por meio de nota, que a maioria dos espaços são geridos pela Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), assim como outros são de responsabilidade das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh).

A nota informa, ainda, que a Semjel foi em busca de parcerias com a iniciativa privada e conseguiu fechar, com uma empresa de planos de saúde, para ajudar nas melhorias dos espaços e, em breve, a parceria deve ser divulgada.

Sobre a falta de profissionais para orientar a população, a nota informa que a Semjel iniciou “conversas” para montar um projeto e colocar professores de educação física ou personal trainers nos pontos onde a população mais utiliza  para orientação sobre a forma correta de realizar os exercícios.