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NUTRIÇÃO

Açaí do Amazonas tem 80% mais antioxidantes que o do Pará, diz pesquisa

Grandes investidores deverão vir ao Amazonas para plantar em áreas já desmatadas e comprar poupas da espécie que é a referência mundial de qualidade para o organismo humano. 21/04/2018 às 15:25 - Atualizado em 22/04/2018 às 11:47
Show acai
(Foto: Márcio Silva)
Antônio Ximenes Manaus

O açaí do Amazonas da espécie Euterpe precatoria é considerado como uma das mais importantes super frutas do mundo pela comunidade científica, em função de suas qualidades medicinais, especialmente por ser 80% mais concentrada em teores de antioxidantes (antocianinas que dão a coloração roxa da fruta e que são fundamentais para a redução do envelhecimento das células, especialmente no cérebro).

Sua concorrente mercadológica Euterpe oleraceae, predominante no Pará, e que, hoje, domina o mercado nacional e internacional, não tem esse grau elevado de antocianinas. Essa diferença química da natureza na floresta amazônica, está sendo observada por empresas como a Coca Cola Company, que escolheu o açaí Euterpe precatoria como referência de seus sucos e bebidas à base de açaí.

Recente tese de doutorado da cientista Cláudia Blair Matos, PhD em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e University of Tennessee (UTK) aponta para uma revolução conceitual e de produção da espécie amazonense frente à paraense.

Grandes investidores e industrias globais deverão vir ao Amazonas para plantar em áreas já desmatadas; bem como comprar poupas da espécie Euterpe precatoria porque ela é a referência mundial de qualidade para o organismo humano. O mercado vai mudar na direção desta espécie, orienta a cientista Cláudia B. Matos, 43.

Sobre o plantio de cultivo em grande escala em outras regiões do Brasil, a cientista alerta que o efeito dos agroquímicos usados para o crescimento da palmeira e a consequente produção dos frutos, que estão aptos para a colheita, no caso do Euterpe precatoria no sétimo ano, é diferente dos que são oriundos do extrativismo, onde não se emprega agrotóxicos.

Internacionalmente, como nos mercados dos Estados Unidos da América e da Europa Ocidental, o alimento orgânico vem ganhando a preferência do consumidor, especialmente o açaí, que tem uma capacidade regeneradora das células cientificamente comprovada.

“Durante a pesquisa foram elucidados aspectos relevantes sobre a produção do açaí pelo sistema de cultivo e extrativismo e foram construídos cenários econômicos para a consolidação da atividade produtiva da espécie Euterpe precatoria, que é a super fruta com os mais altos teores de antioxidantes, pelo menos 80% mais elevados que a Euterpe oleraceae do Pará”, afirmou Cláudia B. Matos.

Açaí paraense lidera e é misturado

Na atualidade, o açaí produzido no Pará representa 91% do que é comercializado no Brasil, de acordo com fonte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015.

A dominação do mercado nacional e internacional por esta espécie de touceira Euterpe oleraceae, se dá porque há um forte marketing dos produtores paraenses, que se beneficiam do desconhecimento da opinião pública sobre as qualidades do açaí unitário Euterpe precatoria, genuinamente, do Amazonas.

Os produtores paraenses utilizam uma estratégia de misturar o açaí do Amazonas com o do Pará, o que não permite que se identifique qual está sendo consumido. Grande parte da produção da cidade de Codajás, no Médio Solimões, vai para o Pará. O mesmo acontecendo com a produção de outras calhas do Amazonas. Esta mistura é prejudicial ao consumidor, que acaba não se beneficiando plenamente do efeito positivo dos antioxidantes do Euterpe precatoria.

Três décadas vendendo ‘açaí raiz’

Há 30 anos vendendo açaí Euterpe precatoria na avenida Codajás, no bairro de Petrópolis, seu João Pinheiro Sampaio,54, é especialista na fruta amazonense. Seus fornecedores são dos municípios de Anori, Anamã, Manacapuru, Nova Olinda do Norte, Codajás, Manaquiri e Itacoatiara.

Sua clientela é formada em grande parte pela classe média, que procura o tradicional “açaí de raiz”, igual como é consumido pelos caboclos. “O meu açaí é do Amazonas. O pessoal diz que se sente bem, com mais energia e come aqui e também leva pra casa.Toda minha família trabalha comigo”, afirmou João Pinheiro.

Amazonense dá fruto a partir do 7º ano

O que dificulta a concorrência entre as espécies é que a Euterpa Oleracea dá frutos a partir do quarto ano, três a menos do que a Euterpe precatoria.

Essa diferença acelera a produção em larga escala da espécie paraense, o que deverá ocorrer no território amazonense nas áreas desmatadas, se não for implantada uma política de defesa da espécie Euterpa precatoria. Com esse cenário, o Amazonas perderia a oportunidade de se diferenciar mundialmente com a sua super fruta do rejuvenescimento.

As propriedades medicinais do açaí são muitas, mas merece destaque a sua capacidade de retardar o envelhecimento das células, principalmente, porque os antioxidantes combatem os radicais livres, que são altamente tóxicos e são causadores dos acidentes vasculares cerebrais e doenças como Parkinson e Alzheimer. Ele também reduz o colesterol ruim; é bom para os ossos; anti-inflamatório; desintoxicante; previne doenças cardíacas; aumenta a imunidade; e é uma fonte de energia com grande capacidade circulatória do sangue.

Janela de marketing

Com base nas análises da produção de frutos de açaí chegou-se ao entendimento que é fundamental direcionar esforços para o mercado nacional e internacional. Trabalhar um novo marketing do produto, evidenciando as qualidades nutricionais do açaí amazonense e reorganizar a cadeia produtiva.

Nesta direção, significa dizer que além de ampliar a produção cultivada em áreas desmatadas, deve-se fortalecer a produção extrativista, direcionando cada tipo de produção para mercados específicos, agregando, desta forma, maior valor na base e manutenção do modo de vida dos caboclos. Com esta estratégia se protege a floresta e eleva-se a renda de quem vive nela e sem utilizar agrotóxicos.

 

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