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Manaus
DIA DO CICLISTA

Adeptos do pedal cobram mais infraestrutura para comemorar Dia do Ciclista

Descaso do poder público com a segurança e falta de educação de motoristas, são as principais reclamações 24/08/2017 às 11:15
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Falta de segurança é apontada como o maior obstáculo por quem pedala (Foto: Gilson Melo/Freelancer)
Álik Menezes Manaus (AM)

Amanhã é celebrado o Dia Municipal do Ciclista e, apesar de Manaus ter um público expressivo que utiliza bicicletas para passear e até para ir ao trabalho, ciclistas da capital afirmam que faltam motivos para comemorar a data. A falta de infraestrutura nas vias e de educação no trânsito ainda são os principais entraves que afastam pessoas da prática. 

No dia 3 deste mês, o advogado Leonardo Aragão, 29, entrou para a triste estatística de ciclistas que foram atropeladas no trânsito da capital amazonense: teve um braço fraturado, passou por uma cirurgia e ainda deve passar por outra. Há mais de quatro anos ele, que mora no Vieiralves, Zona Centro-Sul, e trabalha no Centro, Zona Sul,  utilizava a bicicleta como meio de transporte para ir e voltar do trabalho. “A gente fica completamente desmotivado. O ciclista não é respeitado e Manaus não possui infraestrutura para incentivar pessoas a pedalarem”, disse. 

Leonardo contou que o acidente aconteceu quando ele ia para o trabalho, na avenida Constantino Nery. Segundo ele, um motorista não respeitou a distância de 1,5 metro, bateu na bike e o jogou longe. Ele está afastado do trabalho e, enquanto aguarda a cirurgia, pensa, temeroso, como será quando voltar a pedalar. Ele não cogita desistir do modal, mas teme que novos acidentes mais graves ocorram. “Você fica completamente triste porque era uma forma de incentivar pessoas. Meus pais e amigos falavam para eu parar por motivos de segurança, mas não dei ouvidos. Até meu carro vendi”, disse. 

O universitário Dion Erivan Santos, 22, também aposentou a bicicleta há quatro anos, após sofrer um acidente, e, traumatizado, não pensa mais na possibilidade de voltar a utilizar a bike como meio de transporte para ir ao trabalho e até mesmo passeio. “O motorista de uma van parou bruscamente para alguém descer, abriram a porta e eu fui arremessado metros à frente”, contou o jovem, que sofreu várias lesões. 

Desde então, Dion decidiu abrir mão de um modal mais barato e de uma atividade que lhe proporcionava prazer. Ele afirmou que Manaus não possui infraestrutura e fez duras críticas à prefeitura da cidade. “Parei de pedalar porque a cidade não tem estrutura adequada, a prefeitura até pintou algumas ruas, mas são estreitas, não foram projetada para receber ciclistas e o grande fluxo de veículos. O ciclista é tratado com descaso na cidade”, reclamou. 

Medidas em estudo

Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que estuda a implantação de novas áreas exclusivas para ciclistas em dois pontos da cidade, que deverão ser entregues no segundo semestre. Na avenida do Futuro, no Tarumã, Zona Oeste,  serão implantados 4 km de ciclovia nos dois sentidos da via, no entanto eles ficarão sem conexão com outras vias da cidade. 
Outro trecho que também está em análise para a viabilidade de 6 km de uma ciclofaixa é o Corredor Viário do Mindu. A nova ciclofaixa será interligada ao trecho já existente na avenida Natan Xavier, contemplando mais de 12 quilômetros (ida/volta), fazendo o trajeto entre as vias João Câmara e Autaz Mirim.

Adeptos do modal cobram segurança

Para o coordenador do Pedala Manaus, Paulo Aguiar, apesar do poder público ter investido em ciclovias, ciclofaixas e o projeto Manôbike, de iniciativa privada, as medidas são insuficientes  para atender a demanda e incentivar que mais pessoas se sintam seguras ao aderir ao ciclismo.

Segundo o coordenador, faltam políticas públicas que incentivem a população. Uma das medidas seria as vias ‘acalmadas’ com velocidade reduzida. “O ciclista não sente segurança de pedalar em algumas zonas, algumas ruas da cidade, porque o trânsito é pesado, os motoristas não respeitam o ciclista. Se houvesse vias acalmadas, com velocidade abaixo de 40 km/h, mais compartilhamento de ruas, o ciclista seria mais seguro”.

O ativista afirmou que faltam também mais políticas públicas com prazos determinados. Ele citou como exemplo a implantação de ciclovias e ciclorotas. “Tem que ficar determinado qual o prazo, quantos quilômetros e quais ruas vão ter esse sistema. Não adianta apenas falar, tem que ter prazos”, disse. 

Paulo também defende a criação de programas que estimulem o uso das bicicletas, como fiscalização nas ruas para que os carros não andem em alta velocidade, campanhas educativas permanentes em escolas, empresas e na televisão.