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Aeronave ‘Super Tucano’ mostra eficiência no monitoramento da fronteira

De acordo com a assessoria de comunicação da Operação Ágata, o Super Tucano é um avião utilizado como caça, mas de baixa performance. Trata-se de aeronave requisitada pela própria FAB à Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) 04/05/2012 às 09:46
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Avião da FAb sobrevoa área de fronteira no Amazonas
Ana Carolina Barbosa Manaus

A utilização do A-29, ou Super Tucano, na “Operação Ágata 4”, gerou polêmica entre os internautas que acessam o acrítica.com. Alguns questionaram se a aeronave é realmente a melhor opção para o monitoramente aéreo de uma faixa tão extensa de fronteira. Outros garantiram que o avião, de fabricação brasileira e que foi adotado pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 2005, é o ideal para este tipo de operação, já que possui hélices, estando, portanto, fora da classificação de supersônicos, e possibilitando o ataque a aviões com potência equivalente que porventura se arrisquem a cometer delitos no espaço aéreo brasileiro.

De acordo com a assessoria de comunicação da Operação Ágata, o Super Tucano é um avião utilizado como caça, mas de baixa performance. Trata-se de aeronave "encomendada" pela própria FAB à Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), tendo em vista que os aviões que entram na Amazônia com contrabando são também de baixa performance, os conhecidos “teco-tecos”.

Para interceptá-los com um caça ou supersônico (munido de turbinas), que tem uma velocidade incompatível com os aviões de hélice, os obstáculos seriam maiores, já que tiraria a qualidade do voo numa eventual perseguição. Além disso, conforme a assessoria, o Super Tucano agrega a habilidade de um caça com a velocidade compatível a de um avião de baixa performance, o que cria uma situação favorável à FAB. E por conta da sua praticidade, viabiliza o pouso em pistas curtas, o que na Amazônia faz diferença, já que muitas pistas não possuem a estrutura adequada para receber um caça.

Mira

Outra qualidade da aeronave é a precisão da mira nos ataques em terra, a exemplo dos bombardeios de pistas clandestinas. Isso graças a sua tecnologia embarcada. Na Operação Ágata 4, especificamente, a aeronave está sendo utilizada para interceptar eventuais voos clandestinos e destruir pistas clandestinas.

O Super Tucano já chegou a ser cogitado para uso em guerra, mas, por motivos ainda não esclarecidos, uma licitação vencida pela Embraer nos Estados Unidos para o fornecimento de 600 unidades do modelo foi cancelada.

Hoje, há esquadrões posicionados ao longo da fronteira, sediados em Boa Vista (RR), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO). O ex-piloto de A-29, tenente Carlos Eduardo Azevedo Alvares, explicou que a aeronave se enquadra em situações como a de combate à guerrilha. Para ele, cada aeronave é projetada com um objetivo, e o do Super Tucano é combater aviões de baixa performance.

“Ela é uma aeronave de excelência para o que ela foi projetada e, na falta de uma pista pavimentada, tem grande mobilidade”. De acordo com o tenente, o A-29 é preciso no ataque em solo e pode alcançar uma velocidade de 490 quilômetros por hora. “É uma aeronave que presta um suporte às tropas em terra”.

O que é a “Operação Ágata”

O Ministério da Defesa (MD), dentro da concepção do Plano Estratégico de Fronteiras, está realizando a Operação Ágata 4, ação conjunta das Forças Armadas Brasileiras, com o apoio de outros órgãos federais e estaduais.

Entre os envolvidos estão a Polícia Federal (PF), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Secretaria da Receita Federal (SRF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a Força Nacional de Segurança Pública (FNS), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgãos de segurança pública dos Estados do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá para coibir delitos transfronteiriços e ambientais na faixa de fronteira Norte.

Nos mesmos moldes das Operações Ágata 1, Ágata 2 e Ágata 3, foi ativado o Comando da Área de Operações Arco Norte (C A Op ARCO NORTE), com sede no Estado do Amazonas, que contará com representantes das instituições envolvidas. Esse Comando desencadeará ações preventivas e repressivas com foco nas regiões de fronteira com a Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa em uma área com aproximadamente 5.200 km de extensão.

A Operação Ágata 4 tem por objetivos reduzir a incidência dos crimes transnacionais e ambientais, as ações do crime organizado, além de intensificar a presença do Estado Brasileiro na faixa de fronteira e incrementar o apoio à população local.

Para isso, foram empregados 8,5 mil militares e civis, diversas viaturas, navios, embarcações, helicópteros e aviões para realizar ações de interdição de pistas de pouso irregulares, atracadouros clandestinos e garimpos ilegais; patrulha e inspeção naval nos rios e igarapés; bloqueio e controle de estradas; patrulhamento ostensivo; apreensão e interceptação de aeronaves suspeitas, entre outros.