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Alunos estudam em escolas improvisadas no AM

Estudando em salas improvisadas devido reforma de escola na AM-010, alunos sentem na pele a falta de infra-estrutura do local 15/02/2012 às 07:21
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Alunos do ramal não conseguem estudar corretamente na sala improvisada
Milton de Oliveira Manaus

Em três salas improvisadas, separadas por pedaços de madeira e prateleiras de ferro, telhado esburacado, goteiras em dias de chuva, sentadas em cadeiras escolares velhas e enferrujadas, crianças do ramal Água Branca I, no quilômetro 32 da AM-010 (Manaus-Itacoatiara), tentavam assistir aula na manhã de ontem, apoiando o caderno sobre as pernas, na sede da comunidade Bandeirante. É assim há quase um ano. A escola municipal Professora Joana Vieira em que estudavam, situada ao lado do espaço improvisado, está em reforma desde março do ano passado.

Iluminação precária e animais que circulam pelas salas completam a lista de dificuldades que enfrentam as mais de 100 crianças e adolescentes do ensino fundamental. “As aulas acontecem na sede desde março do ano passado, quando começaram as reformas da escola. E estão paradas desde novembro de 2011. Se não tivéssemos improvisado esse local, nossas crianças teriam perdido o ano letivo e não estariam estudando hoje”, disse a dona de casa Maria do Céu, que tem dois netos matriculados.

Na sede da comunidade, quase tudo foi improvisado para receber os alunos. A diretoria funciona em um refeitório, e um banheiro de madeira é usado por homens, mulheres e crianças.

A escola municipal está totalmente abandonada, com cadeiras, materiais de escritório e didáticos amontoados em salas, que seriam usadas para aulas e biblioteca. “Vasos sanitários e entulhos estão nos corredores, e o muro de trás não foi feito. Além disso, já foram detectados focos de dengue em lugares de água parada dentro do terreno da escola”, disse o presidente da associação comunitária do Bandeirante, João Ribeiro da Silva. Conforme a indicação na placa da obra, a reforma seria concluída em 180 dias, ou seja, em setembro de 2011, disseram os moradores do ramal. O valor foi orçado em R$ 714.547,66.

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), a reforma foi paralisada por conta do difícil acesso ao ramal. “Agora a obra está em fase de conclusão e essas etapas finais requerem prazo de cura de concreto e secagem da colocação do piso e da pintura, entre outros ajustes técnicos exigidos pela norma padrão de engenharia”, dizia a nota enviada pela secretaria. Ela informou, também, que “a previsão de conclusão da obra é para o fim do mês de março”, finalizou.

Para os moradores do ramal a comunidade foi abandonada pelo poder municipal. “Toda comunidade sabe que a pintura das paredes está deteriorada, os vasos sanitários não foram instalados, calçadas externas e de acesso à escola não foram feitas e o capim está crescendo”, disse o agricultor Tiago Albuquerque.