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Manaus
'REPÚDIO'

Alunos da Ufam planejam manifestação após caso de machismo envolvendo professor

O professor pediu que a estudante trocasse a foto do perfil do WhatsApp, porque segundo ele, "foto tirada no quarto aparenta ser uma acompanhante de luxo"; Ufam afastou docente 01/11/2017 às 17:23 - Atualizado em 01/11/2017 às 18:52
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A estudante da Ufam relatou o caso nas redes sociais. Foto: Reprodução Internet
Amanda Guimarães Manaus (AM)

O centro acadêmico do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) vai realizar na próxima segunda-feira (06), uma manifestação contra o machismo, a partir das 18h, na sede do CAD, no campus universitário, no bairro Coroado, na Zona Centro-Sul. Palestras sobre o tema também serão desenvolvidas no auditório do curso. O evento acontece após uma aluna divulgar nas redes sociais um caso de machismo envolvendo um professor da instituição.

Durante as atividades, vão ser permitidas a colagem de cartazes em diferentes locais da universidade. A coordenadora do Grupo de Estudos do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, professora Alichelly Carina Macedo, comandará os ciclos de debates.

O caso de machismo envolvendo a aluna e um professor da instituição aconteceu na semana passada. Segundo a nota divulgada pelo Centro Acadêmico de Direito da Ufam nessa terça-feira (31), a jovem teve sua condição de mulher ofendida por um docente, em virtude de uma fotografia da aluna que, na sua visão, seria inadequada, motivo pelo qual o professor  comparou a ofendida a uma “acompanhante de luxo”.

Em sua página do Facebook, a estudante relatou o ocorrido e destacou que ficou surpresa com as mensagens que recebeu. Até a manhã desta quarta-feira (1º), a postagem já tinha mais de 500 curtidas e 200 compartilhamentos.

 "Agora vem a parte até mais pessoal dessa história toda, eu me senti um lixo com isso, eu não entendi, eu duvidei de mim mesma e de tudo que eu já pensei sobre mim. O que me restou? Machismo. M A C H I S M O", disse ela, no texto da rede social.

A estudante divulgou nas redes sociais as conversas que trocou com o professor pelo WhatsApp. O docente chega a pedir para a jovem mudar a foto do aplicativo, pois segundo ele, “foto de perfil tirada no quarto aparenta que é uma acompanhante de luxo”.

Curso de Direito repudia

Ainda por meio da nota, o CAD repudiou quanto a quaisquer atitudes machistas praticadas, além de destacar que a Universidade Pública funciona por meio da harmonia entre os seguimentos, buscando sempre o respeito mútuo entre aqueles que atuam dentro daquele espaço.

O centro lamentou que anos após anos, pessoas são vítimas de preconceitos retrógados no âmbito do próprio campus universitário, sendo o preconceito racial, a homofobia e o machismo.

O CAD destacou também que “é de extrema tristeza imaginar que um agente investido em um cargo público com objetivo de fomentar e desenvolver a educação seja protagonista de tamanho desrespeito, indo de frente a todas as diretrizes e bases que se exige a uma educação de qualidade”.

O centro acadêmico ainda se comprometeu a tomar todas as medidas administrativas cabíveis para apurar e julgar os fatos apontados,

Ufam se posiciona

A Ufam, por meio da Faculdade de Direito, informou que repudia quaisquer comportamentos que desrespeitem a dignidade e a integridade das mulheres, especialmente daquelas que fazem parte desta comunidade universitária. E, por isso, posiciona-se sobre a conduta específica de um docente, na condição de substituto, que teria ofendido uma acadêmica do curso de Direito.

Ainda conforme a nota, a instituição se solidariza e tem oferecido todo o apoio à jovem desde a comunicação do fato à coordenação acadêmica do curso, na data do dia 31 de outubro.

A Faculdade de Direito destacou ainda que o professor, como já dito, está vinculado à Ufam como substituto e seu contrato de trabalho já encerraria em dezembro deste ano e que diante da conduta em suspeito, a Faculdade de Direito optou por acelerar o processo de desligamento do professor de seu quadro docente.

Por fim, ressalta que a Faculdade de Direito é ferrenha na defesa de seus alunos e não tolera esse tipo de comportamento, inaceitável em qualquer âmbito da sociedade. Por fim, reitera seu apoio a qualquer aluno que precise de seu amparo jurídico, intelectual, moral e psicológico.

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