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Amazonas não é habilitado para fazer transplante de coração

O Estado só é autorizado pelo Ministério da Saúde a realizar coleta e transplante de dois órgãos: Córneas e Rins o que dificulta a doação de órgãos na região 23/02/2012 às 07:44
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Alguns órgãos de Wellen da Silva não poderão ser transplantados
Florêncio Mesquita Manaus

A tragédia que atingiu a família da estudante Wellen Frances Barbosa da Silva, 12, vítima de bala perdida, chamou a atenção da sociedade no último fim de semana pela falta de segurança, mas agora também revela outra situação: a limitação da estrutura médica do Estado para a realização de transplantes de órgãos. A família de Wellen queria doar a maior quantidade de órgãos possível para ajudar pacientes que há anos estão na fila de espera. No entanto, o Amazonas está habilitado e capacitado pelo Ministério da Saúde a fazer apenas dois tipos de coleta e transplante de órgãos: Córneas e Rim. Os demais órgãos como coração, por exemplo, acabam não sendo aproveitados.

Atualmente aproximadamente 420 pessoas no Amazonas aguardam na fila para receber um transplante de rim. Outras 120 pessoas esperam por um transplante de córneas.  Um pesquisa realizada no ano passado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos no Registro Brasileiro de Transplantados revelou que o rim é o órgão mais utilizado em transplantes no País.

De acordo com a médica e coordenadora estadual de transplantes, Leny Passos, mesmo que haja doador é quase impossível retirar um coração, em Manaus, e enviar para outro Estado por conta do tempo. Ela explica que o coração só pode ficar em uma temperatura diferente do corpo humano por um período de no máximo seis horas. "É um fato logístico que vamos ter que resolver. O coração na aguenta muito tempo por isso o procedimento é tão delicado. Se fosse enviado para o Rio Grande do Sul, por exemplo, levaria 12 horas para chegar lá e o coração seria perdido. Se recolhêssemos um coração em Manaus para enviar para São Paulo seriam seis horas de viagem. São detalhes que inviabilizam o transplante", disse.

Ela ressalta que o transplante cardíaco deve ser feito de preferência com o doador e receptor no mesmo hospital para que o procedimento seja feito no menor tempo possível.

Segundo Leny, não é só o coração que tem pouco para ser transplantado. O fígado, por exemplo, tem oito horas para ser retirado e implantado no receptor. Já o rim tem 32 horas e as córneas tem cinco dias para serem  usadas.

Para resolver a questão e ampliar a rede de transplante no Estado, a Susam informa que a meta é começar a fazer o transplante de fígado e coração até o fim deste ano. As equipes que atuarão estão sendo treinadas desde o ano passado em parceria com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e já passaram por vários cursos entre eles, o de Formação de Coordenadores Hospitalares de Transplantes para médicos intensivistas. Cerca de 100 profissionais de saúde já foram capacitados com os cursos para operações de captação e transplante de órgãos. 

Segundo a Susam, os pacientes que precisam de órgãos que não são transplantados pelo Estado são atendidos por meio do programa de Tratamento Fora do Domicilio (TFD). Eles recebem atendimento do serviço de saúde do Amazonas e são encaminhados para outro Estado habilitado para esse tipo de transplante quando há doador compatível.