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Amazonas no vermelho em geração de emprego

Passados três meses, o Estado ainda não gerou empregos. Muito pelo contrário, apresenta saldo negativo no período 17/04/2012 às 08:19
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Setor de Duas Rodas está entre os que mais demitem na indústria local
Cimone Barros Manaus (AM)

O Amazonas ainda não gerou emprego este ano, pelo contrário: está demitindo. De acordo com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no primeiro trimestre deste ano o Estado teve um desempenho negativo de 1.387 postos de trabalho com carteira assinada, resultado das admissões (50.629) menos as demissões (52.016). No mesmo período de 2011, foram criados 13.525 empregos celetistas. Só em março de 2012 foram eliminados 761 postos, uma retração de 0,76% comparada ao estoque de assalariados do mês anterior.

No acumulado de 2012, a retração no emprego foi puxada principalmente pelos setores da indústria de transformação (- 1.619 devido à influencia de fatores relacionados à indústria de material de transporte com redução de 798 postos e à indústria mecânica com -623 postos) e do comércio (-1.020). Os serviços, por outro lado, vêm segurando as contratações, com um saldo de 1.320 postos.

O resultado deste trimestre é o pior desde 2009, quando foram eliminados 13.942 postos no mesmo período. Na época, o Amazonas, que tem a economia baseada no desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), sofria com a crise financeira internacional iniciada em setembro do ano anterior.

De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, além da sazonalidade do período, a indústria brasileira e o PIM sofrem com a concorrência dos importados, com o dólar em baixa e com o custo Brasil. Aqui, os segmentos de arcondicionado, motocicletas, CD/DVD e componentistas são os mais prejudicados.

“A situação é complicada, preocupante. As medidas do governo para tentar preservar a competitividade dos produtos no mercado interno e o emprego  não tiveram efetividade. E a nossa perspectiva é de que continuaremos nesse ritmo nos próximos meses”, disse Périco.

Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag,  o ritmo de vendas vem diminuindo, mas a retração no emprego no setor está dentro do normal. Para o Dia das Mães, o segmento espera contratar 600 pessoas. “Contratamos muito no fim do ano e mediante isso vamos demitindo. Essas demissões são turn over, entrada e posterior saída dos funcionários, principalmente dos que não tem qualificação”.

Março

A retração de -761 postos, em março, foi influenciada pela indústria de transformação (-  806 postos devido à influência de fatores relacionados à fabricação de ar condicionado, com a redução de 357 postos e à fabricação de motocicletas com -177 postos) e da construção civil (-140 postos). Em igual mês de 2011 foram gerados 3.854 empregos celetistas.

Trimestre com pior resultado

No Brasil, foram gerados 442.608 postos de trabalho formais nos três primeiros meses  ante 583.886 em igual período de 2011, uma queda de 24,1%. Este é o pior resultado para trimestre desde 2009, quando foram fechados 57.751 empregos com carteira assinada. Na ocasião, o País sentia os efeitos da crise financeira.

O recuo acontece, novamente, em um momento de desaceleração da economia mundial e, também, doméstica. Dados do Banco Central indicam que o nível de atividade recuou, em fevereiro, pelo segundo mês seguido.

Já em relação ao mês de março, foram gerados 111.746 postos formais de trabalho, alta de 20,57% frente a igual mês de 2011 (mais 92.675 vagas formais). Segundo o MTE, o resultado mantém a tendência de expansão do emprego, assinalando, pela primeira vez, a partir de julho de 2011, uma elevação superior ao mesmo período do ano anterior. Foram 1.881.127 admissões e 1.769.381 desligamentos, ambos os maiores para o período.

Blog

Frank Souza, vice-presidente do Sindicato da Construção Civil.

 “O saldo de 16 postos, neste primeiro trimestre, na construção civil, mostram que alguma grande obra encerrou. Já se levarmos em consideração que no mesmo período de 2011 geramos 1.201 empregos, a queda (98,6%) é reflexo principalmente da conjuntura econômica do País, que é menos favorável, e da diminuição no lançamento de novas obras. Isso se deve especialmente às mudanças nos níveis do Programa Minha Casa, Minha Vida. Nessa segunda etapa, 60% dos recursos são destinados para as famílias de zero a três salários mínimos; na primeira eram 40%. E isso é mais difícil, acaba sendo um limitador para lançarmos muitas obras. Este ano, o que vemos é a continuidade das obras lançadas no ano passado. Em 2011, tivemos um crescimento do setor de 11% e este ano a estimativa é de 6%.”