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Amazonas pretende desencadear ações de testagem de doenças em pacientes haitianos

Governo do Amazonas vai encaminhar documento ao Ministério da Saúde sobre problemas relacionados à saúde dos imigrantes haitianos 01/02/2012 às 08:01
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HIV, Sífilis, Hepatite A, B e C, Leishmaniose, Malária e Cólera são algumas das doenças que deverão ser monitoradas
Júlio Pedrosa Manaus

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) já estuda uma forma de conseguir desencadear uma ação de testagem para diversas doenças infectocontagiosas que podem estar acometendo a população de haitianos recém-chegados ao Brasil, via Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), principalmente para HIV, Sífilis, Hepatite A, B e C, Leishmaniose, Malária e o Cólera.

No total, nove haitianos já se encontram internados e em tratamento na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas. Quatro estão com diagnóstico confirmado de Hepatite C e cinco apresentaram outros tipos de infecções oportunistas decorrentes do HIV. “A situação é preocupante à medida em que aumenta o número de casos de pacientes que já chegam à unidade com infecções oportunistas instaladas, o que demonstra a necessidade de ações urgentes de diagnóstico e prevenção”, avalia a diretora-presidente da FMTAM, Graça Alecrim.

 Os pacientes haitianos internados com Aids apresentam quadros graves, associados a doenças oportunistas - um com leishmaniose, dois com tuberculose e um com insuficiência renal.

O fato de ser um país pobre e que não possui um sistema de saúde organizado faz do Haiti um celeiro de doenças sem notificação oficial nem parâmetros que possam auxiliar as autoridades de saúde e os médicos a fazer projeções sobre a incidência das doenças. “Desconhecemos o perfil epidemiológico das doenças no Haiti e o histórico dos pacientes, por conta de falta de informações oficiais. Não sabemos precisar, por exemplo, se os pacientes com HIV já chegaram com doenças como leishmaniose, tuberculose ou sífilis, ou se adquiriram esses males aqui”, explica o diretor do Departamento Clínico da FMTAM, Antonio Magela. Outra dificuldade é a de prover a rede pública de saúde de insumos necessários ao atendimento de doenças como a Hepatite C, que exigem medicamentos de alta complexidade.

Um documento está sendo elaborado em conjunto pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Fundação de Medicina Tropical e Fundação Alfredo da Matta, para se encaminhado ao Ministério da Saúde informando sobre a situação. “Estamos agindo de forma preventiva de modo a podermos, num futuro próximo, enfrentar um aumento na demanda sem prejudicar o atendimento”, afirma Graça Alecrim. Outro agravante é o fato de que muitos haitianos que se encontram em Manaus já estão se relacionando com a população local e, devido à ausência de campanhas em seu país de origem, eles não têm o uso do preservativo como hábito.

 De acordo com Antonio Magela, nenhum dos pacientes que chegaram ao hospital com quadro grave de HIV tinham ciência de que eram portadores do vírus da Aids. “O teremoto no Haiti aconteceu no dia 12 de janeiro de 2010. Aqui em Manaus, eles começaram a chegar há cerca de um ano e meio e somente em dezembro recebemos a primeira paciente haitiana, que chegou com quadro avançado de tuberculose”, afirmou.

Doentes acreditam que são vítimas de ‘feitiço’


O medo de serem deportados por estarem doentes e o fato de acreditarem que ao tomarem conhecimento do diagnóstico não terão como se tratar podem estar levando os haitianos que chegam a Manaus a evitar a procura da rede pública de saúde. “Duas situações podem estar colaborando para a baixa procura: o fato deles acharem que não adianta procurar o sistema de saúde, com base na experiência do seu país, e muitos acreditarem que estão doentes por feitiço e até cogitam até a possibildade de voltar ao Haiti para desfazer o trabalho de Vudu”, afirma o chefe do Departamento Clínico da FMTAM, Antonio Magela, que é infectologista.

O medo de ser deportado ou de ser rejeitado pela comunidade local por conta da doença foram relatados, segundo Magela, pelos próprios pacientes internados na unidade. “Estamos contando com a ajuda das equipes da Residência Médica, onde temos profissionais que falam francês e também da representante da Igreja Católica, que estão acompanhando os pacientes e falam o creóle”, afirma o infectologista.

Cólera

Reunidos nessa terça-feira(31) na sede da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), representantes da FVS, FMTAM e FUAM, deram início às discussões que vão culminar com a elaboração de um plano de ação preventiva para enfrentar a situação. Um das ameaças mais temidas é a da reintrodução do vibrião colérico - já erradicado do Estado - por meio da contaminação pelas fezes.