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Manaus
PROFISSÃO

Amazonense que trabalha como alpinista há sete anos fala sobre os desafios da profissão

Eliane Souza era camareira quando se interessou pelo alpinismo, profissão dominada pelo homens 18/10/2017 às 10:38 - Atualizado em 18/10/2017 às 16:51
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(Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Vanessa Marques Manaus (AM)

Força, inteligência, coragem e feminilidade são alguns dos adjetivos dados às super heroínas do cinema ou quadrinhos, mas aqui se aplicam perfeitamente à personagem da coluna NÃO CRISA dessa semana. Eliane Souza Almeida, de 35 anos, é alpinista há sete anos e faz o que nenhuma outra mulher faz em Manaus: passa o dia presa a uma corda, trabalhando no alto dos prédios em serviços que são normalmente atribuídos a homens. E tudo começou por um acaso, um exemplo de quem não queria viver na mesmice da antiga profissão.

Lá no alto ela faz pinturas das fachadas, limpeza de vidros e serviços de construção civil com uma habilidade e naturalidade como se estivesse com os pés no chão. “O trabalho é muito tranquilo, sem pressão”, garante.

Eliane nunca teve medo nem de altura e nem de trabalho. Antes de se tornar alpinista e mesmo com qualificações para atuar em outras áreas, aceitou um emprego de serviços gerais em um hotel. Um dia, ela ficou admirando a equipe de alpinistas que trabalhavam na limpeza da fachada e foi desafiada a fazer o mesmo.


​Foto: Euzivaldo Queiroz

“Fui num dia de folga, recebi as instruções e no fim da tarde o chefe da equipe disse que eu podia pedir demissão do meu emprego, que eu estava contratada na empresa dele”, lembra Eliane, que recebeu nos meses seguintes diversos cursos e treinamentos sobre o trabalho nas alturas como NR 35, bombeiro civil e resgate avançado em altura.

E quem acha que o trabalho de Eliane se limita a fachadas de prédio, se engana. Além do serviços em empreendimentos na cidade, ela também trabalha com instalações de torres de transmissão de internet com mais de 250 metros de altura no interior do Estado. Em Manaus, os alpinistas ganham até R$ 5 mil.

Desconfiança

Mesmo com todas as demonstrações de coragem, a alpinista no início teve a desconfiança dos colegas e até sofreu preconceito por ser mulher e por estar trabalhando em um atividade dominada por homens.

“Eles questionavam os patrões da época o porquê do meu salário ser igual ao deles já que eu era mulher, mas graças à Deus esse tipo de pensamento não era o mesmo dos chefes que sempre me viram como uma profissional competente”.

Demorou, mas Eliane conseguiu o respeito e admiração dos colegas que já não se sentem ameaçados pelo trabalho realizado por ela.


Foto: Euzivaldo Queiroz

‘Toda mulher pode fazer’

Em Manaus, até existem outras mulheres atuando como alpinistas, mas realizando serviços menores, como limpeza de vidro e instalação de pastilhas, mas apenas Eliane trabalha em diversas atividades dentro do alpinismo.

De acordo com ela, mais mulheres poderiam estar trabalhando na profissão. “O diferencial aqui é só não ter medo de altura, o resto toda mulher pode fazer e melhor que muito homem”, diz Eliane, que sempre que pode leva os equipamentos para eventos comunitários e assim divulgar a profissão. “Quem sabe não temos ali mais meninas corajosas”, conclui.