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Manaus
DESGOSTO

'É uma sensação de desesperança', dizem amazonenses que anularam votos

Descontentamento com o atual cenário político e com os dois candidatos para o pleito são alguns dos motivos. No primeiro turno, 40% do eleitorado decidiu não votar ou não escolher nenhum dos 9 candidatos 27/08/2017 às 13:42 - Atualizado em 27/08/2017 às 14:23
Show idosos
Em compensação, idosos ressaltam importância do voto mesmo sendo facultativo (Foto: Márcio Silva)
Rebeca Mota Manaus (AM)

O desgosto do eleitor amazonense com o atual cenário político local e com os dois nomes postos para o segundo turno da eleição suplementar para o governo do Estado faz com que algumas pessoas votem em nulo ou branco, como o caso da estudante Margareth Alvarenga, 40, que pela a insatisfação das propostas dos candidatos resolveu votar nulo.

“Nenhum dos dois candidatos merece o voto de ninguém, cada um está com a ficha mais suja do que a outra, por isso nenhuma dessas pessoas podem representar o povo do Amazonas, precisamos de novos candidatos que realmente possamos confiar”, revela Margareth.

O estudante Igson Silva também resolveu votar nulo. “Eu não estou satisfeito com nenhum dos candidatos, teve um que ainda não foi ao debate. Do jeito que a política atual está o Brasil não vai seguir em frente, devia existir mais sinceridade no que eles falam e honestidade nas atitudes ”.

Inconformado com a corrupção no Brasil e não aceitar velhos políticos o estudante Caio Alves, 23, conta que votou nulo. “Sempre são as mesmas pessoas, realizando os mesmos trabalhos, uma renovação eu esperava, mas não é o caso de hoje. Nenhum dos candidatos do segundo turno me agrada o suficiente para eu dar meu voto neles. A melhor saída é o voto nulo”.

A vendedora Luiza Rodrigues enfatiza que votou nulo e não se arrepende. ”Já tivemos várias experiências com esses dois candidatos, eles não criam em mim expectativa e nem esperança para que façam coisas diferentes nesses próximos anos. É uma situação de desesperança, não sabemos mais em quem confiar, são mesmas pessoas, o mesmo jogo político, apenas com grupos de interesse pelo o dinheiro do povo”, declara.

No primeiro turno, 40% do eleitorado decidiu não votar ou não escolher nenhum dos nove candidatos. No total foram 569.501 (24,35%) de abstenção, eleitores que deixaram de votar. Votos brancos somaram 61.826 (3,49%) e votos nulos, 218.201 (12,33%). Ao todo foram 1.489.358 (84,17%) votos válidos.

Neste domingo (27), os amazonenses estão indo às urnas para escolher o governador-tampão tendo de optar entre os candidatos Amazonino Mendes (PDT), de 77 anos, e Eduardo Braga (PMDB), 56 anos, dois símbolos do grupo político que se reveza no poder desde a década de 1980. Criador e criatura agora duelam por um mandato de 14 meses após o ex-governador José Melo (Pros) e seu vice, Henrique Oliveira (PR), terem sido cassados por compra de votos na disputa de 2014.

Deficientes e idosos não medem esforços

Idosos e deficientes estão indo às urnas na manhã deste domingo (27) para escolher o seu governador. Apesar de ser um voto facultativo, muitas pessoas acima de 70 anos fazem questão de comparecer na busca de ajudar a eleger o seu candidato.

Exemplo disso é o casal Ariadne e Raimundo Fernandes, 70 e 78 respectivamente e afirmam que nunca deixaram de votar, sempre gostariam de contribuir com a decisão do seu estado.

“Já somos acostumados a votar, enquanto estivermos com vida vamos estar votando. Até minha mãe de 89 anos me ligou disse que vai votar também”, conta Ariadne.

“Essa política não está nada boa, precisa de políticos melhores, mas vou continuar votando na expectativa de encontrar honestidade nesse Brasil, já estou me planejando para votar para presidente”, revela Raimundo.

Alguns deficientes encontraram dificuldades para chegar até a sala de votação na Universidade Nilton Lins, localizado no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus, como o caso do deficiente motor, Raimundo Mendes, 25, que conta que o caminho é muito longe. “Hoje praticamente somos obrigados a votar, o caminho é longo e dificultoso, temos que das longas caminhadas por ser muito grande o lugar que eu voto”.

O deficiente visual, José Veiga, 61, explica que só conseguiu votar, pois estava acompanhado. “O caminho aqui é arriscado, o estacionamento fica longe. Não tem piso tátil para andar com a moleta, mas é meu dever está aqui votando, quero contribuir para o lugar onde vivo”.

O cadeirante Sergio Reche, 57, conta que há três anos é deficiente físico, mas nunca deixou de votar. “Eu voto todas às vezes, pois primeiro eu sinto que é uma obrigação minha e depois que eu quero escolher o candidato da minha preferência”.