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Manaus
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Amazonenses têm vocação fluvial

Para coordenador de curso universitário, a localização geográfica do Amazonas e os elementos naturais favorecem a formação desde que ela seja aliada à tecnologia 11/02/2012 às 14:31
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Acadêmicos e professores do curso de Tecnologia em Construção Naval da Ceulm/Ulbra
Milton de Oliveira Manaus

Fazendo uma analogia a afirmações de alguns historiadores que dizem que a vocação de Portugal estava para o mar, o coordenador do curso superior de Tecnologia em Construção Naval do Centro Universitário Luterano de Manaus (Ceulm/Ulbra), Daniel Dias, afirmou que a vocação da população do Amazonas está para a formação fluvial devido a sua localização geográfica e aos elementos naturais que rodeiam a cidade.

“O povo amazonense tem potencial para a navegação e para a construção de navegações. Mas para que esse potencial seja concretizado é preciso uma formação tecnológica. O que o caboclo amazonense tem, neste momento, são os conhecimentos tradicionais, empíricos, que foram passados de pai para filho”, destacou o coordenador.

Da canoa às balsas
Há três anos e meio no curso de Tecnologia em Construção Naval da Ceulm/Ulbra, o estudante natural de Iranduba – localizado a 35 quilômetros de Manaus -, Robson Araújo, 47, é um dos 15 alunos da instituição que vai concluir o curso no próximo mês de junho.

“Meu pai construía pequenas embarcações e meu mundo no interior era formado por canoas, pesca e agricultura”, disse ele.

Aos 18 anos de idade, Robson conseguiu um emprego de despachante de barcos, com o qual ele pagava as despesas do ensino fundamental. Ao concluir o ensino médio, ele foi trabalhar como comandante de embarcação.

“Um dia, um amigo me falou do curso de Engenharia Naval, onde ensinavam a fazer projetos para a construção de embarcações, portos e outras coisas relacionadas com o meu mundo. Então, decidi entrar no curso”, contou.

Novo Airão
Segundo o coordenador pedagógico do curso de Tecnologia em Construção Naval da UEA, Alex Monteiro, 90% dos alunos da instituição são de Novo Airão – localizado a 115 quilômetros de Manaus.

“O curso possui turma única de 43 estudantes e todos são do interior. Futuramente, teremos grandes engenheiros locais”, concluiu.

Projeto
Em Manaus, além do Ceulm/Ulbra, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também oferece o curso. A Faculdade de Tecnologia da Ufam informa que a instituição pretende encaminhar ao MEC, até maio deste ano, um projeto sobre o curso.