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Amazonino Mendes anuncia quebra de contrato com a Águas do Amazonas

Segundo Amazonino, a decisão de contratar uma nova empresa em substituição a Águas do Amazonas foi um “trabalho silencioso” que durou um ano e contou com a ajuda do governador do Estado, Omar Aziz (PMN) 16/05/2012 às 10:15
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Prefeito Amazonino Mendes anunciou quebra de contrato com a concessionária Águas do Amazonas
André Alves Manaus

O prefeito Amazonino Mendes (PDT) informou, hoje, que a concessionária Águas do Amazonas está fora do sistema de abastecimento de água em Manaus. O anúncio oficial, segundo ele, será feito na próxima quinta-feira (17). De acordo com o prefeito, o problema de distribuição de água na cidade "está resolvido".

"A Águas do Amazonas deixou de fazer os investimentos que deveria fazer. Foi tudo facilitado para ela. Dilataram os prazos. Protelaram os prazos. Tiraram as prioridades. Afrouxaram e mesmo assim ela não foi correta”, disse Amazonino Mendes. “Daí a minha decisão de tirá-la. Com ela, nós não vamos chegar a lugar nenhum”, sustentou.

Segundo ele, a decisão de contratar uma nova empresa em substituição a Águas do Amazonas foi um “trabalho silencioso” que durou um ano e contou com a ajuda do governador do Estado, Omar Aziz (PMN). Conforme Amazonino Mendes, Omar faz um governo difícil e, para ele, “está sendo um herói”.

O prefeito afirmou que “forças ocultas” tentaram atrapalhar o processo de substituição da atual concessionária de água de Manaus. “Tudo o que eu fazia na Prefeitura era sabotado. Eu não podia falar. Quando eu falava sempre ouvia que forças ocultas, por trás das bombas, de forma direta ou indireta, criavam problema. Então, fui vendo aquilo, me calei. Mas, quinta-feira vocês vão saber”, comentou Amazonino Mendes.

As declarações foram dadas logo após o prefeito participar da entrega do título de “Cidadão do Amazonas” ao secretário de Estado de Representação do Governo do Amazonas em Brasília, Mário Melo. A homenagem foi prestada pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE/AM) no Plenário da Casa.

Ainda de acordo com Amazonino Mendes, “ninguém precisa do Proama pra botar água em Manaus”. “É mais uma tomada d’água, mais uma estação de tratamento. Isso não é desprezível. É uma coisa boa para uma cidade que cresce muito. Mas, agora, não seria, a rigor, necessário, nós nos utilizarmos dele para pôr a água. O que tinha que ser feito era obrigar a empresa a fazer os investimentos que deixou de fazer, que não fez”.


Veja a seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Amazonino Mendes à imprensa na última terça-feira:

CRÍTICAS À ‘ERA BRAGA’

“Pela primeira vez nos últimos 20 anos, Manaus, a Prefeitura, não tem ajuda do governo do Estado, não tem Ação Conjunta. Pela primeira vez, uma cidade com dois milhões de habitantes, metade da população do Estado, orçamento que é um quarto do orçamento do Estado, tudo aqui é problema. Não tem ajuda. Como é que pode? Quando eu estava no governo, está aí tudo para provar, os viadutos, tudo é dinheiro que eu dava como governador, para o prefeito fazer, para o prefeito executar. Isso acabou! Com a era Eduardo Braga isso foi para o espaço”.

ORÇAMENTO

“Eu entendo que a Prefeitura de Manaus tem direito a reclamar quase dois bilhões com relação ao Estado, porque houve o problema de Coari e há um outro problema sério da aplicação da distribuição do ICMS, que eu não quis falar nem tomar nenhuma atitude, que vai comprometer muito o governo, e eu sou um homem  mais maduro, sou mais velho e acho que a gente tem que cuidar desse assunto com muita parcimônia, com muito equilíbrio, com muita calma”.

ÁGUA: POLITICALHA X PICARETAGEM

“Convivi com o problema da água que depois de amanhã (quinta-feira) eu vou chamar vocês todos e dizer que eu resolvi. Vou dizer pra vocês: ‘tá aqui! Resolvi!’ Comecei lá atrás. Há 12 anos, e agora to dando o xeque-mate final. ‘Está aqui. Estou entregando pra vocês a solução final do problema da água de Manaus. Não com politiquice, politicalha, papo, conversa, que a água virou pão político para os picaretas. Não sou picareta. Eu tenho uma história. Não faço política com picaretagem”.

ELEIÇÕES 2012

“Não sou candidato à reeleição em respeito ao povo e a mim porque eu estou esgotado. Se eu me candidatar, digamos, ganho a eleição, continuo na Prefeitura, eu não sei se eu agüento. Não sei. Porque a carga foi pesada demais. Então, eu não posso ser desonesto comigo e muito menos com o povo, com a população. Ser prefeito por ser prefeito? Ser prefeito só para dizer que é o bom? Só para dizer que é o bacana? Não é o meu jeito e eu acredito que a gente tem que fazer uma reflexão e vou aproveitar essa campanha pra gente fazer uma coisa nova que nunca aconteceu nesse Estado, nessa cidade...

‘POLITICAGEM’

“A politicagem tomou conta de tudo. É só fazer uma reflexão. Nós esquecemos os problemas. Ninguém discute realmente os problemas. Você abre o jornal pra ler é só fuxico político mas não tem discussão técnica de problemas. Nós temos que abrir os olhos. Nós estamos com um problema gravíssimo em relação à Zona Franca de Manaus. O futuro. Será que ninguém enxerga isso? Tem tanto panos pra manga pra discutir. A China está acabando com a Indústria Brasileira e acabando com a nossa Zona Franca. Nós temos que ter uma postura maior, de estadista. Eu ressalvo a figura do governador atual que demonstrado a mim, às fartas, que é um cara profundamente interessado em fazer um bom governo. Agora, ele precisa ter os instrumentos pra isso. Ele precisa ser ajudado para isso”.

CRÍTICA A DEPUTADOS E SENADORES

“A própria classe política tem que fazer uma reformulação de comportamento para ajudar. O que é que estão fazendo os deputados federais? Senador é só pra ser queridinho da Dilma e do governo federal? Ou o senador tem que começar a mostrar a sua qualificação política, superior, de estadista, para ajudar? Eu falo senadores, não estou falando senador. Estou falando em tese. Não me refiro a ninguém”.

DÍVIDAS DO ESTADO

“Como é que nós gastamos? Temos que analisar nossos gastos. Vocês não sabem, mas são R$ 800 milhões que o Estado do Amazonas manda para a lata do lixo todo ano. Porque é a amortização da dívida e juros da dívida que estamos pagando. R$ 800 milhões por ano. Vocês sabem quanto o Estado do Amazonas tem para investir, para atender municípios do interior, desenvolver o interior, resolver problemas de saúde, educação, etc... Temos R$ 800 milhões exatamente. A luz vermelha está acesa. A gente gasta dinheiro com uma ponte e adora essa ponte, vamos passear, achamos que é o máximo, que é maravilhoso. Não ta sabendo que as conseqüências já começaram. Você paga R$ 800 milhões por ano que podia ter mais escola, mais hospital, mais remédio, mais intervenção cirúrgica, melhoria do sistema de transporte dessa cidade que está asfixiada. Nós pegamos um campo de futebol que era bom, derrubamos esse campo de futebol, jogamos fora, derrubamos. Terra arrasada, para não ter mais como recuperar. Para fazer um monumento aí gigantesco para ter três jogos numa copa num Estado que nem futebol tem. Isso não é de graça. Isso a gente paga. Se hoje nós estamos pagando R$ 800 milhões, daqui a pouco estamos pagando R$ 1,2 bilhão, R$ 1,5 bilhão por mês. Isso é sangue nosso. É a vida nossa. É o futuro nosso. É a vida dos nossos filhos. Eu nunca quis abrir a boca pra falar pra valer. Então, não sei nem porque que estou falando aqui (risos). Mas são coisas que a gente tem que discutir de forma impessoal, sem agredir A, B ou C. sem dizer que fulano ou sicrano está errado. Não interessa. Não interessa o erro das pessoas. Interessa a gente abordar os erros”.

PAUTA DA MÍDIA

“Me causa uma tristeza enorme, a maior de todas as tristezas, a pauta da mídia. É a pauta dos jornais, é a pauta dos meios de comunicação. As perguntas que vocês fazem, com que vocês de preocupam, o que vocês colocam. Honestamente, não é uma crítica a vocês. Vocês não têm nada a ver com isso. Mas, urgentemente, nós temos que colocar os assuntos que são realmente necessários, pertinentes pra nós. Nós não podemos viver de fuxico político e nem tão pouco de suposições políticas”.

SAÚDE

“Está boa. Está tranqüila. Está bacana. Eu não posso é sair correndo como um garoto. O que eu estou é exaurido, é cansado. O pessoal está confundindo cansaço, exaustão, com doença. Eu não estou doente. Vocês estão vendo”.

AFASTAMENTO DA POLÍTICA

Não. Nasci político. Vou morrer político”.