Publicidade
Manaus
Manaus

Ambulantes não se sentem intimidados e vendem produtos piratas no Centro de Manaus

É possível comprar produtos falsificados de marcas famosas em todas as esquinas da cidade. Fiscalização faz ‘vista grossa’ 06/08/2012 às 07:58
Show 1
Ambulantes e camelôs dispõem de mercadorias de grifes ao gosto do freguês. CDs, DVDs e celulares são os mais procurados
jornal a crítica Manaus

Produtos falsificados, contrabandeados e piratas estão cada vez mais expostos e à vista da população no Centro de Manaus. Além de camelôs, vendedores ambulantes não se sentem intimidados em comercializar mercadorias de origem duvidosa, pois, muitas vezes, não é revelada por eles, uma vez que a prática é considerada crime.

Bolsas e roupas de grifes famosas, CDs, DVDs, jogos de videogames, programas de computador e aparelhos eletrônicos, como celulares, estão visíveis para todos que circulam pela área.

Na rua do Comércio, vendedores ambulantes, sem a devida autorização do órgão responsável para comercializar no Centro, improvisam a venda de CDs e DVDs piratas em cima de tabuleiros de madeira facilmente desmontáveis para evitar problemas com a fiscalização.

Além de filmes que ainda estão sendo exibidos nos cinemas, também são reproduções de shows e novelas em DVDs.  Vendem, ainda, CDs piratas com jogos para videogames e programas para computador.

Os vendedores nem se dão conta e desconhecem que estão sujeitos a punições que podem levar até mesmo à prisão. A lei federal 9.609, por exemplo, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização, prevê pena de um a quatro anos.

O mesmo tipo de comércio ilegal é visto, sem timidez, nas ruas Quintino Bocaiúva, Guilherme Moreira, Marcílio Dias, Marechal Deodoro, Doutor Moreira, José Paranaguá, Henrique Martins e avenida Eduardo Ribeiro.

A todo o momento é possível observar pessoas que preferem comprar mercadorias pirateadas e falsificadas. A justificativa é unânime: os preços desses produtos, abaixo do valor de mercado, são as vantagens que atraem. “Nas lojas ou até mesmo em sites de compras os preços de CDs e DVDs são mais caros, enquanto que aqui sai muito mais em conta e é a mesma qualidade de imagem”, argumentou uma estudante que preferiu não se identificar.

A jovem conta que costuma comprar reproduções de filmes e shows pirateados quase toda semana pagando R$ 5 por três unidades e assume que sabe que a venda é crime, mas que existe porque os vendedores e consumidores desses produtos não são fiscalizados rigorosamente.

Nas ruas José Paranaguá e Quintino Bocaiúva, vendedores ambulantes chegam a espalhar no chão as blusas de grifes famosas dentro das embalagens. Os preços das unidades variam de R$ 20 a R$ 30, mas nas lojas custam mais de R$ 150. Mesmo sem saber, um vendedor ouvido por A CRÍTICA se negou a informar a origem das blusas.

Já nas ruas Guilherme Moreira, Marcílio Dias e Henrique Martins camelôs expõem livremente bolsas de marcas luxuosas que em lojas chegam a custar mais de R$ 1,5 mil, enquanto que eles chegam a cobrar, no máximo, entre R$ 120 e R$ 150.

Celulares à vista a preço de ‘banana’
Já na rua Marechal Deodoro, até mesmo perfumes de marcas registradas são vendidos livremente. Ambulantes chegam a colocá-los dentro de pratos de isopor e embalar com plástico.  Na rua Marquês de Santa Cruz, pacotes de cigarros são vendidos por camelôs que nem sempre revelam a origem do produto.

Mas em meio aos avanços da tecnologia, celulares são cada vez mais procurados pela população e também são os mais escolhidos para serem contrabandeados. Um vendedor informou a A CRÍTICA que os aparelhos vêm de outros países e que seria esse o motivo de não terem certificado de garantia e nota fiscal. Ele chegou a cobrar R$ 300, em dinheiro, por um celular com capacidade para dois chips e Internet que custa até R$ 700 numa loja.

O relatório do “Brasil Original”, também divulgado em dezembro de 2011, revelou um aumento expressivo no valor das apreensões entre os anos de 2004 e 2010. O documento tem o objetivo de reunir os resultados da política de combate à pirataria no Brasil.

Incomunicáveis
A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab) pelo 9112-XX27 e com o delegado-geral da Receita Federal em Manaus, Leonardo Frota, pelo telefone 9126-XX60, mas ambos estavam desligados ou fora da área de cobertura.

Os mais vendidos
Entre 2010 e 2011, cigarros, CDs e DVDs estavam no topo do ranking dos produtos piratas e contrabandeados mais apreendidos no Brasil, conforme o último levantamento do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), do Ministério da Justiça, divulgado em dezembro do ano passado. Nesse período, foram apreendidos 5,79 milhões unidades de CDs e DVDs no País;

Apreensões
Também estiveram no ranking os produtos eletrônicos. Foram 285 mil unidades retiradas do comércio ilegal.  Segundo o levantamento do CNCP, de 2010 para 2011, houve um aumento no número de apreensões de cigarros falsificados. A quantidade de pacotes apreendidos elevou de 3,42 milhões para 4,52 milhões.