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Apesar das conquistas mulheres são minoria na política

Minoria feminina no Senado e na Câmara Federal, em 80 anos, reflete a falta de políticas públicas para as mulheres no Brasil 08/03/2012 às 08:18
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Vanessa Grazziotin foi campeã de votos
ANTÔNIO PAULO Brasília

Nas comemorações dos 80 anos da conquista do direito ao voto das mulheres brasileiras, uma exposição da Câmara dos Deputados traz dados históricos que refletem a discriminação da mulher na política. Entre 1933 e 2012, apenas 176 deputadas federais foram eleitas no Brasil e o Amazonas contribui para essa triste estatística com apenas seis parlamentares do sexo feminino no período. O direito ao voto veio em 1932 por meio de decreto do presidente Getúlio Vargas.

As primeiras estréias amazonenses na Câmara dos Deputados foram na Assembleia Nacional Constituinte (1987-1991) com a eleição de Beth Azize, Eunice Michilles e Sadie Hauache. Mas, o Amazonas inaugurou a galeria feminina, em 1979, com Eunice Michilles, quando ela se tornou a primeira senadora eleita do Brasil ao ocupar a vaga do titular João Bosco Ramos de Lima, eleito em 1978, que morreu no início do mandato.

Somente Beth Azize foi reeleita depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, obtendo um segundo mandato entre 1991 e 1995. Naquela eleição, apareceu o nome da juíza federal Alzira Ewerton que desbancou Beth e ganhou a vaga.

Mas, a magistrada amazonense foi deputada de apenas um mandato, pois, em 1999, surgiu no cenário político feminino nacional a vereadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Vindo de dois mandatos na Câmara Municipal de Manaus, a comunista foi a única mulher eleita de uma bancada de oito deputados federais. Na reeleição, em 2002, foi a mais votada do Estado, com quase 200 mil votos. Na Câmara, Grazziotin ainda teve o terceiro mandato, quando, em 2010, conquistou uma das duas vagas ao Senado, na chapa de Eduardo Braga, derrotando Arthur Neto (PSDB).

“Uma de nossas lutas, no Parlamento, sempre foi a igualdade de gênero. Por isso, na reforma política propus a lista pré-ordenada e alternância dos nomes masculinos e femininos nessa lista. Se o Congresso aprovar, as mulheres terão mais chances de ocupar uma vaga de deputada e de senadora da República”, disse Grazziotin.

Na eleição de 2006, outra deputada do Amazonas chega à Câmara. A jovem empresária Rebecca Garcia assumiu o posto no lugar do pai, Francisco Garcia que abriu mão de disputar a terceira eleição. Foi reeleita para o segundo mandato em 2010.

Conquista

Nessa quarta-feira (7), às vésperas das comemorações do Dia Internacional da Mulher, a deputada Rebecca Garcia comemorou a aprovação na Câmara Federal do projeto de autoria dela (PL 2784/2008) que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer cirurgia plástica reparadora da mama nos casos de mutilação decorrentes de tratamento de câncer. “É uma conquista das mulheres brasileiras”, disse a parlamentar do Amazonas.

Partidos não dão oportunidade

Duas cadeiras da Assembleia Legislativa (ALE-AM) estão com as mulheres, num total de 24 deputados estaduais: Vera castelo Branco (PTB) e Conceição Sampaio (PP). As duas deputadas concordam que as mulheres estão mais interessadas em política, mas os partidos ainda não dão oportunidades.

“Muito disso ainda se deve ao caciquismo’ dos partidos, dominados por homens”, argumenta Vera Castelo Branco.

Já a deputada Conceição Sampaio, presidente da Comissão da Mulher e Família da ALE-AM, defende que hoje a mulher possui apoio de movimentos sociais, “que são os pilares da construção da democracia”, e dessa forma ganham coragem para ingressar nas políticas sociais, “de bairro, de família”. “Outra coisa, a mulher precisa se fazer respeitada. Se eleita, deve representar a mulher de fato”, disse a deputada.

Vera comenta ainda que a mulher precisa deixar o discurso de “vitimização”, e “ partir para o confronto” por um espaço de diálogo. “Se ficar sempre nesse discurso, nunca darão os passos necessários”.

Nesta, haverá Audiência Pública com o tema “A Mulher e o Mercado de Trabalho”, na ALE-AM.

Na CMM, elas são 18% do total

 

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) possui sete parlamentares mulheres, dos 38 vereadores, o que representa apenas 18% do total. São elas: Glória Carrate (PSD), Cida Gurgel (PRP), Lúcia Antony (PCdoB), Mirtes Sales (PPL), Marise Mendes (PDT), Socorro Sampaio (PP) e Vilma Queiroz (PTC).

Para a vereadora Cida Gurgel, as parlamentares da CMM têm feito o diferencial, com apresentação de projetos que envolvem, por exemplo, saúde da mulher e educação. A expectativa dela é que essa representatividade possa aumentar no próximo pleito. “É importante que as mulheres se interessem mais pela política e que se filiem aos partidos”, ressaltou.

Na avaliação de Lúcia Antony, a participação das mulheres no Legislativo é fundamental na humanização das leis.

Estados tem só seis prefeitas

Nas 62 Câmaras de Vereadores do Amazonas, a representação feminina é de 11%. Segundo dados do TSE, em 2008 foram eleitos 584 vereadores, dos quais 66 são mulheres.

As prefeitas do Amazonas são: Sansuray Xavier (PSDB), que governa Anori; Anete Pinto (PP) que administra Atalaia do Norte; Maria das Dores Munhoz (PR), prefeita de Boca do Acre; o município de Ipixuna é comanda por Ana Maria Oliveira (DEM); Maria Barroso (PMDB) está a frente do comando do município de Pauini; Eliete Beleza (PR), que é prefeito de Santa Izabel do Rio Negro.

 Nas 62 Câmaras de Vereadores do Amazonas, a representação feminina é de 11%. Segundo dados do TSE, em 2008 foram eleitos 584 vereadores, dos quais 66 são mulheres.

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), as mulheres ocupam sete das 38 cadeiras, o que significa 18% do total. A exclusão se repete no interior do Estado, em Manacapuru, o segundo maior colégio eleitoral do Amazonas, de um total de 10 vereadores apenas uma cadeira é ocupada por mulher.

Esse porcentual de representação cai na ALE-AM para 8%. São somente duas deputadas: Socorro Sampaio (PP) e Vera Lúcia Castelo Branco (PTB), e mais 22 deputados. Dos 11 parlamentares da bancada federal do Amazonas, só duas são mulheres: a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e a deputada federal Rebecca Garcia (PP).
Mas, em número de eleitores, elas são maioria no Amazonas. De acordo como TRE, no Estado as mulheres representam  50,46% do total de eleitores.  Os homens são  49,53% dos votantes.  De 18 a 20 anos, a participação feminina é de 50,87%. A masculina fica em 49,13%.